Atualizado às 19h

O Ibovespa fechou nesta quinta-feira (16) em alta de 0,83%, a 108.326 pontos, na contramão dos principais índices em Wall Street, com suporte de papéis ligados a commodities e noticiário corporativo intenso. Esse foi o maior patamar de fechamento desde 25 de outubro.

A sessão foi marcada pela reação a decisões de política monetárias de alguns dos principais bancos centrais do mundo. Vale foi a principal contribuição positiva para o índice, enquanto Banco Inter ficou na ponta oposta.

Nos Estados Unidos, o Nasdaq desabou 2,5%, com investidores saindo de ações de crescimento, como de tecnologia, para papéis de valor. Na bolsa brasileira, empresas ligadas a tecnologia também recuaram. O S&P 500 cedeu quase 1%, enquanto o Dow Jones fechou quase estável.

O movimento veio após o Federal Reserve (Fed) na véspera manter a taxa de juros perto de zero, indicando que encerrará em março suas compras de títulos, abrindo caminho para três altas de 0,25 ponto percentual em 2022. A decisão, já esperada, levou os mercados de ações dos EUA a fecharem em alta na quarta-feira.

Segundo Daniel Xavier, do departamento econômico do Banco ABC Brasil, índices acionários mais sensíveis ao segmento de tecnologia acabam sentindo relativamente mais a alta dos juros, pois pressiona setores com maior alavancagem.

Na Europa, papéis subiram após o Banco Central Europeu prometer apoio contínuo à economia, retirando gradativamente os estímulos. Já o Banco Central da Inglaterra elevou de forma surpreendente a taxa de juros.

O mercado vive “uma ressaca das decisões de política monetária”, disse Rodrigo Crespi, especialista de mercado da Guide Investimentos. Segundo ele, Ibovespa resistiu à pressão de bolsas dos EUA por conta do bom desempenho de commodities, com destaque para papéis como Vale e Petrobras, além de pregão positivo para bancos.

No noticiário interno, o BC ajustou a perspectiva de expansão para o PIB (Produto Interno Bruto), segundo o Relatório Trimestral de Inflação, apontando que “há preocupação com a elevação das expectativas de inflação, inclusive para além do ano-calendário de 2022”.

A Moody’s piorou as estimativas para PIB do Brasil em 2021 e 2022, após desempenho pior do que o esperado da economia no terceiro trimestre deste ano.

Na política, o Congresso Nacional promulgou as partes pendentes da PEC dos Precatórios.

Já o dólar caiu ante o real, interrompendo sequência de cinco ganhos diários consecutivos após o Banco Central injetar moeda à vista no mercado. Depois de um pico de R$ 5,7259, o dólar spot fechou em queda de 0,47%, a R$ 5,6802 na venda.

O BC vendeu US$ 830 milhões em leilão à vista realizado pouco antes das 13h, fazendo a moeda dos Estados Unidos devolver completamente os ganhos registrados mais cedo na sessão contra o real.

Essa é quarta vez em cinco sessões que o Banco Central faz intervenção do tipo no mercado de câmbio, de olho – segundo alguns participantes do mercado – em movimento sazonal de saída de recursos do país com a aproximação do fim do ano, à medida que empresas fazem pagamentos de juros e dividendos.

Nesta quinta-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, notou a pressão sazonal no mercado de câmbio, e ressaltou que o BC faz intervenções ao observar os movimentos pontuais de saída.

Mas Alfredo Menezes, sócio-fundador da Gestora Armor Capital, disse em post no Twitter acreditar “que hoje foi o último dia do ano de fluxo no dólar muito ruim. A partir daqui o fluxo alivia. E janeiro é bem mais tranquilo.”

Alguns investidores apontaram maior apetite por risco após os mercados terem recebido de forma benigna, no geral, a notícia de que o Federal Reserve vai acelerar a redução de seu estímulo, abrindo caminho para três aumentos de juros em 2022 –embora custos de empréstimos mais altos nos EUA sejam vistos como positivos para o dólar.

