Atualizado às 17h54

O Ibovespa fechou esta segunda-feira perto da estabilidade, com o pessimismo pelo crescimento econômico decepcionante da China sendo parcialmente compensado pela influência positiva de Wall Street com previsões animadoras para resultados trimestrais de grandes companhias dos Estados Unidos. Após oscilar entre 112.800 e quase 115 mil pontos, o índice fechou a sessão em queda de 0,19%, aos 114.428,18 pontos.

O apetite do investidor por risco se esvaziou pela manhã, após a China revelar que economia cresceu 4,9% de julho a setembro, menor do que a taxa de 5,1% esperada por analistas e com desaceleração ante a alta de 7,9% no segundo trimestre.

Ações de companhias brasileiras exportadoras de commodities para aquele mercado, especialmente das ligadas a metais, estiveram entre os destaques negativos na sessão. E ações que vinham experimentando recuperação, como as ligadas a consumo, de construtoras e do setor aéreo, foram alvos de realização de lucros.

Em contrapartida, papéis de grandes instituições financeiras tiveram uma sessão majoritariamente positiva, com destaques para Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco, sendo alvos preferenciais de compra por parte de investidores estrangeiros, segundo profissionais do mercado.

A sessão também foi marcada por anúncios corporativos, como dos planos de Americanas e Lojas Americanas para antecipar uma fusão, quanto pela estreia das ações da Getnet, braço de pagamentos do Santander.

Quais foram os destaques do pregão? Lojas Americanas deu um salto de 20,7% e Americanas subiu 4,3%. As companhias anunciaram pela manhã que avaliam fundir suas operações antes de uma planejada listagem do grupo na Nasdaq. Em nota a clientes, o Bradesco BBI avaliou que a fusão melhora a governança por ter apenas uma classe de ações e simplifica a estrutura, já que Lojas Americanas provavelmente será extinta como holding.

Getnet disparou 63,6% na estreia da empresa de pagamentos do Santander. A unit do Santander Brasil teve alta de 0,36%.

Banco do Brasil cresceu 2%, Bradesco teve apreciação de 1,7% e Itaú ganhou 0,7%, com os grandes bancos sendo os preferidos por investidores estrangeiros.

Fleury ganhou 0,9%, após anunciar que acertou a compra do rival menor Marcelo Magalhães, de Pernambuco, numa operação avaliada em 384,5 milhões de reais. Em nota, o Credit Suisse considerou alto o valor pago pelo negócio, o que exigirá sinergias significativas como compensação.

GPA caiu 6,5%, dispersando parte dos ganhos robustos que teve na última sexta-feira, após o anúncio de que vendeu lojas Hiper Extra para o Assaí, que perdeu 3,3%.

CSN caiu 4,1%, Usiminas teve baixa de 3% e Vale perdeu 0,9%, com o setor doméstico ligado a commodities metálicas refletindo mais diretamente a decepção do mercado com o crescimento econômico da China abaixo das expectativas.

Hapvida recuou 3,15%, mesmo após o grupo hospitalar ter anunciado na noite de sexta-feira um programa de recompra de até 100 milhões de ações em 18 meses.

Eztec encolheu 3%. A construtora anunciou na noite de sexta-feira que teve R$ 255 milhões em vendas no terceiro trimestre, queda de 23,6% ano a ano. O BTG Pactual manteve recomendação de compra para a ação, mesmo admitindo que o cenário de curto prazo possa ser desafiador.

E o dólar? A moeda norte-americana fechou em forte alta contra o real nesta segunda-feira, mesmo depois de o Banco Central irrigar o mercado de câmbio com US$ 1,2 bilhão por meio de venda líquida de contratos de swap cambial tradicional, em meio a riscos que vão da inflação global às incertezas fiscais domésticas. O dólar à vista teve alta de 1,22%, a R$ 5,5208 na venda.

Apesar de o BC estar marcando presença nos mercados nas últimas sessões, especialistas apontam que suas intervenções não alteram tendências estruturais do câmbio.

“A atuação do Banco Central não muda tendência da moeda; se muda, é apenas no curtíssimo prazo. O que o BC pode fazer é segurar a volatilidade” e evitar que o dólar suba fora de controle, disse Marcos Weigt, chefe de tesouraria do Travelex Bank.

Para Sidnei Nehme, economista e diretor executivo da NGO Corretora, tem faltado “proatividade” ao BC nas intervenções cambiais e no combate à inflação elevada, de forma que as atuações da autarquia causam “ruídos e pequenas repercussões, mas não alteram o status quo e nem a tendência”.

