Atualizado às 18h29

A confirmação de que o governo planeja driblar o teto de gastos para financiar seu programa de auxílio social a ser lançado antes das eleições de 2022 ditou piora generalizada das perspectivas econômicas do país e levou o principal índice de ações brasileiras ao piso em 11 meses.

Também refletindo o receio de uma greve de caminhoneiros e ventos do exterior menos favoráveis, o Ibovespa desabou 2,75%, para 107.735,01 pontos, menor fechamento desde 20 de novembro de 2020.

A volatilidade decorrente do nervosismo com a rápida deterioração do cenário impulsionou o volume de negócios, que somou R$ 43,4 bilhões.

O movimento legislativo para “adequar” o teto orçamentário, mudando prazo de correção do teto de gastos e acomodar o auxílio a famílias de baixa renda até dezembro de 2022, foi a senha para economistas se certificarem de uma iminente piora das contas públicas, o que deve ser compensado com juros mais altos.

“Desenvolvimentos recentes na frente fiscal contaminam os preços dos ativos, prejudicam a credibilidade da política e aumentam o risco de alta para nossas perspectivas de inflação de médio prazo”, afirmou o JPMorgan, prevendo que o Banco Central vai acelerar a alta da Selic nas próximas duas reuniões.

Como resposta, ações de empresas que brilharam durante a pandemia, como de comércio eletrônico e construtoras, que já vinham sendo alvos de realização de lucros, intensificaram as perdas. O mesmo se deu sobre papéis ligados a commodities, com uma derrocada dos preços do minério de ferro na China.

Por fim, o temor de uma possível greve de caminhoneiros de larga escala pressionou diretamente empresas de combustíveis, após um evento nesta manhã no Rio de Janeiro.

E o dólar? Já o dólar disparou contra o real e fechou numa nova máxima em seis meses, também como reflexo do pânico generalizado do mercado brasileiro com o iminente descontrole fiscal.

O dólar à vista fechou em alta de 1,90%, a R$ 5,6683 na venda, maior patamar para fechamento desde 14 de abril deste ano e maior valorização diária desde 8 de setembro.

A moeda norte-americana já começou o dia em disparada depois de, na quarta-feira, após o fechamento do mercado à vista, o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter dito que o governo avaliava pagar o benefício temporário que irá vitaminar o novo Bolsa Família fora do teto de gastos ou optar por mudança na regra constitucional do limite fiscal para acomodá-lo.

Na tarde desta quinta, o relator da PEC dos Precatórios, deputado Hugo Motta, (Republicanos-PB), apresentou novo parecer em que propôs uma modificação do prazo considerado na correção do teto de gastos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida que, segundo ele, abre um espaço adicional de R$ 39 bilhões para despesas em 2022.

Para Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, a sinalização do governo justifica a reação dos mercados. “Qualquer furo do teto representaria uma quebra do que hoje é nossa única âncora fiscal; se houver essa rachadura teremos um cenário inimaginável.”

Segundo ela, o mercado teme que os gastos com o auxílio sejam apenas o início de mais uma série de medidas populistas do governo à medida que as eleições de 2022 se aproximam. “Hoje Bolsonaro já falou em auxílio para caminhoneiros, há pressão muito grande para intervenção nos preços dos combustíveis… É uma série de medidas populistas vinda de um governo que se vendeu como grande defensor das contas públicas.”

Em meio ao retorno de ameaças de greve de caminhoneiros em razão da alta dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira que o governo vai oferecer a cerca de 750 mil caminhoneiros autônomos uma ajuda para compensar o aumento do preço do diesel.

O dólar à vista foi às máximas da sessão na esteira de seus comentários, chegando a tocar R$ 5,6911 na venda no pico intradiário, alta de 2,3%.

Mesmo em meio à disparada da moeda norte-americana, o Banco Central não anunciou venda líquida de dólares nesta quinta-feira, depois de ter se mostrado ativo no mercado de câmbio nas últimas seis sessões. Um economista de uma grande corretora de investimentos disse que interpretou o “silêncio” da autarquia como uma tentativa de passar uma mensagem para Brasília sobre a urgência de prezar pela responsabilidade fiscal.

