A divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária) fez com que os bancos revisassem suas projeções para a alta da taxa Selic deste ano. Itaú, Bradesco e Santander agora projetam que a Selic chegará a 6,5% ainda neste ano. Mas há previsões de taxas ainda mais altas: o Citi estima um juro básico de 6,75%, enquanto o Credit Suisse, de 7,25% ao ano. Para o BTG Pactual, a taxa chega a 7,5%.

O que disse a ata? O Copom avaliou a possibilidade de acelerar a alta dos juros em sua reunião da semana passada, mas entendeu que seria mais adequado manter o ritmo de aperto de 0,75 ponto percentual, com a indicação de um aperto maior no encontro seguinte.

O colegiado avaliou que essa estratégia teria a vantagem de dar mais tempo para o Copom acumular informações sobre a evolução dos preços mais inerciais, em meio à recuperação do setor de serviços, e também do comportamento das expectativas de inflação.

Quais eram as estimativas dos bancos antes da ata? O Itaú, que estimava que a Selic seria de 6% ao final do ano, elevou a projeção para 6,5%.

O Bradesco diz que os próximos dados de atividade econômica, taxa de câmbio e expectativas serão fatores determinantes para considerar qual o aumento da Selic em agosto, mas preveem a taxa a 6,5% ao ano até dezembro, que antes da reunião era de 6,25% ao ano.

“Em nossa avaliação, por ora, o fluxo de dados quanto à atividade econômica, à taxa de câmbio e às expectativas determinarão o ritmo de elevação em agosto. Por ora, nossa expectativa de juros chegando a 6,50% a.a. no final de 2022 deve ser antecipada para este ano”, afirmou o Bradesco.

O Santander já tinha aumentado a previsão de 5,5% para 6,5% em maio deste ano e manteve as projeções depois da divulgação da ata. O banco diz que a taxa deve ser ajustada para 7% no primeiro trimestre de 2022 e que haja um aumento de 0,75 ponto percentual na próxima reunião – chegando a 5% ao ano.

“O tom do comunicado mostra que o Banco Central responde à deterioração das perspectivas para a inflação de forma adequada e equilibrada. Agora, o BC sinaliza uma normalização monetária total (ou seja, a Selic em alta até 6,5% a.a.), deixando porta aberta para uma retirada ainda mais rápida dos estímulos caso as expectativas se deteriorem adicionalmente”, afirma relatório do banco.

Para Roberto Dumas, professor do Insper, a ata do Copom deixa claro que o Banco Central está em busca de um juro neutro, ou seja, que não estimula nem retrai o PIB (Produto Interno Bruto), mas que não descarta tomar medidas mais severas caso a inflação dê sinais de piora.

“Sabendo que a meta de inflação do ano que vem é de 3,5%, a expectativa era de que a Selic chegaria até 6,5%. Na ata, o Copom fala em ‘redução mais tempestiva dos estímulos monetários’ em caso de piora das expectativas de inflação, que é o que está acontecendo. Por isso, dá para acreditar que o Banco Central vai adotar uma taxa de juros mais restritiva do que a neutra, motivando os bancos a elevarem as projeções”, afirma Dumas.

Taxa ainda mais alta

O Citi Brasil ampliou a expectativa da Selic para este ano em um ponto percentual depois da reunião do Copom: os economistas do banco projetavam uma taxa de 5,75% e agora, de 6,75% em dezembro.

Os economistas do Credit Suisse têm uma projeção de aumento de juros ainda mais forte. “Estamos revisando nossa projeção para a Selic, considerando que a taxa deve ter duas altas consecutivas de 1 ponto percentual, seguida de 0,5. Acreditamos que, ao final do ano, a taxa deve ser de 7,25%, que deve se manter até 2022”, afirmam Solange Srour e Lucas Vilela. Antes da reunião, a expectativa era de 6,5% ao ano.

O BTG Pactual integra o grupo que espera uma taxa mais agressiva, de 7,5% no final do ano. Antes da reunião, era de 6,5% ao ano. “Aguardamos o Relatório Trimestral de Inflação da próxima quinta-feira para uma avaliação final. Mas, na ausência de novas informações, vemos um novo cenário para a taxa Selic terminal de 7,5% a.a”, afirmaram os economistas do banco.

Selic

Na última reunião do Copom, o colegiado decidiu aumentar a Selic em 0,75 ponto percentual, para 4,25% ao ano. No próximo encontro, o Copom prevê uma nova elevação em 0,75 ponto percentual, o que resultará em uma Selic a 5% ao ano. Mas, como avisou que esse próximo ajuste poderá ser mais intenso, a depender do cenário inflacionário, os bancos já esperam um aumento de 1 ponto percentual em agosto.

A Selic é o instrumento que o Banco Central usa para controlar a inflação e fazer com que o país consiga cumprir a meta inflacionária.

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