O Ibovespa fechou novembro na maior alta desde o final de 1999. Mais quais foram os setores que mais aproveitaram esse movimento? E quais menos ganharam?

Os bancos, as small caps (empresas menores e que movimentam menos volume na bolsa) e as incorporadoras, que tiveram um 2020 difícil por causa da pandemia, foram os grandes vencedores do mês. Na outra ponta, os que menos ganharam foram os índices de fundos imobiliários, de BDRs (papeis que seguem ações negociadas em mercados estrangeiros) e o índice de consumo.

“Em novembro, assistimos a uma rotação de carteiras. Índices, setores e até mesmo papeis específicos que subiram muito tiveram realização de lucros, e caíram ou ganharam menos. Outros que sofreram com a pandemia, como empresas bastante ligadas a crescimento econômico, tiveram alta”, resume Sandra Blanco, estrategista chefe da Órama Investimentos.

Todos os índices setoriais, que são organizados pela bolsa e agrupam papeis de empresas de um mesmo setor da economia ou características similares, fecharam no azul.

Veja abaixo os três que mais se destacaram e os que ganharam menos:

Destaques positivos

Índice Financeiro

Ao lado de Petrobras e Vale, os bancos foram os grandes beneficiados do movimento de maior tolerância ao risco no mundo. O Índice Financeiro fechou o mês com valorização de 16,9%, acima dos 15,8% do Ibovespa.

A definição das eleições americanas e a divulgação da elevada eficiência de vacinas contra a infecção aumentaram o apetite dos investidores internacionais a risco, e as bolsas de países emergentes voltaram a se tornar atrativas.

Quando vão às compras no Brasil, os estrangeiros tradicionalmente miram papeis de empresas extremamente consolidadas, de baixo risco e alta liquidez (ou seja, que podem ser vendidos com facilidade), e os bancos estão entre elas.

Small Caps

O índice small caps é composto por empresas menores e que movimentam menor volume na bolsa, e teve um crescimento de 16,64% em novembro.

“É algo natural. Quando temos um movimento de mais apetite ao risco, as small caps tendem a ter um destaque adicional. Uma das empresas que compõe o índice é a própria Azul, que teve um viés forte de alto nos últimos pregões”, explica Lucas Lima, analista da Toro Investimentos.

Ele lembra que as small caps costumam ter um desempenho mais volátil. “Em momentos positivos para a bolsa, essas empresas tendem a crescer mais, em momentos negativos, o contrário também é válido”.

Índice Imobiliário

Formado por incorporadoras, o índice imobiliário teve valorização de 6,47% em novembro.

Nos dois meses anteriores, em setembro e outubro, o Imob havia liderado o ranking dos índices com maiores perdas.

“Até o início de novembro o Imob tinha a pior performance do Ibovespa no ano. Então, naturalmente, depois de um período de pé atrás, hora ou outra esses papeis tendem a se destacar. Foi o que aconteceu em novembro”, explica Pedro Lang, responsável por renda variável da corretora Valor Investimentos.

Luis Sales, analista da Guide Investimentos, lembra que a comprovação da eficácia da vacinas ajudou segmentos específicos do índice, como os shopping centers. “Essa perspectiva de reabertura mais firme começa a favorecer segmentos ligados ao varejo físico”, aponta.

Destaques negativos

Ifix

O Ifix, índice de fundos imobiliários, foi o que menos ganhou em novembro, com alta de 1,51%. Segundo analistas, esses fundos muitas vezes acabam competindo com investimentos em renda fixa de longo prazo, como títulos da dívida –parte deles teve alta em novembro por conta das incertezas fiscais no Brasil.

“Os fundos imobiliários são ativos com rendimento que varia entre 6% a 8% ao ano. Eles se valorizam quando há queda na taxa de juros futura. Como a melhoria recente na bolsa veio do exterior, e não do mercado interno, eles acabam sendo menos atrativos para o investidor”, explica Sales, da Guide.

Índice de BDRs

O índice que segue o desempenho dos BDRs teve alta de 2,55% no mês. Esses papéis, que são recibos de ações negociadas em bolsas no exterior em reais, foram abertos para investimento ao pequeno investidor no final de outubro.

Nesse caso, não há muita dúvida do que aconteceu: a desvalorização da moeda americana no mês comeu boa parte dos ganhos.

“Além da queda do dólar, nos Estados Unidos a alta das bolsas foi menor do que no Brasil, com os estrangeiros tomando mais risco em mercados emergentes”, diz Sales, da Guide.

Índice de Consumo

O índice que acompanha as empresas ligadas ao consumo, onde pesam principalmente varejistas ligadas ao e-commerce, teve alta de 8,93% no mês.

Esse desempenho acabou sendo puxado para baixo pelo fato de gigantes do varejo eletrônico, como Magalu e B2W, que vêm tendo uma ótima performance em 2020, terem encerrado o mês em queda com a realização de lucros de investidores.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).