Mas Argenta, da CM Capital, discorda. “O Banco Central sabe que não consegue mudar a direção do dólar, apenas amenizar alguns movimentos bruscos pontuais”, disse ela, ressaltando que a autarquia não tem a intenção de controlar os patamares da moeda norte-americana. “O BC achou que não era necessário dar liquidez ao mercado.”

Em dia de pânico, Suzano e BB Seguridade são únicos papéis do Ibovespa que fecham no azul (18h24)

Em pregão de alta volatilidade, apenas dois papéis fecharam com variação positiva. Suzano
avançou 1,65%, após antecipar de 2030 para 2025 a meta de remover 40 milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera. E BB Seguridade subiu 0,8%, diante da perspectiva de que sua carteira de títulos seja beneficiada com um ciclo de alta de juros mais longo.

Americanas despencou 10,76% e Magazine Luiza perdeu 6,34%, ilustrando como ações de empresas que cresceram forte durante a pandemia têm sido fortemente alvejadas por realização de lucros.

Banco Inter despencou 10,7%, chegando a 50% de desvalorização desde julho, Banco Pan retrocedeu 7,88% e Getnet desabou 19,8% – a última devolveu quase todo o ganho acumulado desde sua estreia na bolsa, na segunda-feira.

Vibra, dona da rede de postos BR, caiu 5,17% e Ultrapar, dona da Ipiranga, teve baixa de 5,42%, em meio a temores sobre desdobramentos de uma paralisação de caminhoneiros. Fora do índice, Raízen, dona dos postos Shell no país, recuou 3,16%.

Petrobras perdeu 3,38%. A companhia divulgou resultados operacionais considerados positivos por analistas. O BTG Pactual afirmou que “outro ciclo de fortes resultados financeiros está a caminho”, mas isso deve ser eclipsado pelo ruído em torno da política de preços dos combustíveis.

Vale cedeu 1,6%, também sob pressão dos preços de metais ferrosos na China, que despencaram devido à queda nos preços do carvão e estagnação do consumo de aço. Usiminas tombou 5,4% e CSN perdeu 1,8%.

BB encolheu 4,2%, Bradesco teve depreciação de 1,7% e Itaú teve recuo de 1,7%, com os grandes bancos nacionais devolvendo ganhos da véspera.

Economistas veem alta mais acelerada dos juros com BC enquadrado por arcabouço fiscal pior (16h55)

Os departamentos econômicos já começaram a considerar juros de dois dígitos no ano que vem, impelidos pela forte deterioração nos preços de mercado e na percepção de risco que fez derivativos embutirem Selic de mais de 11% no ano que vem e aperto monetário de até 150 pontos-base na próxima semana.

O banco norte-americano JPMorgan puxou a fila, elevando a 125 pontos-base sua projeção de aumento da taxa Selic pelo Banco Central em cada uma das próximas duas reuniões do Copom, vendo o BC forçado a acelerar a velocidade de restrição monetária devido à deterioração do balanço de riscos para a inflação.

“O risco de piora nas perspectivas fiscais até o término do ano e o ambiente global mais desafiador ainda exigem cautela, e não descartamos um movimento ainda mais agressivo pelo Banco Central, seja antecipando o movimento com um aumento de 150 pontos-base na próxima semana ou prolongando ainda mais o ciclo em direção a uma taxa terminal mais alta no próximo ano”, disseram Cassiana Fernandez (economista-chefe do banco no Brasil) e Vinicius Moreira (economista) em relatório.

Na curva de DI, os contratos já embutem acréscimo 150 pontos-base, 50 pontos-base acima do cenário a que o mercado vinha se apegando – muito pelas afirmações do Bacen de que não via necessidade de aperto do passo.

Mas já na terça-feira, também dia de forte pressão nos mercados locais, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, reconheceu que uma política monetária mais apertada seria necessária caso o problema fiscal no Brasil piorasse.

Desde então, os maiores temores do mercado ficaram mais perto da concretização. O governo anunciou um Auxílio Brasil de 400 reais parcialmente bancado com recursos fora do teto de gastos. Na noite da véspera, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu “licença” para o furo do teto, o que já ditou abertura fortemente negativa para os ativos financeiros nesta manhã.

E declarações do presidente Jair Bolsonaro na tarde desta quinta empurraram os preços para níveis ainda piores. O DI janeiro 2023 chegou a subir impressionantes 96,5 pontos-base, indo a quase 10,9% na máxima do dia.