“O movimento de preços de ontem sugere que um Fed bastante ‘hawkish’ (duro com a inflação) já estava totalmente precificado, e é plausível que as moedas de países emergentes continuem a operar melhor no curto prazo”, disseram em nota desta quinta-feira estrategistas do Citi.

Mesmo assim, “no quadro mais amplo, o ambiente para o câmbio de países emergentes continuará desafiador com a chegada do primeiro aumento de juros do Fed”, afirmou o banco norte-americano.

Ainda nesta quinta-feira, Campos Neto afirmou que o risco fiscal é um elemento que influencia a precificação do câmbio, ressaltando que a autoridade monetária não conta em seu cenário básico com novas ações que piorem o quadro das contas públicas.

Investidores apontam há meses a deterioriação da credibilidade fiscal –após pressão do governo por mais gastos no ano que vem, quando Bolsonaro deve tentar a reeleição– como impulso para o dólar, que sobe 9,41% contra o real no acumulado de 2021.

Recentemente, com a promulgação da PEC dos Precatórios, que abre espaço fiscal para o financiamento do Auxílio Brasil, instalou-se uma maior previsibilidade nos mercados locais, mas a alteração da regra do teto de gastos contida no texto ainda é vista como forte golpe à reputação do país.

Aos temores fiscais, somam-se receios políticos, já que os brasileiros irão às urnas em 2022. A eleição provavelmente polarizada pode minar a atratividade da moeda brasileira ao elevar as incertezas sobre os rumos da conduta econômica do país a partir de 2023, disse à Reuters Vanei Nagem, responsável pela mesa de câmbio da Terra Investimentos.

Confira os destaques do pregão (19h)

AMERICANAS ON subiu 8,93% e LOJAS AMERICANAS PN disparou 8,6%, estendendo ganhos da véspera. As empresas estão perto de concluir uma reorganização societária. MAGAZINE LUIZA ganhou 3,7%. VIA caiu 5,6%.

VALE ON subiu 3,9%, CSN ON avançou 6%, USIMINAS PN teve alta de 3,1% e GERDAU PN evoluiu 2,3%, diante de alta de matérias-primas metálicas na China, com expectativa de recuperação da produção de aço após restrições severas.

PETROBRAS PN e ON subiram 1,3% e 2,1%, nesta ordem, em meio à alta do petróleo com demanda recorde dos EUA e queda dos estoques. A estatal assinou acordo para vender sua fatia na BRASKEM (-0,59%). SUZANO ON avançou 2,6% e KLABIN teve alta de 1,3%.

QUALICORP subiu 5,54%, após a superintendência-do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar, sem restrições, pedido da REDE D’OR para aumentar a fatia na companhia.

MÉLIUZ ON afundou 8,16%, enquanto BANCO INTER UNIT caiu 7,7% e PN recuou 5,2%, em sessão negativa para empresas de tecnologia. Inter teve seu encontro com analistas. A ação PN da empresa saiu da carteira teórica do Ibovespa na segunda prévia.

JBS ON fechou em queda de 1,4%, após o BNDES vender cerca de 70 milhões de ações da companhia, o equivalente a cerca de 12% da fatia do banco na JBS, levantando cerca de 2,6 bilhões de reais com o negócio.

HAPVIDA ON e INTERMÉDICA ON tiveram alta de 1,6% e 3,2%, respectivamente, após superintendência-Geral do Cade aprovar sem restrições a fusão de ambas. Analistas esperavam que o Cade impusesse limites à transação.

BRADESCO PN subiu 1,2%, ITAÚ UNIBANCO PN avançou 1% e SANTANDER BRASIL UNIT teve alta de 1,2%. BANCO DO BRASIL ON recuou 0,3%.

