Atualizado às 19h18

O Ibovespa fechou nesta segunda-feira (10) em queda de 0,75%, a 101.945 pontos, acompanhando viés negativo das bolsas em Wall Street. O pessimismo foi motivado pelo cenário de alta de juros nos Estados Unidos, que deve promover avanço nos rendimentos dos títulos públicos, desencorajando o investimento em Bolsa.

Papéis da Vale foram a principal pressão negativa no índice local. Ações dos setores de tecnologia, varejo e saúde também tiveram performance negativa. Já Itaú Unibanco e JBS ajudaram a limitar as perdas.

O rendimento do Treasury de 10 anos – referência global para decisões de investimento – chegou a bater 1,808%, máxima desde 21 de janeiro de 2020, com investidores esperando cada vez mais que o Federal Reserve (Fed) comece a elevar juros já em março.

O avanço no rendimentos dos Treasuries afasta investidores dos ativos de risco, penalizando especialmente os mercados de países emergentes, como o Brasil.

Em Wall Street, os principais índices de ações tiveram sessão negativa, mas mostraram recuperação no final, com o Nasdaq virando para o azul já nos ajustes.

Na semana passada, a ata da última reunião de política monetária do Fed, o banco central norte-americano, mostrou um discurso mais duro contra a inflação, aumentando apostas de aumento na taxa de juros antes do previsto. A alta dos juros nos EUA afeta a liquidez dos mercados globais e eleva o custo de capital das empresas, pressionando as bolsas.

“O Ibovespa segue digerindo o recado que o Fed deu na semana passada”, disse Antônio Sanches, especialista em investimentos da Rico.

No cenário doméstico, a sinalização do presidente Jair Bolsonaro, de que não estão garantidos reajustes a nenhuma categoria de servidores, foi vista como positiva pelo mercado, mas investidores mantiveram cautela.

“A questão continua em aberto. Não está batido o martelo em nada”, disse Sanches.

Enquanto isso, a pesquisa do Banco Central com economistas desta semana mostrou elevação na estimativa para a taxa Selic em 2022, de 11,50% para 11,75%, enquanto a projeção de alta do PIB do país caiu de 0,36% para 0,28%.

Na Europa, o índice STOXX 600 caiu 1,5%, refletindo a alta dos rendimentos dos títulos pesando no setor de tecnologia, além do temor com o avanço da ômicron.

E o dólar? A moeda norte-americana fechou com valorização de 0,72%, a R$ 5,6723, devolvendo boa parte da queda de 0,85% da sexta-feira. A segunda-feira foi amplamente negativa no mundo para ativos considerados mais arriscados, diante de receios cada vez maiores sobre os potenciais impactos de altas de juros nos Estados Unidos neste ano.

“A manhã foi marcada por mais uma rodada de abertura de taxa dos juros americanos, com os papéis de dez anos testando o patamar de 1,80%”, afirma Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos. “Enquanto as taxas estiverem nesta trajetória ascendente, de maneira rápida e acentuada, estaremos suscetíveis a espasmos de maior volatilidade no mercado”.

O dólar subiu no Brasil assim como em outros países emergentes. Contra o rand da África do Sul, por exemplo, a moeda dos EUA avançou 0,7%, enquanto ganhou 1% ante o peso chileno. Uma cesta mais ampla de divisas emergentes caiu 0,11%.

O pregão foi novamente de combalido apetite por risco, o que afeta diretamente moedas do perfil do real, vistas como mais arriscadas e correlacionadas aos preços das commodities, os quais caíram nesta segunda.

O mercado discute amplamente chances de mais de três elevações de juros nos Estados Unidos e também redução da carteira de ativos do banco central dos EUA – combinação que enxugaria a quantidade de dólares no sistema financeiro, colaborando para aumento do preço da moeda.

“Mantemos viés positivo para o dólar”, disseram profissionais do Citi em nota, citando potenciais reveses aos mercados emergentes decorrentes de aperto monetário nos EUA. Aqui, os porta-vozes destacaram que a eleição presidencial ainda não está “totalmente” no radar e que uma desaceleração mais expressiva do crescimento econômico na margem é um risco para a taxa de câmbio.

O dólar ganhou terreno no Brasil nesta segunda-feira depois de na semana passada já ter valorizado cerca de 1%. Não bastassem temas internacionais, analistas têm afirmado que o real volta a mostrar fragilidade devido ao cenário para as contas públicas, cuja incerteza ganhou novos contornos com a pressão de servidores públicos por aumentos salariais.

“Este é um risco fiscal importante, já que não há espaço para aumento geral de salários neste ano dentro do teto de gastos constitucional: pelos nossos cálculos, um aumento de 10% no salário dos servidores públicos federais custaria cerca de R$ 30 bilhões”, disse a XP.

Ouro fecha em alta, com investidores de olho em alta de juros do Fed (16h10)

O contrato futuro do ouro fechou em leve alta nesta segunda-feira, 10, enquanto investidores monitoram as apostas para elevação da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro com entrega prevista para fevereiro subiu 0,08%, a US$ 1.798,80 por onça-troy.

