O Ibovespa recuperou o patamar de 112 mil pontos nesta quarta-feira, refletindo alívio do mercado com medidas do governo chinês para evitar pânico no setor imobiliário e após a autoridade monetária dos Estados Unidos indicar redução gradual de estímulos à economia. O índice subiu 1,84%, aos 112.282 pontos.

Já o dólar fechou em alta de 0,34%, cotado a R$ 5,3033.

O que aconteceu com a Bolsa? O mercado financeiro viveu um dia de alívio nesta quarta-feira (22), com boas novas vindas da China e dos Estados Unidos.

As notícias de que a Evergrande fez um acordo para evitar o calote a credores e o governo chinês pretende assumir a companhia e cindi-la tiraram grande peso dos ativos de risco, elevando cotações de commodities e de índices de ações pelo mundo.

Isso abriu espaço para a recuperação de ações de empresas brasileiras ligadas a metais que exportam para aquele mercado, caso da Vale, que saltou 3,55%, deixando em segundo plano os cortes do preço-alvo do ADR da companhia pelo Bank of America e pela Jefferies. Siderúrgicas também foram pelo mesmo caminho: Gerdau cresceu 5,84% e CSN, 1,95%.

À tarde, o Federal Reserve manteve o juro básico dos EUA entre zero e 0,25% ao ano, mas indicou que uma alta da taxa deve começar em 2022. A autoridade também sinalizou que deve reduzir suas compras mensais de títulos “em breve”.

Isso deu um segundo impulso positivo aos ativos de risco, fazendo o Ibovespa chegar às máximas do dia, tocando os 113 mil pontos, na medida em que dissipou incertezas do mercado.

Na mão contrária, os setores de saúde e de consumo doméstico foram a nota negativa do pregão.

Hapvida caiu 3,89%, maior queda do pregão, em meio a ameaças de senadores em sessão da CPI da Covid para convocar executivos da companhia para depor. A sessão da CPI ouve o depoimento de Pedro Benedito, diretor da empresa de planos de saúde Prevent Senior, que teve dados usados pelo governo de Jair Bolsonaro para incentivar a adoção de tratamentos não comprovados contra a doença.

Questionado por senadores sobre uma suposta política de “obediência e lealdade” em vigor na Prevent Senior, o executivo afirmou que a expressão foi usada em 2017 por um ex-diretor da companhia que trabalharia para a Hapvida.

Além de Hapvida, o papel da Notre Dame Intermédica, com quem a Hapvida tenta uma fusão, caiu 3,88%.

Via recuou 2,39% e devolveu parte dos ganhos da véspera, quando anunciou que atingiu mais de 100 mil vendedores terceiros em sua plataforma em agosto. As perdas atingiram boa parte do setor, com Lojas Americanas caindo 1,45% e Magazine Luiza em baixa de 0,31%.

O que aconteceu com o dólar? O dólar teve uma arrancada vespertina após indicações de que cortes de estímulos nos Estados Unidos estão mais próximos. E o mercado doméstico manteve a ansiedade antes da decisão de política monetária do Copom.

O dólar à vista subiu 0,34%, a R$ 5,3033 na venda.

A moeda operou entre estabilidade e baixa ao longo de toda a manhã e início da tarde, indo a uma mínima de R$ 5,2501 (-0,67%). Depois das 15h (de Brasília), ela iniciou uma escalada íngreme que rapidamente a fez trocar de sinal e bater a máxima de R$ 5,3194 (+0,64%).

A reviravolta foi ditada pelas sinalizações do banco central norte-americano (Fed) de que o começo da redução de compras de ativos está mais próximo, com chances ainda de os juros subirem antes do esperado.

Com esse movimento, o dólar compensou as perdas da véspera, quando caiu 0,81%, motivado pelo compromisso que os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), assumiram com a busca por uma solução para a conta bilionária de precatórios para 2022.

Na ocasião, Pacheco disse que a PEC para resolver o problema dos precatórios no Orçamento do ano que vem preverá uma limitação do crescimento dessas despesas pela mesma dinâmica da regra do teto de gastos, enquanto Lira ressaltou intenção de respeitar o teto de gastos e criou a comissão especial que analisará o mérito da PEC dos precatórios.

Maiores altas:

Usiminas (+8,70%)
Azul (+8,19%)
Cielo (+7,79%)

Maiores baixas:

Hapvida (-3,89%)
Notre Dame Intermédica (-3,88%)
Via SA (-2,39%)

Com a Reuters

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