O Ibovespa fechou em alta de 1,77% nesta sexta-feira (7), aos 122.038 pontos, melhor patamar desde 14 de janeiro, terminando uma semana cheia de balanços animadores. O índice acumula altas de 2,6% na semana e 2,5% no ano.

Já o dólar teve queda de 0,97% e fechou cotado a R$ 5,2276.

O que aconteceu com a Bolsa? O Ibovespa avançou nesta sexta-feira, assegurando um desempenho semanal positivo e renovando máxima desde janeiro, com uma bateria de resultados corporativos nos últimos pregões corroborando perspectivas de recuperação das empresas brasileiras ante a fase mais aguda da pandemia de Covid-19.

Foram mais de 20 companhias do Ibovespa apresentando seus balanços do primeiro trimestre, incluindo nomes como Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, B3, Ultrapar, B2W, Braskem, GPA, Ambev, Gerdau e Taesa, com várias delas reportando números acima das expectativas de analistas.

Em paralelo, percepções de crescimento acelerado na China beneficiaram ações de commodities, notadamente Vale, com o minério de ferro tocando máximas. Dados de emprego dos Estados Unidos ainda corroboraram apostas de manutenção de juros ainda bastante baixos na maior economia do mundo.

A criação de vagas nos EUA veio muito abaixo do esperado, e ajudou a reduzir os receios de redução nos estímulos monetários para a economia norte-americana, ressaltou o responsável por alocações de fundos de fundos na Kilima Asset, Renato Mekbekian.

A semana ainda contou com decisão do Banco Central de elevar a Selic de 2,75% a 3,50% ao ano, dentro do esperado, sinalizando mais uma elevação de 0,75 ponto na próxima reunião, o que trouxe alívio à parte mais longa da curva de juros – movimento que tende a beneficiar ações.

Tais eventos ofuscaram um pouco a CPI da Covid para investigar ações e omissões do governo federal no combate à pandemia, além dos repasses de recursos federais na área da saúde a entes federativos, que nessa semana ouviu o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e os ex-titulares da pasta.

No entanto, agentes financeiros continuam monitorando a CPI, bem como o ambiente político ainda conturbado. Na terça-feira, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), encerrou a comissão mista da reforma tributária, mesmo após o relator da proposta ler o seu parecer no colegiado.

No pano de fundo, o Brasil se tornou na quinta-feira o terceiro país do mundo a superar a marca de 15 milhões de casos confirmados de coronavírus, após Estados Unidos e Índia.

No acumulado do mês, há importantes ganhos e perdas na casa dos dois dígitos. Iguatemi ON sobe 15,87%, em meio a perspectivas otimistas de reabertura da economia e após resultado divulgado na terça-feira que mostrou salto no lucro líquido do primeiro trimestre (+220%). No mesmo setor, BR Malls, que divulga seus números em 14 de maio, avança 11,45%.

CCR ON valoriza-se 11,71%, fortalecida pela alta de mais de 10% apenas nesta sexta-feira, após a Andrade Gutierrez receber oferta vinculante pela participação que detém na administradora de concessões de infraestrutura. A oferta foi feita pela IG4 Capital Investimentos.

Na outra ponta, Localweb ON perde 13,76%, com movimentos de correção ofuscando sua estreia no Ibovespa, do qual passou a fazer parte na carteira que entrou em vigor neste mês. O BTG Pactual excluiu o papel da empresa de tecnologia de sua carteira recomendada para maio citando a valorização de 25,9% da ação em abril. A Locaweb reporta balanço no próximo dia 12.

O que aconteceu com o dólar? O dólar voltou a cair nesta sexta-feira, fechando numa mínima em quase quatro meses e contabilizando a maior queda semanal desde dezembro, com reação a ingressos de recursos e a um contínuo movimento de desmonte de posições compradas na moeda norte-americana por perspectiva de mais alta de juros no Brasil e de permanência de estímulos globais.

O dólar à vista caiu 0,97%, a R$ 5,2276 na venda, menor valor desde 14 de janeiro (R$ 5,212).

Na semana, a moeda caiu 3,75%, mais forte baixa desde a semana encerrada em 4 de dezembro passado (-3,77%).

O dólar já cai por seis semanas consecutivas, mais longa série do tipo desde as mesmas seis semanas de queda findas em 26 de outubro de 2018.

Na atual sequência de baixas, a cotação acumula recuo de 8,94%.

No exterior, o dólar tocou mínimas em dois meses frente a seus pares mais importantes e perdia terreno ante 32 de 33 rivais.

Maiores altas:

CCR (+10,25%)
Embraer (+7,40%)
Iguatemi (+6,84%)

Maiores baixas:

Locaweb (-2,63%)
Usiminas (-1,82%)
Weg (-0,92%)

Com a Reuters

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