Acreditamos que pico de inflação pode ter sido em novembro, diz diretora do BC Fernanda Guardado (15h56)

A diretora de assuntos internacionais e de gestão de riscos corporativos​ do Banco Central, Fernanda Guardado, afirmou nesta quinta-feira que a autoridade monetária acredita que o pico da inflação acumulada em 12 meses no Brasil tenha ocorrido no mês de novembro.

“No processo de desinflação, há alguns meses, acreditamos que outubro seria o pico na inflação de 12 meses, estávamos errados. Agora acreditamos que pode ter sido novembro”, disse, em apresentação feita em inglês.

Em videoconferência promovida pelo banco UBS, Guardado afirmou que, além do processo efetivo de desinflação, o BC quer ver expectativas sobre os índices de inflação nos próximos anos ancoradas.

Na apresentação, ela afirmou acreditar que o processo de queda da inflação será visto em 2022, ressaltando que as projeções da autoridade monetária apontam para uma convergência ao centro da meta em 2023.

Guardado disse que os modelos matemáticos do BC não indicam uma inércia maior da inflação ao longo da pandemia do coronavírus. Ela ponderou que estamos vivendo em tempos voláteis, com incertezas em níveis elevados.

“Nós olhamos o longo prazo e tentamos agir de acordo com nossas metas e nossos modelos, acho que faz parte o mercado criticar e pensar sobre cenários alternativos, mas estamos confiantes que adotamos a rota correta”, afirmou.

A diretora disse que países emergentes estão promovendo ciclos de aperto monetário e destacou que o Brasil está em um movimento mais agressivo.

De acordo com Guardado, os preços de serviços estão subindo, mas ainda em patamares mais baixos do que outros itens. Ela também afirmou que há maior pressão vinda de bens industriais e preços de energia.

CSN Mineração entra em 2ª prévia do Ibovespa; Inter PN é retirada (9h15)

A segunda prévia da carteira teórica do Ibovespa válida para entre janeiro e abril de 2022 contou com a inclusão da ação da CSN Mineração e manutenção da ação da Positivo, segundo dados divulgados pela B3 nesta quinta-feira.

Além disso, a segunda prévia mostra retirada do papel preferencial de Inter, que atualmente faz parte do Ibovespa.

Já a ação da seguradora Porto Seguro, que havia sido incluída na primeira prévia junto com a de Positivo, não foi mantida.

O unit da companhia de meios de pagamentos Getnet, retirado na primeira prévia, seguiu fora da carteira teórica nesta segunda prévia.

Matérias-primas siderúrgicas sobem na China com foco na produção de aço (8h23)

Os contratos futuros das matérias-primas para a siderurgia chinesa avançaram nesta quinta-feira (16), com o carvão metalúrgico subindo 5%, alimentado pela esperança de recuperação da produção de aço após restrições severas nos primeiros 11 meses do ano.

A maior produtora de aço do mundo produziu 946,36 milhões de toneladas do metal de janeiro a novembro, queda de 2,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

A Huatai Futures escreveu em uma nota que, uma vez que as metas para a produção de aço bruto foram cumpridas, algumas usinas estão retomando a produção e a lucratividade está relativamente boa.

Uma consultoria do governo previu na quarta-feira que a demanda por aço da China poderia cair em 2022 a partir deste ano, mas o consumo de construção de infraestrutura, automóveis e outros setores continuará oferecendo suporte.

Os futuros de minério de ferro de referência na Dalian Commodity Exchange, para entrega em maio, terminaram em alta de 2,8%, para 673 iuanes (105,71 dólares) por tonelada.

Os preços do minério de ferro no mercado físico subiram 2 dólares, para 117,5 dólares a tonelada, segundo a consultoria SteelHome.

Os preços do aço na Bolsa de Futuros de Xangai também subiram. O vergalhão usado na construção aumentou 2,4% para 4.529 iuanes por tonelada e as bobinas laminadas a quente, usadas no setor de manufatura, avançaram 2,7%, para 4.719 iuanes por tonelada.