Com a postura mais hawkish adotada por dirigentes do Fed, o mercado tem aumentado suas apostas para alta da taxa básica de juros já em março. Em geral, isso tende a pressionar o preço do ouro. Por enquanto, porém, enquanto os juros dos Treasuries sobem, o ouro tem sustentado seu preço relativamente bem, pontua o Commerzbank.

Em relatório, o analista Carsten Menke, do Julius Baer, também comenta a resiliência do metal precioso e afirma que ela sugere que o aperto monetário pelo Fed já está precificado, ao menos parcialmente. “Embora nossa perspectiva econômica otimista exija um enfraquecimento ainda maior da demanda de portos seguros e preços um pouco mais baixos, acreditamos que os riscos de queda para o ouro e a prata são limitados”, diz.

Uma postura mais moderada do Fed pode levar a uma alta momentânea nos preços do ouro, que não deve durar enquanto o crescimento global segue em modo de recuperação e investidores não buscam um refúgio, diz o Julius Baer. Um aperto monetário mais agressivo, por outro lado, deve pressionar os preços do ouro.

Ações europeias caem após alta dos rendimentos nocautear papéis de tecnologia (14h45)

As ações europeias tiveram sua pior queda diária desde o fim de novembro nesta segunda-feira, com o aumento dos rendimentos dos títulos pesando sobre o setor de tecnologia, enquanto a rápida disseminação da variante Ômicron da Covid-19 também afetou o sentimento.

O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 1,48%, a 479,04 pontos. Papéis de tecnologia tombaram 3,6%, para uma mínima em quase três meses. As perdas se espalharam pela maioria dos setores europeus.

A elevação dos retornos dos títulos na Europa e nos Estados Unidos foi o principal fator por trás da queda das ações, enquanto investidores aguardavam o fim das medidas de liquidez –na esteira do aumento da inflação– implementadas no início da pandemia.

“A inflação está no centro dos pensamentos dos investidores na Europa… o que pressiona o BCE (Banco Central Europeu) a apertar a política monetária”, disse Susannah Streeter, analista sênior de investimentos e mercados da Hargreaves Lansdown.

A inflação de dezembro atingiu máxima recorde de 5% no bloco monetário, mostraram dados na semana passada.

Nesta segunda-feira, os rendimentos dos títulos do governo norte-americano com vencimento em dez anos atingiram máxima em dois anos, enquanto as taxas do título alemão de mesmo vértice alcançaram brevemente seu nível mais alto desde maio de 2019. Investidores começaram a precificar altas nos juros por parte do BCE no fim deste ano.

O setor bancário regional, que tende a se beneficiar de taxas de empréstimo mais altas, foi o único a ganhar no dia ao subir 0,2%.

  • Em Londres, o índice Financial Times recuou 0,53%, a 7.445,25 pontos;
  • Em Frankfurt, o índice DAX caiu 1,13%, a 15.768,27 pontos;
  • Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 1,44%, a 7.115,77 pontos;
  • Em Milão, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 0,96%, a 27.353,71 pontos;
  • Em Madri, o índice Ibex-35 registrou baixa de 0,51%, a 8.706,90 pontos;
  • Em Lisboa, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,58%, a 5.567,45 pontos.

Mais de 150 voos são cancelados após aumento de casos de covid-19 e influenza (13h59)

Mais de 150 voos foram cancelados após aumento de casos de covid-19 e influenza, tanto entre pilotos e demais tripulantes de aeronaves quanto entre a população em geral. Voos da Azul e da Latam foram os que mais tiveram de ser cancelados. A Gol não reportou cancelamentos.

No domingo, 9, a Latam informou o cancelamento de 47 voos. Na última semana, mais de 100 voos da Azul também foram cancelados.

Já a Gol informou que toma medidas para garantir a operação nos próximos dias. A empresa área diz oferecer remarcação ou reembolso sem custos adicionais aos passageiros.

Na Azul, funcionários receberam um e-mail do presidente, John Rodgerson, na noite da quarta-feira, 5, alertando para o “alto número de dispensas médicas” tanto no grupo de voo quanto em áreas administrativas da companhia.

A Azul informou ao jornal O Estado de S. Paulo que “mais de 90% das operações da companhia estão funcionando normalmente e que os clientes impactados estão sendo notificados das alterações, reacomodados em outros voos da própria companhia e recebendo toda a assistência necessária conforme prevê a resolução 400 da Anac”.

No domingo, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) disse que monitora casos de doenças respiratórias tripulantes do setor aéreo. O órgão informou ainda acompanhar as medidas tomadas pelas empresas aéreas para reduzis os impactos dos cancelamentos de voos e a assistência prestada aos passageiros.

Gol estima prejuízo por ação de R$ 1,33 no 4º trimestre (9h15)

A Gol disse nesta segunda-feira que espera um prejuízo por ação de 1,33 real em seus resultados do quarto trimestre de 2021, segundo comunicado ao mercado.

A companhia aérea estima margem Ebitda para o período em cerca de 35%, ante 29,5% um ano antes, enquanto a relação dívida líquida/Ebitda deve ficar em aproximadamente 5,6 vezes.

