Atualizado às 19h25

O Ibovespa teve leve alta nesta sexta-feira, resistindo à queda forte das bolsas norte-americanas, depois que uma retração surpreendente na produção industrial do Brasil em outubro aliviou perspectivas de altas mais intensas nos juros. O índice subiu 0,58%, a 105.070 pontos, maior avanço semanal desde a primeira semana de junho.

O índice também foi beneficiado pela manutenção do clima positivo depois da aprovação da PEC dos Precatórios no Senado, na véspera, quando marcou maior alta desde maio de 2020.

A empresa de cashback Méliuz disparou mais de 30% e foi a maior contribuição positiva para o índice. Do outro lado ficaram Marfrig e JBS, após o Bradesco BBI rebaixar a recomendação para as ações de ambas.

O Ibovespa abriu em alta, refletindo o resultado da produção industrial brasileira, e ampliou o movimento após dado do mercado de trabalho abaixo do esperado nos EUA. As bolsas norte-americanas, no entanto, viraram e afundaram em seguida, o que levou o índice local a perder grande parte dos ganhos.

A produção industrial do Brasil registrou queda de 0,6% em outubro na base sequencial, disse o IBGE, ante expectativas em pesquisa da Reuters com economistas de alta de 0,6%. O dado veio na esteira de queda marginal do PIB do país no terceiro trimestre, divulgado no dia anterior.

“O resultado da produção industrial confirma o cenário que temos de estagnação da atividade econômica no quarto trimestre já apontada por diversos indicadores coincidentes”, escreveram economistas do Banco Fibra, liderados por Cristiano Oliveira.

O indicador ajudou as taxas de juros futuros a recuarem – cerca de 30 pontos para os contratos médios -, com a leitura de que a atividade econômica mais fraca diminui a chance de altas mais intensas da Selic, movimento que ajudou o Ibovespa. A última decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central no ano ocorre na semana que vem.

Investidores seguiram otimistas com a aprovação da PEC dos Precatórios no Senado. A decisão sobre uma promulgação de partes da PEC aprovadas pelas duas Casas do Congresso, o fatiamento, só deve ocorrer na próxima segunda-feira, informaram duas fontes que acompanham de perto as discussões à Reuters.

No exterior, o Nasdaq desabou quase 2% e o S&P 500 caiu 0,84%, após dados mistos de macroeconomia e em meio à volatilidade recente das bolsas globais – grande parte por conta das incertezas com a variante ômicron.

Os EUA registraram a criação de 210 mil postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, informou o Departamento do Trabalho em seu relatório de empregos, menos da metade do que os economistas esperavam. Do outro lado, a taxa de desemprego caiu para 4,2% e os rendimentos por hora aumentaram.

Dados de emprego dos EUA vêm sendo monitorados pelos investidores, dado sua importância para a decisão do Federal Reserve (Fed) de acelerar o ritmo da retirada de estímulos – o que tem efeito na liquidez global. O presidente do Fed, Jerome Powell, durante a semana indicou que a instituição deve elevar o ritmo da diminuição das compras mensais de títulos.

O relatório do mercado de trabalho desta sexta-feira “não faz nada para desviar o Fed de uma redução mais rápida (de estímulos)”, disse Sameer Samana, estrategista sênior de mercado global do Wells Fargo Investment Institute.

O dólar fechou em alta nesta sexta-feira, perto de R$ 5,68 e na máxima desde abril, alavancado por um movimento global de busca por segurança que dominou os mercados nesta sessão e minou várias classes de ativos de risco, como ações e moedas emergentes.

Temores sobre efeitos potenciais da variante Ômicron do coronavírus sobre a economia global, dados abaixo do esperado do mercado de trabalho norte-americano e um tom persistentemente duro de membros do banco central dos EUA acerca da inflação alta compuseram um quadro que forçou nova liquidação de ativos de risco no mundo ao fim de uma das mais voláteis semanas dos últimos meses.

Nesse contexto, o dólar, considerado porto seguro, valorizou-se. Aqui, a moeda negociada no mercado à vista fechou em alta de 0,34%, a R$ 5,6785, maior valor desde 13 de abril passado (R$ 5,7175).

O dólar subiu menos no Brasil do que contra alguns pares nesta sexta, com o mercado doméstico ainda surfando na aprovação da PEC dos Precatórios pelo Senado na véspera, o que concluiu pelo menos um capítulo da novela fiscal.

Mas ainda assim as compras da moeda norte-americana prevaleceram por aqui, num dia em que divisas emergentes e/ou correlacionadas às commodities lideraram as perdas globais nos mercados de câmbio, enquanto iene e franco suíço –também considerados ativos seguros– ganharam terreno.

Wall Street afundava até 2,4%, variação incomum para os padrões locais, com investidores incertos sobre os planos do banco central dos EUA de acelerar o processo de redução de estímulos num momento em que a pandemia volta a ganhar força e o mercado de trabalho dos EUA emite sinais confusos.