BC corta previsão de crescimento do PIB em 2022 para 1%, de 2,1% (8h14)

O Banco Central piorou sua projeção de crescimento econômico brasileiro em 2022 para 1,0%, contra 2,1% da estimativa anterior, conforme o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado nesta quinta-feira (16).

No documento, o BC ajustou a perspectiva de expansão para o Produto Interno Bruto (PIB) para uma alta de 4,4% neste ano, ante estimativa de 4,7% calculada em setembro.

O Ministério da Economia, por sua vez, prevê expansão de 5,1% para o PIB neste ano e de 2,1% para o próximo, enquanto o mercado, segundo o boletim Focus mais recente, estima que a economia crescerá 4,65% em 2021 e 0,50% no ano que vem.

Em relação à política monetária, o BC reiterou mensagem da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a intenção de subir a Selic novamente em 1,50 ponto na reunião de fevereiro, em continuidade ao ciclo de alta para levar a taxa básica de juros a território “significativamente contracionista” para conter a inflação. A taxa básica de juros está em 9,25% ao ano.

Bolsas da Ásia fecham em alta, com ‘alívio’ pós-Fed (7h11)

As bolsas da Ásia fecharam em alta firme nesta quinta-feira, 16, seguindo a reação a positiva em Wall Street à decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed). O cenário empurrou ao segundo plano as preocupações relacionadas à variante Ômicron do coronavírus e à crise de liquidez no mercado imobiliário chinês.

Ontem, o Fed manteve juros inalterados, mas anunciou aceleração do processo de retirada de estímulos, em um esforço para conter a escalada da inflação nos Estados Unidos. O BC americano também sinalizou três aumentos da taxa básica em 2022.

Na visão da estrategista de investimentos globais da Commonwealth Financial Network, Anu Gaggar, os mercados tiveram um “respiro de alívio”. “É como se a incerteza tivesse sido dissipada”, explica.

Em meio a essa percepção, o índice Nikkei, referência na Bolsa de Tóquio, encerrou o pregão com ganho de 2,13%, a 29.066,32 pontos. Ontem, a Câmara dos Representantes japonesa aprovou um orçamento suplementar que prevê mais de US$ 300 bilhões em estímulos econômicos.

Com isso, a queda no índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto do país, informada pela IHS Makit e Jibun Bank hoje, acabou ignorada por investidores. As atenções de operadores agora, se voltam para a decisão monetária do Banco do Japão, na sexta-feira, 17.

Na Coreia do Sul, o Kospi, de Seul, subiu 0,57%, a 3.006,41 pontos, apesar da adoção de novas restrições à mobilidade pelo governo local para conter a Ômicron. Autoridades sul-coreanas decidiram proibir aglomerações de cinco pessoas ou mais, depois que o país registrou recorde diário no número de casos de covid-19.

Em Taiwan, o índice Taiex avançou 0,71%, a 17.785,74 pontos. Na China continental, Xangai aumentou 0,75%, a 3.675,02 pontos – na máxima do dia -, enquanto Shenzhen, de menor abrangência, se elevou 0,62%, a 2.559,31 pontos.

O Hang Seng, de Hong Kong, marcou valorização de 0,23%, a 23.475,50 pontos, no fechamento. O papel da Evergrande subiu 3,23%, recuperando-se das perdas recentes, após notícia de que credores processaram a incorporadora chinesa após a empresa entrar em default.

Na Oceania, o australiano S&P/ASX 200, de Sydney, perdeu 0,43%, a 7.295,70 pontos, de olho na disseminação da Ômicron. Estado mais populoso da Austrália, New South Wales reportou 1.742 casos de covid-19 hoje, o segundo dia consecutivo com recorde diário. Com informações da Dow Jones Newswires.

(Com Reuters e Agência Estado)

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