Toda a curva de DI está bastante estressada, o que fica explícito pelas taxas a termo – entre maio e junho de 2022, FRAs apontavam nesta tarde CDI médio no período de 11,6%, o que daria uma Selic média de 11,7%, ante o atual patamar de 6,25%.

“A gente agora está discutindo se vai ser 125 pontos-base ou 150 pontos-base”, disse Caio Megale, economista-chefe da XP, citando cálculos sobre o que o fiscal representa em termos de risco.

“Inequivocadamente o cenário muda”, disse. “A chance de Selic acima de 10% cresceu, a inflação (de 2022) não será mais de 3,9%, e o câmbio não será o de 5,10 reais”, afirmou, citando as atuações projeções da casa, que vê a taxa de juros terminal por ora em 9,25%.

O Santander Brasil avalia que, no mínimo, o Copom vai endurecer o tom do comunicado da decisão prevista para a semana que vem, mas que há chances de ritmo maior de alta do juro ainda neste ano.

“Ainda não temos sacramentado o que será feito do fiscal, qual será a decisão do governo. Então achamos que o BC pode preferir esperar antes de acelerar o passo de alta dos juros. Mas talvez o BC faça o reconhecimento no comunicado de que os fatores de risco pioraram da última reunião para cá”, disse Mauricio Oreng, economista do banco privado.

O Santander ainda estima juro de 9% ao término do ciclo de alta, com dois aumentos seguidos de 100 pontos-base e um último de 75 pontos-base.

“O que está cada vez mais claro é que o orçamento total da elevação da Selic provavelmente será bem maior. Existe uma chance grande de, em nossa próxima revisão, termos Selic de duplo dígito”, informou.

“Não dá nem mais para chamar esse juro acima de 10% de cenário alternativo. É o que está virando cenário-base mesmo. Talvez a aceleração (da alta de juros) pelo BC ocorra em dezembro”, finalizou.

O economista Mauricio Nakahodo, do grupo financeiro MUFG, ainda considera cedo para se falar em Selic de dois dígitos, mas admite que a taxa terminal deverá ficar bem acima dos 8,5% previstos pela casa atualmente.

“Entre 9% e 10% seria um cenário mais possível do que no mês passado”, afirmou. Com juro tão mais alto, o risco também é que o crescimento econômico em 2022 fique bem abaixo de 1%, que já seria aquém da taxa de 1,7% estimada atualmente pelo MUFG.

Nakahodo também avalia que “certamente” o Bacen será mais duro na comunicação da próxima quarta-feira, já que o risco fiscal adicional vai deteriorar o balanço de riscos para a inflação.

Bolsonaro diz que 750 mil caminhoneiros vão receber ajuda para compensar alta do diesel (15h48)

Em meio ao retorno de ameaças de greve de caminhoneiros em razão da alta dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta que o governo vai oferecer a cerca de 750 mil caminhoneiros autônomos uma ajuda para compensar o aumento do preço do diesel.

“Fazemos isso porque é através deles que as mercadorias e os alimentos chegam nos quatro cantos do país”, justificou o presidente logo em seguida, em discurso no evento de inauguração do Ramal do Agreste, no interior de Pernambuco.

Bolsonaro não deu detalhes da medida, dizendo apenas que nos momentos difíceis o governo não vai deixar ninguém para trás. Ele reconheceu o alto preço dos combustíveis, mas ressalvou que uma parte considerável do insumo consumido no Brasil é importada e “temos que pagar o preço deles lá de fora”.

Risco-Brasil bate máxima em seis meses com mercados em pânico por fiscal (15h11)

Uma medida do risco-país subiu nesta quinta ao maior nível em mais de seis meses, num dia de forte turbulência nos mercados financeiros brasileiros diante do pavor de descontrole das contas públicas.

O CDS de cinco anos do Brasil bateu 211,200 pontos-base, ante 210,710 pontos-base da véspera, indo ao patamar mais alto desde 14 de abril (214,27 pontos-base).

O CDS é um derivativo que funciona como uma espécie de seguro contra calote de uma dívida –seja soberana ou corporativa– e tem precificação baseada no risco de base dos Treasuries, os títulos do governo dos EUA, considerados o ativo mais seguro do mundo.