Um índice de moedas emergentes caía 0,3% nesta sexta e estava a caminho de fechar numa mínima desde pelo menos junho de 2010.

“Vejo o pano de fundo, no geral, como mais instável e desafiador para os ativos de risco”, disse Dan Kawa, diretor de investimentos e sócio da TAG Investimentos, que listou pontos como nova onda pandêmica na Europa e África (com piora nos EUA), preços de energia na Europa elevados e ausência de sinais de recuperação sustentável na China.

No Brasil, os temas fiscais seguem como fiel da balança, mas a próxima semana será forte em dados de inflação, com destaque para o IPCA de novembro – a ser divulgado na sexta, dois dias depois da decisão de política monetária do Banco Central.

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve aumentar a taxa básica de juros em 1,50 ponto percentual na próxima quarta-feira, em face de persistentes preocupações fiscais, e provavelmente reconhecerá a ameaça representada pela variante Ômicron da Covid-19, mostrou uma pesquisa da Reuters. O juro básico está em 7,75% ao ano.

Méliuz tem maior disparada desde que começou a ser vendida na Bolsa: +31% (19h20)

Méliuz disparou 31%, a maior alta do Ibovespa e também da história de seu papel (que estreou em 2020), após a empresa registrar GMV recorde para novembro, de R$ 932 milhões, alta de 87% ante o mesmo período de 2020. O Itaú BBA considerou que o número sugere uma performance relativamente positiva da empresa na Black Friday e acrescentou que os resultados devem diminuir preocupações sobre o desempenho da Méliuz no período promocional.

Marfrig cedeu 5,7% e JBS  caiu 4,8%, em reação a relatório do Bradesco BBI, que rebaixou a recomendação para os papéis de ambas as companhias para ‘neutro’ por conta da perspectiva de deterioração das margens do setor nos Estados Unidos, onde ela tem operações-chave.

Banco Inter Unit perdeu força durante o dia fechou estável e PN caiu 1%, após companhia anunciar a interrupção, por enquanto, de seu plano de listagem nos EUA. A medida foi tomada depois que os pedidos de direito de resgate pelos acionistas na operação de reorganização societária ultrapassaram a marca dos R$ 2 bilhões. Em comunicado paralelo, a empresa disse que continuará trabalhando para dar continuidade à reorganização.

Vale caiu 2,2%, Usiminas cedeu 1,4%, CSN recuou 1,2% e Gerdau subiu 0,7%, após os contratos futuros do minério de ferro na China caírem, conforme a produção nas siderúrgicas continua lenta em meio às restrições do governo.

Locaweb disparou 8,6% e Banco Pan subiu 5%.

Cyrela teve alta de 7,4%, enquanto Eztec e MRV avançaram 5,3% cada, em nova sessão de alta para o setor de construção. Índice imobiliário da B3 é o mais descontado entre os pares setoriais no ano.

Aumento da produção da Opep+ fortalece visão altista do Goldman para petróleo (9h59)

O Goldman Sachs disse que os atuais níveis de preços do petróleo oferecem oportunidades “atraentes” para os investidores se reposicionarem em um mercado em estrutura altista, e a decisão da Opep+ de aumentar a produção só apoia essa visão otimista para as cotações.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, incluindo a Rússia, concordou na quinta-feira em manter sua política de aumento mensal da produção de petróleo.

“O crescimento mais lento da produção de petróleo não convencional (“shale”) virá às custas de uma normalização mais rápida na capacidade extra da Opep, o que ficaria particularmente altista se nenhum acordo com o Irã for fechado em 2022″, disse o banco em nota datada de quinta-feira.

A decisão acrescenta tendência de alta à previsão do Brent de 85 dólares por barril (bbl) para 2023, acrescentou o banco.

Os analistas do Morgan Stanley também disseram que a decisão da Opep+ suavizou seus balanços estimados do mercado de petróleo para o primeiro semestre de 2022, mas destacaram que o mercado provavelmente voltará a ficar com oferta baixa e os estoques serão reduzidos de meados de 2022 em diante.

“Provavelmente levará algum tempo para o mercado de petróleo encontrar seu equilíbrio novamente”, advertiram analistas do Morgan Stanley em uma nota de pesquisa datada de quinta-feira.

Os preços do petróleo subiam na sexta-feira, estendendo os ganhos depois que a Opep+ disse que revisaria as adições de oferta antes de sua próxima reunião programada se a variante do coronavírus Ômicron diminuir a demanda.

Goldman disse que os preços do petróleo precisarão de mais informações sobre a virulência da Ômicron para se recuperar no curto prazo e evidências de um mercado físico apertado para um retorno acima de 80 dólares/bbl, na ausência de aumento do apetite ao risco.

“Os preços mais baixos, que agora devem persistir nas próximas semanas, podem reduzir a urgência em chegar a um acordo com o Irã, que forneceria barris adicionais para ajudar a lidar com um mercado de petróleo apertado”, acrescentou o banco.