“Não acreditamos que ocorra mudança substantiva no comportamento do câmbio”, alertou Nehme em nota, prevendo manutenção da volatilidade em meio a riscos que vão da ameaça de greve dos caminhoneiros no Brasil à desaceleração econômica da China.

Dados recentes mostraram que a segunda maior economia do mundo – que também é a maior parceira comercial do Brasil – registrou seu ritmo de crescimento mais lento em um ano no terceiro trimestre, notícia que vem em meio a preocupação internacional com a alta dos preços.

Com apostas crescentes de que a inflação se mostrará mais persistente do que o imaginado inicialmente pelos principais bancos centrais, possivelmente forçando o Federal Reserve a antecipar seu cronograma para aumento dos custos dos empréstimos, os rendimentos dos títulos norte-americanos subiram bastante em pouco tempo, ressaltou Weigt, do Travelex.

Depois de tocar 1,21% em agosto, mínima em seis meses, o rendimento do Treasury de dez anos chegou a superar 1,60% recentemente. A perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos tende a beneficiar o dólar.

Daqui em diante, disse Weigt, o que faria o dólar assumir tendência de queda e devolver alguns desses ganhos ante o real seria uma redução das tensões fiscais domésticas, como, por exemplo, com uma solução positiva para a conta de precatórios para 2022 ou a acomodação do Auxílio Brasil dentro do teto de gastos. “Isso, sim, nos ajudaria a falar em uma taxa de câmbio mais próxima dos R$ 5. O que tem poder de mudar direção do dólar é o fundamento do Brasil e o ambiente externo”, não intervenções pontuais do Banco Central.

Dólar poderia cair 3,5% com resolução orçamentária, mas fator “residual” atrapalha câmbio, diz Barclays (17h10)

O dólar poderia cair até 3,5% ante o real no caso de uma “resolução satisfatória” para questões de curto prazo do Orçamento, como a possível votação nesta semana da PEC dos precatórios na Câmara, disseram profissionais do Barclays em nota nesta segunda-feira.

Segundo cálculos, essa seria a contribuição do fator local à performance fraca da taxa de câmbio entre agosto e a primeira metade de setembro, o que os profissionais entendem como uma reação à incerteza político-fiscal doméstica.

“Uma resolução das questões orçamentárias de curto prazo (precatórios, expansão de programas sociais, etc.) poderia permitir que parte desse prêmio de risco fosse eliminada”, disseram.

O que se considera como a última parcela do auxílio emergencial está sendo paga neste mês, aumentando a pressão sobre o Executivo acerca de uma extensão do benefício ou da instituição de um Bolsa Família turbinado, que se chamaria Auxílio Brasil.

Desde a segunda quinzena de setembro, porém, outros fatores têm se tornado mais determinantes na formação do preço da taxa de câmbio, com o componente internacional mais presente depois da reunião de política monetária do banco central dos EUA, disse o Barclays.

Mas um elemento “residual” (não capturado pelo modelo do banco) começou a ter mais influência no sentido de elevar o dólar nas últimas semanas, disseram os profissionais, para quem as intervenções do Banco Central no câmbio foram ditadas em parte pelo desempenho pior do real, que não estaria correlacionado a outros fatores.

Segundo o Barclays, o aumento desse componente residual pode estar relacionado ao recente rali nos preços globais de energia e às discussões na seara política para reduzir a volatilidade dos preços locais dos combustíveis.

“Não esperamos que o (fator) residual seja corrigido de forma significativa com uma resolução da incerteza orçamentária, visto que seu aumento recente parece um tanto desconectado da discussão fiscal principal.”

Ações europeias fecham em queda, com dados fracos do PIB da China (16h17)

As ações europeias fecharam em queda nesta segunda, após dados de crescimento mais fraco que o esperado da China golpearem papéis de empresas do setor de luxo, enquanto um aumento implacável nos preços das commodities alimentou temores sobre uma espiral de inflação.

O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,5%, depois de um início otimista da temporada de balanços trimestrais ter garantido na sexta-feira seu desempenho semanal mais forte desde março. O índice caiu após três sessões consecutivas de ganhos, quando acumulou alta de cerca de 2,7%.

As ações caíram globalmente depois de dados mostrarem que a economia da China registrou seu ritmo de crescimento mais lento em um ano no terceiro trimestre, prejudicada por cortes de energia, gargalos na cadeia de suprimentos e grandes perturbações no mercado imobiliário.

Expostas à China, as ações de luxo LVMH, Kering e Hermes caíram entre 1,4% e 2,4%, também prejudicadas pelo pedido do presidente chinês, Xi Jinping, para a expansão de um imposto sobre o consumo.

