Pelo menos três grandes bancos estrangeiros passaram a ver melhora na avaliação para o real, com o argumento de que a moeda brasileira é alvo de grande volume de posições vendidas num cenário em que já precificou boa parte dos riscos domésticos.

O Bank of America recomenda venda de dólares contra reais como operação tática, por entender que houve melhora recente no ambiente político local.

“Ainda que estejamos preocupados com a dinâmica fiscal, a votação da última quinta-feira na Câmara dos Deputados para manter o veto do presidente (Jair Bolsonaro) a aumentos de salários no funcionalismo público abre a porta para um rali tático”, disseram estrategistas do banco em relatório.

Os profissionais do BofA entendem ainda que a taxa de câmbio está atingindo patamares que causam incômodo ao Banco Central, o que respalda cenário no qual o BC permanece mais ativo no mercado de câmbio para atenuar a volatilidade.

“Isso reduz o risco de cauda de uma forte depreciação do real a partir daqui”, completaram.

Pelas contas do BofA, numa lista de 13 moedas emergentes, o real é a que acumula mais excesso de posicionamento vendido –ou seja, que ganha com a desvalorização da divisa. O banco cita que, pelos dados da B3, investidores domésticos elevaram suas posições contrárias ao real quase a patamares pré-reforma da Previdência –aprovada em outubro de 2019.

Avaliação “mais construtiva”

Para o JPMorgan, a incerteza fiscal e política no Brasil ainda não vai embora tão cedo, mas o banco avalia que o recente ajuste de preço justifica uma avaliação “mais construtiva” com relação ao câmbio –e também aos juros.

“Acreditamos que o risco/retorno do real está mudando de negativo para neutro e potencialmente para positivo à frente”, disseram Carlos Carranza e Gisela R Brant em relatório. “A dinâmica da balança de pagamentos parece favorável, com o BC em posição confortável para defender o real”.

O BC divulgou mais cedo nesta terça-feira que o superávit em transações correntes do Brasil foi de US$ 1,628 bilhão em julho, acima do esperado pelo mercado, ajudado pela melhoria expressiva da balança comercial.

O real voltou a ser na semana passada a divisa emergente de maior volatilidade no mundo, depois de perder o posto brevemente para a lira da Turquia, país que sofre com altas taxas de inflação, conta corrente pressionada e queda das reservas cambiais a níveis preocupantes.

Posição “sobrecarregada”

Embora reconheça a maior volatilidade, o BNP Paribas chama atenção para o que considera ser um “sobrecarregado” posicionamento técnico contra a divisa brasileira, o que ampara alguma chance de ajuste conforme outras métricas –como conta corrente– têm melhorado.

Na avaliação de Gabriel Gersztein, estrategista-chefe global para mercados emergentes do banco francês, como tanto a taxa de câmbio real quanto a nominal estão nas mínimas históricas ou perto delas, há aumento de probabilidade de uma correção favorável.

“Estamos entrando numa situação em que a melhora dos termos de troca em algum momento aumenta as chances de algum repasse para os preços (do câmbio)”, disse Gersztein.

 

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