Taxas futuras de juros caem após frustração com queda da produção industrial (9h53)

A sexta-feira começa com queda firme dos juros futuros diante da decepção com a queda de 0,6% da produção industrial de outubro ante setembro, contrariando a expectativa de mediana de alta de 0,7% e praticamente no piso estimado (-0,7%).

Além disso, há incertezas sobre o impacto da variante Ômicron do coronavírus na economia global. Às 9h36, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 caía para 11,44%, de 11,59% no ajuste de quinta-feira. O DI para janeiro de 2025 recuava para 11,13%, de 11,26%, e o para janeiro de 2027 caía para 11,12%, de 11,27% no ajuste anterior.

Produção industrial recua 0,6% e tem quinta queda seguida em outubro (9h01)

A produção industrial brasileira caiu 0,6% em outubro, na comparação com setembro, na quinta retração mensal consecutiva, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que esperavam crescimento de 1,3%.
O recuo de outubro alcançou três das quatro das grandes categorias econômicas e 19 dos 26 ramos pesquisados.

“Mais do que o resultado do mês em si, chama atenção a própria sequência de resultados negativos, cinco meses de quedas consecutivas na produção, período em que acumula retração de 3,7%. A cada mês que a produção industrial vai recuando, se afasta mais do período pré-pandemia. Nesse momento, está 4,1% abaixo do patamar de fevereiro de 2020”, analisa André Macedo, gerente da pesquisa.

Empregadores dos EUA devem ter intensificado criação de vagas em novembro (7h34)

Os empregadores dos Estados Unidos provavelmente intensificaram as contratações em novembro uma vez que buscavam atender à forte demanda por bens e serviços, dando impulso à economia, embora a escassez de trabalhadores continue sendo um desafio.

O relatório de emprego do Departamento do Trabalho a ser divulgado nesta sexta-feira deve mostrar um rápido aperto do mercado de trabalho, a taxa de desemprego caindo à mínima de 20 meses de 4,5% e os salários aumentando mais.

Ele será divulgado dias depois de o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, ter dito a parlamentares que o banco central dos EUA deve avaliar a aceleração da redução de suas compras de títulos na reunião de 14 e 15 de dezembro.

Pesquisa da Reuters aponta que provavelmente foram criadas 550 mil vagas no mês passado depois de abertura de 531 mil em outubro. Isso deixaria o emprego 3,7 milhões de postos de trabalho abaixo de seu pico de fevereiro de 2020.

As estimativas variaram 306 mil a 800 mil postos de trabalho.

Bolsas da Ásia fecham a maioria em alta, mas Hong Kong cai após anúncio da Didi (7h22)

As bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em alta nesta sexta-feira, 3, terminando em tom positivo uma semana marcada por turbulências em meio ao avanço da variante Ômicron do coronavírus. Os negócios em Hong Kong, no entanto, se desvalorizaram, depois que a chinesa Didi anunciou que fechará capital em Nova York.

Menos de seis meses após uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) que levantou cerca de US$ 4,4 bilhões, a gigante de compartilhamento de carros, dona da 99, se curvou à pressão do governo da China e confirmou que listará suas ações no território semiautônomo. O caso ilustra os desafios do setor de tecnologia em manter capital aberto no Ocidente em meio ao cerco de Pequim.

Nesse cenário, o índice Hang Seng, referência na Bolsa de Hong Kong, encerrou a sessão em queda de 0,09%, a 23.766,69 pontos. Os papéis de empresas com listagem dupla emergiram como destaque negativo, entre elas Alibaba (-3,51%) e JD.com (-5,73%).

Em Taiwan, o Taiex recuou 0,16%, a 17.697,14 pontos.

No restante do continente, o clima foi positivo nas mesas de operações, após a volatilidade deflagrada pela Ômicron. A Bolsa de Xangai subiu 0,94%, a 3.607,43 pontos, enquanto a de Shenzhen, menos abrangente, se elevou 0,71%, a 2.526,38 pontos.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços da China caiu de 53,8 em outubro a 52,1 em novembro, segundo pesquisa divulgada pela IHS Markit e Caixin.

No Japão, o PMI composto avançou de 50,7 a 53,3 na mesma base comparativa, conforme divulgado ontem à noite. Assim, no fechamento, o índice Nikkei ganhou 1,00%, a 28.029,57 pontos, na máxima do dia, em Tóquio.

Na Coreia do Sul, o Kospi registrou ganho de 0,78%, a 2.968,33 pontos, em Seul. O setor financeira operou na dianteira do mercado sul-coreano, com destaque para Shinhan Financial (+2,92%) e KB Financial (+3,64%).

Na Oceania, o S&P/ASX 200, de Sydney, aumentou 0,22%, a 7.241,20 pontos, também em recuperação após as perdas da véspera.

(Com Reuters e Agência Estado)

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