Com o mercado internacional pressionado pela alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, a bolsa fechou o pregão desta quinta-feira (dia 25) em queda de 2,95%, a 112.256 pontos.

Já o dólar teve alta de 1,62%, cotado a R$ 5,50.

O que aconteceu com a Bolsa? O Ibovespa foi contaminado pelo mau humor em Wall Street, em meio a preocupações com os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, o que ofuscou até mesmo o resultado recorde da Petrobras.

Os Treasuries com vencimento de 10 anos são mundialmente utilizados como referência de ativo livre de risco e sua taxa saltou de 1,389% para 1,614%, maior patamar em mais de um ano. “Em termos práticos, isso eleva o prêmio exigido pelo mercado para a tomada de risco no mercado de renda variável e, consequentemente, reduz o potencial de valorização das ações”, explica Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. “Esse aumento da percepção de risco culmina em realização de lucros, com os investidores em busca de um melhor nível de preço para ter um nível de risco x retorno adequado.”

A alta dos Treasuries está relacionada ao crescente aumento do mercado da expectativa de inflação, o que, teoricamente, eleva o risco do Fed aumentar os juros antes do esperado. O presidente do Fed, Jerome Powell, já deixou claro que não está preocupado com isso no momento e que manterá a política monetária expansionista.

“Resta saber se o mercado está exagerando e haverá um pullback dos mercados em breve, ou os juros norte-americanos seguirão em alta refletindo as expectativas e a correção seguirá no começo de março, vide o aumento da percepção de risco”, completa Ribeiro.

No Ibovespa, Petrobras ON e Petrobras PN chegaram a crescer 3,41% e 2,46%, após lucro de R$ 59,9 bilhões no quarto trimestre do ano passado, principalmente devido a uma reversão de baixa contábil bilionária relacionada aos preços do petróleo. Com a mudança de ânimo do mercado, porém, o sinal se inverteu e os dois papéis fecharam em baixas de 3,87% e 4,96%, respectivamente.

Já Ultrapar ON despencou 7,52%, segunda maior queda do pregão, tendo no radar queda da receita no último trimestre do ano passado, com o resultado operacional medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, excluindo efeitos não recorrentes, caindo 11%.

O que aconteceu com o dólar? O dólar teve firme alta perante o real nesta quinta-feira, com as operações locais replicando um rali da moeda norte-americana no exterior, em meio à escalada das taxas de juros de títulos soberanos dos Estados Unidos – movimento que deprime ativos de risco e ameaça a recuperação econômica global. É o maior patamar desde 5 de novembro de 2020, quando cravou R$ 5,5455.

O Banco Central interveio duas vezes no mercado de câmbio, conforme a alta dos yields no exterior ganhava ímpeto. Às 13h20, o BC anunciou o primeiro leilão do dia, na forma de oferta de venda de dólares à vista, US$ 920 milhões. Às 15h37, fez a segunda oferta do dia, com venda efetiva de US$ 615 milhões – totalizando US$ 1,535 bilhão, com liquidação em 1º de março. É o maior valor de venda a ser liquidado no mesmo dia desde a liquidação de US$ 2,175 bilhões em moeda à vista em 28 de abril do ano passado.

O BC não fazia leilão de dólar à vista desde dezembro de 2020. Na segunda-feira, o Bacen já havia vendido US$ 1 bilhão via swaps cambiais tradicionais, numa tentativa de conter a forte reação negativa do câmbio à percepção do mercado de ingerência política na Petrobras.

“Está muito claro que o BC está mais pró-ativo no câmbio”, disse Alfredo Menezes, sócio-gestor na Armor Capital, para quem chamou atenção a atuação via pronto, e não swaps, uma vez que as taxas do casado (diferença entre o dólar futuro e à vista) não se mostraram pressionadas.

Para Menezes, os motivos podem ser pressão política, preocupação com a inflação e interesse em diminuir reservas para abater dívida bruta – esta última opção, segundo ele, é reforçada pelo fato de a intervenção ter ocorrido com dólares das reservas.

A escalada do dólar nesta sessão foi acompanhada de novo rali nos juros futuros da B3, num momento em que o mercado discute chances de início de uma normalização do patamar da Selic no mês que vem. “Com essas pancadas nos yields dos Treasuries, se o BC não elevar a Selic em março, vejo dólar buscando os R$ 5,70″, disse Henrique Esteter, analista de research e equity sales na Guide Investimentos.

Melhores desempenhos:

Multiplan (+0,45%)
Telefônica Brasil (+0,29%)

Piores desempenhos:

Weg (-8,30%)
Ultrapar (-7,52%)
CSN (-6,70%)

(Com a Reuters)

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