Mercado eleva projeção da Selic para 11,75% e reduz a do PIB para 0,28% em 2022 (8h30)

Economistas do mercado financeiro reduziram pela terceira semana consecutiva as projeções para o crescimento da economia brasileira ao longo de 2022 e passaram a estimar um valor maior para a taxa básica de juros para o período.

Mesmo com a manutenção da expectativa de 5,03% para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no ano, a projeção para Selic foi de 11,50% para 11,75%, segundo os dados do boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (10).

Com o aperto fiscal e dados negativos de setores como a indústria divulgados na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) passou de 0,36% para 0,28%.

A previsão para o PIB de 2023 também foi revisada para baixo (de 1,8% para 1,7%).

Ainda segundo o Focus, a projeção para uma inflação abaixo de dois dígitos foi mantida para os anos de 2022 (5,03%) e 2023 (3,46%).

A expectativa para o valor do dólar em 2022 também foi mantida em R$ 5,60.

FGV: IGP-M acelera a 1,41% na 1ª prévia de janeiro (-0,22% na prévia de dezembro) (8h21)

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) avançou 1,41% na primeira prévia de janeiro, informou nesta segunda-feira (10) a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado representa aceleração tanto diante da primeira prévia de dezembro (-0,22%) quanto na comparação com o resultado do mês fechado (0,87%).

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) acelerou de deflação de 0,61% na prévia de dezembro para alta de 1,85% nesta leitura e puxou a aceleração do IGP-M. Em contrapartida, a FGV apurou alívios na taxas do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), de 0,97% para 0,19%, e do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), de 0,51% para 0,30%.

Vale paralisa parte das operações em Minas Gerais por chuvas intensas (8h02)

A mineradora Vale informou nesta segunda-feira que paralisou parcialmente a produção dos Sistemas Sudeste e Sul visando garantir a segurança dos seus empregados e comunidades, em razão do nível elevado de chuvas que atingem Minas Gerais.

Segundo comunicado, a circulação de trens na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) foi afetada.

Apesar da paralisação, a Vale manteve sua meta de produção de 320 milhões a 335 milhões de toneladas de minério de ferro para 2022.

Segundo a companhia, no Sistema Sudeste, a EFVM foi paralisada no trecho Rio Piracicaba-João Monlevade, impedindo o escoamento do material da mina de Brucutu e no complexo de Mariana, “que estão com a produção suspensa”.

O trecho Desembargador Drummond-Nova Era também está paralisado, mas em fase de liberação e não afetou a produção do Complexo de Itabira.

No Sistema Sul, em função da interdição de trechos das rodovias BR-040 e MG-030, da segurança de circulação de empregados e terceiros e da infraestrutura da frente de lavra das minas, a produção de todos os complexos está temporariamente paralisada.

“A Vale está tomando todas as medidas necessárias para a retomada das atividades, mantendo o foco nos cuidados necessários para garantir a segurança dos empregados e das comunidades localizadas no entorno de suas estruturas”, disse a empresa.

Conforme a Vale, o Sistema Norte segue operando conforme o plano de produção, que considera o impacto sazonal do período chuvoso em todas as operações.

A companhia ressaltou ainda que “não houve alteração do nível de emergência em nenhuma de suas estruturas, que são acompanhadas permanentemente por inspeções, manutenções, radares, estações robóticas, câmeras de vídeo e instrumentos, como piezômetros manuais e automáticos”.

Bolsas da Ásia fecham na maioria em alta, mas seguem com foco em juros dos EUA (7h15)

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira, 10, com investidores à espera de novos dados da inflação dos EUA que podem ser determinantes para a trajetória dos juros básicos americanos.

Na China continental, o índice Xangai Composto subiu 0,39%, a 3.593,52 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,59%, a 2.467,32 pontos, ajudados pelo bom desempenho de ações do setor de energia.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng teve alta de 1,08% em Hong Kong, a 23.746,54 pontos, e o Taiex se valorizou 0,38% em Taiwan, a 18.239,38 pontos. Por outro lado, o sul-coreano Kospi caiu 0,95% em Seul, a 2.926,72 pontos. No Japão, um feriado manteve a Bolsa de Tóquio fechada.

Em Hong Kong, destaque para a ação da incorporadora chinesa Shimao Group, que saltou mais de 19% após notícia de que a empresa está tentando vender projetos imobiliários num momento de dificuldades financeiras. Na semana passada, uma subsidiária da Shimao falhou no pagamento de um empréstimo fiduciário.

Investidores da região asiática e de outras partes do mundo estão na expectativa para novos dados da inflação ao consumidor (CPI) dos EUA, que serão divulgados na quarta-feira (12) e podem selar o destino da política monetária dos EUA. Na semana passada, o Fed sinalizou que poderá acelerar planos de elevar juros, diante de pressões inflacionárias persistentes e melhoras no mercado de trabalho.

Na Oceania, a bolsa australiana encerrou o pregão de hoje com baixa apenas marginal. O S&P/ASX 200 recuou 0,08% em Sydney, a 7.447,10 pontos. Com informações da Dow Jones Newswires.

(Com Reuters e Agência Estado)

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