Mas analistas esperam que as empresas europeias reportem um salto de quase 47% nos lucros do terceiro trimestre, de acordo com dados do IBES, da Refinitiv. Esses números foram revisados ​​para cima nos últimos dias, ajudando o STOXX 600 a mirar seu recorde de agosto.

“Quando olhamos para as perspectivas nos próximos 12 meses, as avaliações podem cair um pouco, mas não o suficiente para compensar o movimento de alta que vemos nos lucros, e isso deve ser bastante positivo”, disse Michael Bell, estrategista de mercado global na JP Morgan Asset Management.

  • Em Londres, o índice Financial Times recuou 0,42%, a 7.203,83 pontos;
  • Em Frankfurt, o índice DAX caiu 0,72%, a 15.474,47 pontos;
  • Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 0,81%, a 6.673,10 pontos;
  • Em Milão, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 0,83%, a 26.268,62 pontos;
  • Em Madri, o índice Ibex-35 registrou baixa de 0,68%, a 8.936,00 pontos;
  • Em Lisboa, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,70%, a 5.619,21 pontos.

Commodities e construtoras encabeçam perdas do Ibovespa (13h40)

O apetite do investidor por risco se esvaziou com os dados econômicos negativos da China. Assim, ações de exportadoras brasileiras de commodities para aquele mercado, especialmente as ligadas a metais, são destaques negativos na sessão.

Os investidores aproveitam esse ambiente mais negativo para vender ações que vinham exibindo reação, como as de empresas ligadas a consumo doméstico, assim como de construtoras. Nesse sentido, dados operacionais decepcionantes da Eztec dão força à realização de lucros.

CSN cai 3,81%, Usiminas tem baixa de 3,62% e Vale perde 1,57%, com o setor doméstico ligado a commodities metálicas refletindo mais diretamente a decepção do mercado com o crescimento econômico da China abaixo das expectativas.

Eztec desaba 4,12%. A construtora anunciou na noite de sexta-feira que teve R$ 255 milhões em vendas no terceiro trimestre, queda de 23,6% ano a ano. No setor, Cyrela tem queda de 1,27%. O BTG Pactual manteve recomendação de compra para a ação, mesmo admitindo que o cenário de curto prazo possa ser desafiador.

Petrobras PN cai 0,54% e PetroRio perde 1,23%, em dia de alta das cotações internacionais do barril do petróleo, mas após um fim de semana em que entidades de caminhoneiros voltaram a ameaçar com greve nacional em protesto contra os preços dos combustíveis.

Na outra ponta, Lojas Americanas salta 21,85% e Americanas sobe 6,14%. As companhias anunciaram pela manhã que avaliam fundir suas operações antes de uma planejada listagem do grupo na Nasdaq. Em nota a clientes, o Bradesco BBI avaliou que a fusão melhora a governança por ter apenas uma classe de ações e simplifica a estrutura, já que Lojas Americanas provavelmente será extinta como holding.

Fleury sobe 1,59%, após anunciar que acertou a compra do rival menor Marcelo Magalhães, de Pernambuco, numa operação avaliada em R$ 384,5 milhões. Em nota, o Credit Suisse considerou alto o valor pago pelo negócio, o que exigirá sinergias significativas como compensação.

Ações da Americanas disparam com anúncio de fusão entre marcas antes de listagem nos EUA (10h55)

A Americanas e a Lojas Americanas anunciaram nesta segunda-feira (18) que avaliam fundir suas operações antes de uma listagem na bolsa americana Nasdaq, que está nos planos da companhia.

A notícia animou o mercado, que enfrenta um dia de maior aversão ao risco. Enquanto o Ibovespa cai, refletindo os dados fracos de crescimento da China e as projeções menos otimistas de crescimento brasileiro e inflação, as ações da Americanas disparavam mais de 10%.

Às 10h55, os papéis das Lojas Americanas (LAME4) subiam 11,68%. Já as ações da Americanas (AMER3) tinham alta de 1,01%.

Em fato relevante, as empresas disseram que “identificaram uma oportunidade reorganização societária anterior à listagem internacional, combinando no Brasil as respectivas bases acionárias das companhias no Novo Mercado”.

Mercado volta a deteriorar expectativas para economia brasileira (9h08)

O mercado financeiro voltou a deteriorar as estimativas para o desempenho da economia brasileira em 2022, além de 2021, enquanto tornou a elevar as projeções para a inflação nos dois anos, mostrou o relatório Focus do Banco Central nesta segunda-feira.