O dólar futuro já beira 5,70 reais, as taxas dos contratos futuros de juros negociados na B3 saltavam até 90 pontos-base e o Ibovespa afundava 4,6%, com o mercado descontando nos preços uma acentuada deterioração na percepção de risco fiscal conforme o governo busca furar o teto de gastos, o que, para investidores, coloca em risco a trajetória da dívida pública.

Governo acerta mudança no teto de gastos que abrirá espaço de R$ 83,6 bi em 2022 (14h46)

O governo Jair Bolsonaro acertou uma mudança no teto de gastos que vai abrir um espaço de R$ 83,6 bilhões para despesas adicionais em 2022, ano em que o presidente da República buscará sua reeleição. O acordo foi fechado na manhã desta quinta-feira, 21, entre as alas política e econômica do governo, após dias de embates para viabilizar o pagamento de R$ 400 aos beneficiários do Auxílio Brasil determinado por Bolsonaro.

A proposta que está na mesa e que deve ser validada com o presidente é mudar a fórmula do teto, que hoje é corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até junho do ano anterior ao de sua vigência.

A ideia é adotar a correção da inflação de janeiro a dezembro. Só essa mudança proporcionaria uma folga extra de R$ 40 bilhões, segundo fontes ouvidas pela reportagem do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Aliada à limitação do pagamento de precatórios (dívidas judiciais), que já era uma medida apresentada pela equipe econômica ao Congresso Nacional, o espaço total em 2022 ficará em R$ 83,6 bilhões.

É esse espaço que Bolsonaro terá para acomodar os R$ 51,1 bilhões de gastos adicionais com as mudanças no Auxílio Brasil (reajuste permanente de 20% mais a parcela temporária para chegar aos R$ 400) e também gastos com emendas parlamentares, preciosas para congressistas que também buscarão novo mandato em 2022.

A mudança de correção entrou na mesa de negociação diante da preocupação de parte do governo com a narrativa de furo no teto de gastos, da qual o governo queria se descolar. Na quarta-feira, no Ceará, após confirmar o pagamento dos R$ 400, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer que não haveria furo no teto.

“Temos a responsabilidade de fazer com que recursos saiam do Orçamento da União, ninguém vai furar teto, ninguém vai fazer nenhuma estripulia no Orçamento. Mas seria extremamente injusto deixar 17 milhões de pessoas com valor tão pouco (sic) no Bolsa Família”, afirmou Bolsonaro.

Um técnico experiente ouvido pela reportagem alerta, porém, que o “malabarismo retórico” em torno de furar ou não o teto não será suficiente para aplacar o temor do mercado financeiro com as mudanças. Nesta manhã, o dólar chegou a quase R$ 5,70 na abertura, embora tenha arrefecido na hora seguinte.

Novas reuniões na manhã desta quinta-feira foram decisivas para bater o martelo em torno da proposta final, que deverá ser incorporada pelo deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) em seu parecer da PEC dos precatórios.

A equipe econômica não tinha simpatia pela proposta de mudar a correção do teto, vista como um “jeitinho que não ajuda”. A aposta dessa ala era na “licença para gastar”, com um limite de R$ 30 bilhões. Mas a equipe acabou concordando com a nova proposta de mudar a correção.

Nas últimas horas, a mudança no teto também foi tratada com integrantes da cúpula do Congresso Nacional e representantes do Palácio do Planalto, além do próprio relator da PEC, deputado Hugo Motta.

Ações europeias devolvem boa parte das perdas e fecham perto de máximas em seis semanas (14h25)

As ações europeias se estabilizaram perto de máximas em seis semanas nesta quinta-feira, com a compra de ações defensivas e de crescimento ajudando a compensar perdas nas mineradoras e previsões decepcionantes em balanços de algumas empresas, como da gigante de softwares SAP.

O sentimento também foi moderado por preocupações renovadas sobre o setor imobiliário da China, após colapso de uma venda de ativos de 2,6 bilhões de dólares da endividada incorporadora China Evergrande.

Depois de chegar a cair até 0,6%, o índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,1%, a 469,71 pontos.

As mineradoras europeias, que têm grande exposição à China, caíram 3%. As ações da Anglo American listadas no Reino Unido perderam 2,7%, embora a companhia tenha reportado um aumento de 2% na produção geral no terceiro trimestre.

