Outubro foi um mês de nervosismo para os investidores brasileiros. Com o aumento da tensão fiscal e o início da temporada de balanços corporativos, o Ibovespa caiu 6,74%, quarto mês consecutivo de queda e pior desempenho mensal deste ano.

Um levantamento da Economatica mostra que a Méliuz foi a empresa com maior queda no Ibovespa no mês, seguido da Azul e Alpargatas. Em contrapartida, as maiores altas ficaram com Ambev, BB Seguridade e Telefônica Brasil.

“Desde a máxima do ano, em junho, o índice acumula uma queda superior a 20%, e assim, o principal índice de ações no Brasil entra em bear market, que ocorre sempre que a queda acumulada, desde a máxima, é superior a 20%. O descompromisso fiscal, sinalizado pelo governo sobre a questão do respeito ao teto de gastos foi o principal trigger negativo, responsável pelo descolamento do mercado brasileiro das demais bolsas globais”, afirma relatório da Genial Investimentos.

Maiores altas de outubro

  1. Ambev (ABEV3): +11,05%;
  2. BB Seguridade (BBSE3): +10,73%;
  3. Telefônica Brasil (VIVT3): +7,07%;
  4. Energias BR (ENBR3): +6,75%;
  5. JBS (JBSS3): +5,34%;
  6. Engie Brasil (EGIE3): +3,87%;
  7. Marfrig (MRFG3): +3,27%;
  8. Taesa (TAEE11): +2,29%;
  9. SulAmérica (SULA11): +1,92%;
  10. Gerdau (GOAU4): +0,72%

“A bolsa teve um mês negativo e prova disso é que o papel com melhor desempenho, subiu 11%. As altas de quase todos os ativos foram puxadas pelos resultados, tirando o caso do BB Seguridade. O setor de seguros caiu bastante na pandemia, o que afetou os papéis das empresas. Agora, estão se recuperando”, afirma Leonardo Aparecido, especialista da Valor Investimentos.

A Ambev, líder do ranking, subiu impulsionada pelo balanço positivo divulgado na semana passada. Para o Credit Suisse, mais uma vez, a empresa surpreendeu. “Incansável em se manter na linha de frente, a Ambev mais uma vez superou e manteve uma execução de vendas de alto nível, o que permitiu que seus volumes atingissem o nível recorde no terceiro trimestre de 2021, ainda mais impressionante considerando as comparações difíceis do ano passado”, afirma em relatório.

No ranking, três empresas de energia se destacaram: Taesa por ser boa pagadora de dividendos, Energias do Brasil pelo balanço corporativo e Engie pela conclusão da venda do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina.

Já o setor de frigoríficos tem dois representantes no ranking, JBS e Marfrig. “A JBS fez a aquisição da empresa norte-americana Sunnyvalley Smoked Meats, o que faz com que o resultado do terceiro trimestre tenda a ser positivo. Além disso, houve aumento no preço da carne, no volume de exportações e o câmbio mais alto”, afirma Aparecido. A Marfrig apresentou resultados e surpreendeu positivamente o mercado.

A Telefônica Brasil foi a terceira maior valorização no mês, puxada pelo resultado positivo no terceiro trimestre.

Maiores baixas de outubro

  1. Méliuz (CASH3): -44,93%;
  2. Azul (AZUL4): -31,69%;
  3. Alpargatas (ALPA4): -26,84%;
  4. Gol (GOLL4): -26,70%;
  5. CVC Brasil (CVCB3): -25,79%;
  6. Magazine Luiza (MGLU3): -24,62%;
  7. Banco Inter (BIDI11): -23,90%;
  8. Grupo Soma (SOMA3): -22,60%;
  9. Banco Inter (BIDI4): -22%;
  10. Cyrela Realt (CYRE3): -21,72%

Se as altas foram, em sua maioria, motivadas por balanços de resultados positivos, as maiores quedas foram puxadas, principalmente, pela economia brasileira, por fatores específicos de algumas companhias ou por resultados abaixo do esperado.

“A queda da Méliuz foi bastante influenciada pelo aumento dos juros. O que acontece é que o financiamento de empresas de tecnologia é vinculado à taxa de juros. Quando ela aumenta, impacta diretamente no valor da dívida da empresa. Além disso, o mercado ficou dividido sobre o resultado apresentado pela empresa”, afirma Aparecido.

O banco Inter ficou entre as maiores quedas por ter apresentado resultados abaixo do esperado, pelos impactos da inflação e pelos juros mais altos, que impactam a tomada de crédito da companhia.

O setor de turismo tem três representantes no ranking: Azul, Gol e CVC, que foram impactadas pelo cenário de inflação mais alta e os preços altos dos combustíveis, que diminuem a margem de lucro das companhias.

“O aumento do preço de combustível impacta a margem, o aumento do dólar diminui o volume de viagens internacionais. Além disso, com o aumento da inflação, as empresas têm dificuldade para oferecer preços de passagens competitivos”, afirma Aparecido. A CVC ainda teve outro problema que as outras não tiveram: a empresa sofreu um ataque hacker, que afetou diretamente o preço dos papéis no Ibovespa.

Com o aumento da inflação, as varejistas também foram impactadas. O cenário econômico, somado a resultados mais baixos do que o esperado, fizeram os papéis da Magazine Luiza e da Alpargatas caírem, assim como o Grupo Soma.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).