O prognóstico para o crescimento do PIB em 2022 caiu a 1,50%, de 1,54% na semana anterior, no segundo corte seguido de cenário. Para 2021, o número previsto recuou a 5,01%, de 5,04% na edição anterior da pesquisa.

Para o IPCA de 2022, a projeção foi a 4,18%, de 4,17% e na 13ª semana seguida de aumento. A estimativa de inflação ao consumidor para 2021 pulou de 8,59% para 8,69%, 28ª semana consecutiva de alta.

As projeções estão acima das respectivas metas de inflação para ambos os anos (3,75% para 2021 e 3,50% para 2022), e o Banco Central já indicou algumas vezes recentemente que está perseguindo o alvo de 2022 e que é possível alcançá-lo.

No caso dos números para o PIB, economistas vêm há algum tempo rebaixando as estimativas, incluindo nos cenários risco de agravamento da crise hídrica/energética e a inflação mais alta, que por sua vez afeta consumo e investimentos de forma geral.

A edição do relatório Focus divulgada nesta segunda-feira traz números colhidos na semana passada, período em que o Bacen se mostrou bastante ativo no mercado de câmbio. Com isso, o mercado estabilizou a estimativa para o dólar ao fim deste ano em R$ 5,25, depois de tê-la aumentado na semana anterior em relação ao prognóstico de R$ 5,20.

E nas contas dos investidores a moeda norte-americana se manterá em R$ 5,25 ao fim de 2022. As previsões apontam dólar em baixa, portanto, já que a divisa fechou a sexta-feira em R$ 5,4545.

PIB da China vem mais fraco do que o esperado e movimenta mercados (8h38)

Os mercados devem reagir ao resultado do PIB (Produto Interno Bruto) da China, que veio abaixo do esperado. O país cresceu 4,9% entre julho e setembro, leitura mais fraca desde o terceiro trimestre de 2020 e abaixo das previsões.

O resultado foi prejudicado pela escassez de energia, gargalos nas cadeias de abastecimento e grandes turbulências no mercado imobiliário, o que aumenta a pressão sobre os formuladores de política econômica para mais ações a fim de sustentar a recuperação vacilante.

A segunda maior economia do mundo está enfrentando vários desafios importantes, incluindo a crise da dívida do China Evergrande Group, atrasos na cadeia de abastecimento e uma crítica crise de eletricidade, o que derrubou a produção das fábricas ao ponto mais fraco desde o início de 2020, quando pesadas restrições relacionadas à Covid-19 estavam em vigor.

“A recuperação econômica doméstica ainda é instável e desigual”, disse o porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês), Fu Linghui, em um briefing em Pequim.

Bolsas asiáticas fecham em queda depois de PIB da China (8h16)

A maioria das ações asiáticas recuou na sessão desta segunda-feira (18), depois de dados mostrarem crescimento mais lento do que o esperado na economia chinesa no último trimestre, enquanto a alta dos preços do petróleo alimentava preocupações com a inflação.

Apelos do presidente da China, Xi Jinping, na sexta-feira, por progressos em um imposto sobre propriedade há muito aguardado –para ajudar a reduzir as lacunas de riqueza– também azedaram o clima.

O índice MSCI global para os mercados de ações caía 0,1%, afetado por perdas na Ásia e uma abertura fraca na Europa.

O PIB da China cresceu 4,9% no trimestre de julho a setembro em relação ao mesmo período do ano anterior, ritmo mais fraco desde o terceiro trimestre de 2020. A segunda maior economia do mundo está lutando contra a escassez de energia, gargalos de fornecimento, surtos esporádicos de Covid-19 e problemas de dívida em seu setor imobiliário.

As blue chips chinesas caíram 1,2%, e o índice composto de Xangai perdeu 0,1%.

“A economia chinesa cresceu mais lentamente no terceiro trimestre, principalmente por causa dos desafios de política (econômica) e da alta base de comparação do ano passado”, disse Iris Pang, economista do banco holandês ING.

  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei caiu 0,15%, a 29.025,46 pontos;
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG subiu 0,31%, a 25.409,75 pontos;
  • Em XANGAI, o índice SSEC perdeu 0,12%, a 3.568,14 pontos;
  • O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, retrocedeu 1,16%, a 4.874,78 pontos;
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve desvalorização de 0,28%, a 3.006,68 pontos;
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou baixa de 0,45%, a 16.705,46 pontos.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES ficou estável, a 3.173,82 pontos;
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 avançou 0,26%, a 7.381,10 pontos.

(Com Reuters e Agência Estado)

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