“As ações de mineração não conseguiram superar as preocupações dos investidores provocadas por mais uma reviravolta na saga da Evergrande”, disse Danni Hewson, analista financeira da AJ Bell.

Dados divulgados nesta quarta-feira mostraram que a confiança do consumidor da zona do euro caiu 0,8 ponto em outubro em relação setembro.

A empresa de tecnologia mais valiosa da Europa, a SAP, caiu 3,2% e foi a maior colaboração para a queda do STOXX 600, apesar de resultados positivos do terceiro trimestre, uma vez que os operadores não ficaram impressionados com as perspectivas da empresa, especialmente sua previsão de licenciamento.

Setores defensivos, como de bens pessoais e domésticos, subiram 0,8% devido aos resultados do terceiro trimestre melhores do que o esperado da Unilever.

  • Em Londres, o índice Financial Times recuou 0,45%, a 7.190,30 pontos;
  • Em Frankfurt, o índice DAX caiu 0,32%, a 15.472,56 pontos;
  • Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 0,29%, a 6.686,17 pontos;
  • Em Milão, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 0,21%, a 26.525,15 pontos;
  • Em Madri, o índice Ibex-35 registrou baixa de 0,82%, a 8.944,30 pontos;
  • Em Lisboa, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,54%, a 5.730,84 pontos.

Ações da Vale e de siderúrgicas caem mais de 3% com queda no preço do minério de ferro (12h24)

As ações da Vale e das siderúrgicas caem mais de 3% nesta quinta-feira (21), influenciado pela queda no preço do minério de ferro e pelo mau humor do mercado.

A maior queda vem da CSN, com os papéis caindo 3,56%. Em seguida, aparece a Vale, com queda de 3,52%, empresa com grande peso no índice Ibovespa. Os papéis da Gerdau caem 2,63%.

No Brasil, os investidores seguem temerosos sobre o rompimento do teto de gastos, depois do ministro da Economia, Paulo Guedes, sinalizar que existe a possibilidade disso acontecer para custear o Auxílio Brasil. Hoje, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o teto não será rompido.

Outros papéis que estão sofrendo no pregão de hoje são relacionados a empresas de tecnologia, influenciados pela alta da curva de juros futuros. Como essas empresas precisam de empréstimos para alavancar o crescimento, acabam sendo negativamente impactadas em momentos de alta de juros, que encarecem o crédito.

As units da Getnet caem 5,87% e as do Banco Inter, 6,36%. Já as ações preferenciais do Inter (BIDI4) têm queda de 5,96%. Méliuz cai 2,35%.

Bolsonaro repete que governo não furará teto com auxílio, apesar de Guedes admitir manobra (11h49)

Horas depois do ministro da Economia, Paulo Guedes, ter admitido formas de “contornar” o teto de gastos para permitir o pagamento de um benefício social de R$ 400, o presidente Jair Bolsonaro reiterou nesta quinta que “ninguém está furando o teto”, ao mesmo tempo que voltou a prometer o aumento do valor pago “com responsabilidade”.

Em fala na noite de quarta, Guedes apresentou duas possibilidades para que se abra espaço no Orçamento para cumprir o que pede Bolsonaro: uma revisão antecipada do teto de gastos, que estava prevista apenas para quando a medida chegasse a 10 anos, em 2026, ou um “waiver” –uma licença para gastar fora do teto– de 30 bilhões de reais para cobrir a despesa até o final de 2022.

Nenhuma das duas opções agradou ao mercado financeiro. A declaração de Bolsonaro foi dada durante evento para inauguração de obra no interior da Paraíba, no qual ele fez um discurso em que reconheceu que a economia brasileira vive um momento difícil, ao mesmo tempo que fez a avaliação de que a economia do país é uma das que menos sofrem no mundo no final da pandemia de Covid-19.

Embraer entrega 30 jatos no 3º tri, tem US$16,8 bi em pedidos firmes (9h20)

A Embraer informou nesta quinta que entregou 30 jatos no terceiro trimestre, sendo nove comerciais e 21 executivos (14 leves e sete grandes).

A fabricante brasileira afirmou que no final de setembro tinha uma carteira de pedidos firmes de 16,8 bilhões de dólares, representando 1.655 aeronaves.

