Dólar alto e instável é parte do novo normal no Brasil. Até há pouco tempo, no final de 2019, ele rondava os R$ 4, chegou aos R$ 5 em meados de março e quase esbarrou nos R$ 6 no mês de maio. Embora em tempos de pandemia as pessoas não estejam fazendo planos para viagens internacionais, a alta do dólar encarece o custo de vida.

Se por um lado o sobe e desce do dólar não esteja sob nosso controle, por outro há maneiras de ajustar o portfólio de investimento de forma a se blindar da alta da moeda. E dá para para fazer isso com aportes entre R$ 1.000 e R$ 2.000, no mínimo.

Uma possibilidade, por exemplo, é o investimento no ETF com exposição S&P 500, índice que reúne as principais empresas dos Estados Unidos. A sugestão é de Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos.

O IVVB11 replica o índice S&P 500. Ao aplicar nesse ETF (entenda aqui o que são) , os investidores brasileiros  colocam dinheiro nas ações listadas nos EUA. Quando há lucro, ele é em dólar. Além disso, as empresas listadas no S&P 500 são as principais dos EUA, que têm a economia mais forte do mundo. O potencial de valorização é grande.

Sim, o S&P despencou 19,87% entre fevereiro e março. Mas de 1º de abril a 3 de junho se recuperou e conseguiu valorização de 20,80%. No Brasil, a desvalorização do Ibovespa foi 35,81% entre os meses de fevereiro e março, e de até abril a junho, a valorização de 27,36% não foi suficiente para anular as perdas.

Qual o risco de uma ETF? Por ser na categoria de ação, é um investimento de risco. Panonko, que recomenda o produto, fala que a exposição é dupla. Tanto pela própria natureza das ações quanto da exposição ao dólar, que pode se depreciar ou se valorizar em relação ao real. Nunca dá para saber.

Quanto custa? No IVVB11 F, cada fração custa R$ 171,19 (valor da cota em 03 de junho).

Quais as outras opções? Panonko também fala do fundo cambial. Por um lado o risco é menor.  Por outro, por não contemplar investimento em ações, não entrega valorização dos papéis listados na bolsa de valores dos EUA.  O intuito do fundo cambial, como o 6 Minutosexplicou neste link, é acompanhar o dólar, tanto na valorização quanto na desvalorização da moeda.

Em geral, fundos cambiais têm aplicação mínima de R$ 1.000 e são mais um produto de proteção do que qualquer outra coisa para um portfólio.

No mercado também há alguns fundos multimercados com exposição a dólar e acessíveis aos pequenos investidores. Mas a forma como os gestores decidem se expor foge ao controle do acionista.

Mas as BDR, recibos de ações de empresas estrangeiras negociadas na bolsa brasileira, que sempre rondam as discussões de quem é mais graúdo, só estão disponíveis para investidores qualificados – quem tem mais de R$ 1 milhão investidos. Não é a realidade da maioria dos investidores brasileiros.

Como decidir pelo investimento? Para Panonko, é fundamental entender que tanto os ETFs quanto o fundo cambial são investimentos de médio e longo prazo, e não entregam rentabilidade ou pareamento imediato ao dólar. Eles servem como uma diversificação e suavizam o risco do portfólio de investimento como um todo.

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