Em que passo a economia brasileira está se recuperando? Será que os motores da atividade voltaram a engrenar? Quando as famílias começarão a perceber uma melhora na renda? Ainda existe a chance de piorar antes de melhorar? Essas e outras várias perguntas ainda não têm uma resposta, dado que o cenário de retomada pós-pandemia ainda parece distante.

No entanto, a rodada de resultados dos bancos brasileiros vai indicar como os “donos do dinheiro” estão vendo os próximos meses. A aposta é que, se houver uma melhora nos indicadores de provisões (como são chamados os recursos reservados para cobrir eventuais calotes dos clientes), os bancos estarão contando com uma melhora progressiva no desemprego e no salário dos brasileiros.

A julgar pela alta das ações dessas instituições na bolsa de valores na semana passada, parece que o investidor está confiante em uma safra de balanços positivos no setor. Os papéis do Itaú, Bradesco e Banco do Brasil subiram mais de 10% nos últimos cinco pregões, e puxaram a recuperação dos 100 mil pontos do Ibovespa.

O que esperar do balanço dos bancos?

Na terça-feira (27), o Santander será o primeiro a reportar seus números. O banco espanhol foi o que menos fez provisões no primeiro e segundo trimestre, apostando que a queda econômica causada pela pandemia fosse ser mais branda que a esperada. A aposta mostrou-se acertada até agora, mas o alto nível de reservas para calotes adotado pelos outros bancos deixa dúvidas se o Santander pesou a mão do otimismo.

“Há uma expectativa de que a gente comece a ver provisões sendo reduzidas no terceiro trimestre. Curiosamente, a área de análise do Bradesco e do Santander projetaram esse movimento para os outros bancos — obviamente eles não podem falar dos próprios resultados ainda”, diz Henrique Esteter, analista da corretora Guide Investimentos.

No dia seguinte, quarta-feira (28), será a vez do Bradesco reportar seus números. Além de observar as provisões, os investidores devem ficar de olho no crescimento da carteira de crédito. De acordo com dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o volume de empréstimos tem crescido nos últimos meses, impulsionado pelas concessões para empresas. Mas ainda é preciso ver, na prática, qual a qualidade da carteira de crédito conquistada durante a crise.

De qualquer forma, se as reservas para calotes vierem menores e o crédito maior, as ações dos bancos devem ter algum ganho impulsionado pela expectativa de melhora do cenário econômico.

Vale, Petrobras e exportadoras

As gigantes da bolsa brasileira vão reportar seus resultados também nesta semana, embora não se espere muita surpresa. Como Vale e Petrobras divulgam prévias operacionais, os investidores já sabem o que deve vir por aí. Ambas tiveram um resultado trimestral melhor que o anterior, mas com grande destaque para a Vale.

A mineradora deve divulgar um forte avanço operacional, com alta de cerca de 30% na sua produção. A demanda aquecida da China e os preços favoráveis do minério de ferro no mercado externo têm ajudado a empresa a melhorar progressivamente os resultados trimestrais.

“A geração de caixa da Vale está bem acelerada, em razão do preço do minério no mercado. Vale dizer que a produção teve uma evolução expressiva, mas vendas ficaram um pouco para trás. De qualquer forma, seguimos com visão bastante positiva”, diz Esteter, da corretora Guide.

Já a Petrobras, embora também esteja no grupo das que devem ter um bom balanço no trimestre, não vive em uma situação tão favorável. O analista explica que os números referentes aos meses de julho, agosto e setembro devem mostrar alguma recuperação no consumo interno de combustíveis, mas ainda não deve ser suficiente para a Petrobras voltar ao lucro.

Usiminas, Gerdau, Klabin e Suzano também reportarão os resultados na semana. A expectativa é que as exportações devem ajudar a produzir números positivos, especialmente no setor de siderurgia. “A Gerdau é a que deve ter o resultado mais forte, possivelmente com recorde no trimestre”, diz Esteter.

Já para as empresas de papel e celulose, o terceiro trimestre deve ter sido um “repeteco” do segundo, já que o preço da celulose e o dólar andaram de lado nos últimos meses. Ou seja: essas empresas estão, aos poucos, recuperando-se do tombo sofrido no primeiro trimestre, quando a pandemia começou.

Consumo

Mas não só de bancões e exportadoras viverá a semana de balanços. Algumas empresas ligadas ao setor de consumo doméstico, como o Grupo Pão de Açúcar, Ambev, Raia Drogasil, Telefônica e Localiza também reportarão seus números. Embora essas empresas tenham um impacto menor na bolsa, elas retratam uma parte significativa da economia real.

Entre os resultados destacados pelo analista da Guide está o da Ambev. A maior fabricante de cervejas brasileira deve ter um balanço a ser comemorado, em razão da reabertura de bares e restaurantes na maioria das cidades. A comemoração só não será maior, porque as operações da América do Sul da Ambev devem continuar sendo impactadas pelos efeitos da pandemia, principalmente na Argentina.

No resultado do GPA (Grupo Pão de Açúcar), os investidores estarão atentos às vendas do Assaí, marca de atacado da varejista. Mas a grande expectativa dos investidores é para o resultado do Carrefour, principal concorrente do GPA, e que divulgará seus resultados só em duas semanas.

Falando em varejo, os resultados das Lojas Americanas devem mostrar, ainda, a força do digital nas vendas. “A importância do e-commerce possivelmente foi o principal ponto do trimestre. Eu não acredito que lojas físicas já tenham tido recuperação, embora a maioria delas já esteja reaberta”, diz o analista da Guide.

O resultado da locadora de veículos Localiza gera grande expectativa, mas a compra da Unidas, um dos fatos mais importantes dos últimos anos, não deve aparecer ainda nos números. Isso porque a operação precisa ser aprovada por autoridades de concorrência e fiscalização, e só poderá ser concretizada depois de todos esses avais.

Resultados nos EUA

Vale registrar que a semana também será importantíssima para a temporada de resultados de empresas dos Estados Unidos. Nos próximos dias, companhias como Facebook, Apple, Amazon e Alphabet (dona do Google) vão divulgar seus números. As gigantes de tecnologia devem impulsionar os índices das bolsas americanas, especialmente os da Nasdaq, embora os analistas não estejam esperando nada espetacular.

A aposta é que será um trimestre positivo, mas não tão bom quanto o dos últimos trimestres, quando o consumo da quarentena elevou os números das empresas com negócios digitais,

Calendário da semana

Segunda-feira

  • Coca-Cola (nos EUA)
  • Klabin

Terça-feira

  • Localiza
  • Raia Drogasil
  • Cielo
  • Pfizer (nos EUA)
  • Telefônica

Quarta-feira

  • Vale
  • Petrobras
  • Santander
  • Bradesco
  • Gerdau
  • GPA
  • Visa (nos EUA)
  • Mastercard (nos EUA)
  • Heineken (nos EUA)
  • Boeing (nos EUA)

Quinta-feira

  • Ambev
  • Suzano
  • Lojas Americanas
  • Usiminas
  • Apple (nos EUA)
  • Amazon (nos EUA)
  • Alphabet (nos EUA)
  • Facebook (nos EUA)
  • Starbucks (nos EUA)
  • Twitter (nos EUA)

Sexta-feira

  • Copasa

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