Ativos brasileiros despencam no exterior após falas de Guedes na véspera (8h38)

Os ativos brasileiros negociados nos mercados externos despencavam na manhã desta quinta-feira, replicando a má reação das praças domésticas já na reta final da sessão anterior a declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre despesas fora do teto de gastos.

Contratos de real transacionados na Bolsa Mercantil de Chicado (CME) caíam 1,4%, com 1 dólar valendo 5,6306 reais. Em Paris, um ETF que acompanha o Ibovespa perdia 3,4%, maior queda desde o início de setembro e para o menor patamar desde março passado.

Os preços aqui no Brasil já haviam mostrado sinais de estresse no fim da sessão de quarta, após o ministro Paulo Guedes dizer que o governo avalia se o benefício temporário que irá vitaminar o novo Bolsa Família será pago fora do teto, o que demandaria uma licença para um gasto de cerca de 30 bilhões de reais, ou se haverá opção por uma mudança na regra constitucional do teto de gastos para acomodá-lo.

O dólar spot fechou longe das mínimas do dia, e o dólar futuro voltou a superar os 5,60 reais. O Ibovespa também fechou a uma distância da máxima da sessão.

Mineradoras e fracos balanços pressionam ações europeias (8h36)

As ações europeias recuavam de máximas em seis semanas nesta quinta-feira, com mineradoras liderando as quedas devido a novas preocupações sobre o setor imobiliário da China, enquanto atualizações trimestrais mistas de empresas reduziam o apetite por risco.

O mercado caía após o colapso de uma venda de ativos de 2,6 bilhões de dólares do China Evergrande Group.

As mineradoras europeias, que têm grande exposição à China, caíam 2,5%. As ações da Anglo American listadas no Reino Unido perdiam 3,7%, embora a companhia tenha reportado um aumento de 2% na produção geral no terceiro trimestre.

  • O índice pan-europeu STOXX 600 tinha queda de 0,19%, a 469,20 pontos;
  • Em Londres, o índice Financial Times recuava 0,49%, a 7.187,83 pontos;
  • Em Frankfurt, o índice DAX subia 0,02%, a 15.525,66 pontos;
  • Em Paris, o índice CAC-40 perdia 0,37%, a 6.680,93 pontos;
  • Em Milão, o índice Ftse/Mib tinha desvalorização de 0,25%, a 26.515,42 pontos;
  • Em Madri, o índice Ibex-35 registrava baixa de 0,86%, a 8.940,70 pontos;
  • Em Lisboa, o índice PSI20 desvalorizava-se 0,77%, a 5.717,67 pontos.

Bolsas da Ásia fecham majoritariamente em baixa, com Evergrande de volta ao radar (8h07)

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, 21, à medida que a endividada gigante do setor imobiliário chinês Evergrande voltou ao radar, ao fracassar na venda de uma fatia em uma de suas subsidiárias. Na quarta-feira, a Evergrande informou que não conseguiu fechar a venda de 50,1% de sua unidade Evergrande Property Services, num acordo que renderia cerca de US$ 2,6 bilhões e ajudaria a empresa a evitar um calote.

Em Hong Kong, a ação da Evergrande sofreu um tombo de 12,54% hoje, voltando a ser negociada depois de uma paralisação que durou mais de duas semanas. O papel da Evergrande Property Services, por sua vez, teve queda de 8,01%. Já o índice Hang Seng encerrou o pregão em Hong Kong com baixa de 0,45%, a 26.017,53 pontos.

Em outras partes da Ásia, o Nikkei caiu 1,87% em Tóquio, a 28.708,58 pontos, em meio a dúvidas sobre as futuras políticas do novo primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, enquanto o sul-coreano Kospi registrou perda de 0,19% em Seul, a 3.007,33 pontos, e o Taiex ficou praticamente estável em Taiwan, com alta marginal de 0,01%, a 16.889,51 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve modesto ganho de 0,22%, a 3.594,78 pontos, mas o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,16%, a 2.416,18 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou o dia perto da estabilidade, com ligeira alta de 0,02% do S&P/ASX 200, a 7.415,40 pontos. Com informações da Dow Jones Newswires.

(Com Reuters e Agência Estado)

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