Os argentinos praticamente já não conseguem comprar dólares por meio dos canais oficiais, quando bancos tentam se ajustar às mudanças das regras que aumentaram as restrições.

Quase uma semana depois de o governo argentino ter anunciado impostos mais altos e mais limites para compras, a maioria dos grandes bancos de varejo do país publicou avisos em sites para informar que operações de câmbio não podem ser concluídas porque os sistemas devem ser atualizados para refletir as novas regras.

“No momento, não se pode comprar ou vender dólares”, diz o Banco Galicia em comunicado para clientes de varejo. “Pedimos desculpas. Estamos nos adaptando às novas regras.”

Os problemas técnicos são outro obstáculo para os argentinos, que convertem pesos em dólares em ritmo acelerado em meio a especulações de que a moeda argentina está prestes a entrar em colapso.

O governo e o banco central, com o objetivo de segurar moeda forte, aplicaram um novo imposto de 35% sobre as compras de dólares, que já eram taxadas em 30% sob outro imposto. Também limitaram a capacidade de pessoas que recebem assistência do governo de comprar dólares, além da manutenção do limite mensal de US$ 200 em compras.

Um porta-voz do banco central disse que seus sistemas eletrônicos operam normalmente e que qualquer impedimento para as compras é culpa das instituições comerciais. Associações de bancos argentinos e estrangeiros não quiseram comentar.

O banco central informou na noite de segunda-feira que as reservas internacionais do país caíram em US$ 185 milhões, a maior queda diária desde o início de maio.

A demanda por dólares no mercado negro da Argentina aumentou neste ano. E, como se tornou cada vez mais difícil trocar pesos por dólares em bancos, a taxa paralela no mercado negro subiu para 141 por dólar, quase o dobro da taxa à vista de 75 por dólar.

Alguns analistas suspeitam da resposta oficial do banco central aos problemas de compra de dólares nesta semana. Eles acreditam que os obstáculos técnicos atendem aos objetivos de autoridades de tornar onerosa a conversão de pesos em dólares.

“As questões operacionais seriam uma desculpa conveniente para o banco central ficar sentado em seus dólares como uma galinha”, disse Joaquín Bagues, estrategista-chefe do Portfolio Personal Inversiones, em Buenos Aires.

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