Atualizado às 18h52

O Ibovespa fechou nesta quinta-feira em alta de 1,24%, a 105.811,25 pontos. A sessão teve pouca liquidez, já que o índice não contou com o suporte do mercado norte-americano, fechado por conta de feriado.

O principal fator de influência para o dia positivo foi a valorização das ações da Petrobras, que anunciou projeção de investimentos de US$ 68 bilhões entre 2022 e 2026, além de revisar sua política de dividendos. Os papéis preferenciais da empresa subiram 4,41% e os ordinários, 4,13%.

Sem liquidez, o Ibovespa teve poucas variações de direção, avançando de forma mais cautelosa na parte da manhã e acelerando movimento no meio do dia. Depois disso, praticamente manteve o patamar até o final do pregão.

Segundo Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, diante da falta de volume e de notícias mais fortes no campo macro, o índice passou por um ajuste técnico. “De tempos em tempos teremos estes movimentos devido a nossa bolsa estar muito defasada de seus pares no exterior”, disse ele.

Enquanto a votação da PEC dos Precatórios é esperada apenas para semana que vem em comissão no Senado, no meio da tarde, foi aprovada na Câmara dos Deputados o texto principal da MP que cria o Auxílio Brasil, programa social montado pelo governo em substituição ao Bolsa Família. O texto que teve o aval dos deputados, e segue para o Senado, não contou com a correção anual do benefício pelo índice de preços INPC, como fora ventilado anteriormente e era temido pelo mercado.

Além disso, mais cedo, o IBGE divulgou que o IPCA-15, índice de preços visto como uma prévia da inflação, subiu 1,17% em novembro, contra estimativa de 1,10%, segundo pesquisa Reuters com economistas. Apesar do resultado, os ativos locais tiveram, no geral, dia positivo, mas a inflação acima do esperado – mais uma vez – deve se juntar a outros fatores de destaque a serem analisados pelo Banco Central em sua próxima reunião de política monetária, em dezembro.

No exterior, bolsas na Europa subiram, com ações ligadas à tecnologia compensando a queda nos setores de viagem e lazer, dado o impacto do recrudescimento da Covid-19 no continente.

O dólar fechou em queda ante o real, com investidores aproveitando para realizar lucros num dia sem grandes catalisadores externos. O dólar à vista caiu 0,51%, a R$ 5,5654, menor patamar desde o último dia 17.

O clima mais calmo se estendeu também a outros mercados. Na bolsa, por exemplo, o principal índice subia 1,3% meia hora antes do fechamento, para uma máxima em mais de uma semana. Os juros futuros caíam nas negociações estendidas. “O leilão (de títulos do Tesouro) foi pequeno, e o mercado ainda está reagindo de certa forma às falas do Campos Neto de ontem”, disse um operador.

O Tesouro vendeu cerca de R$ 5 bilhões em prefixados (LTN e NTN-F) e em torno de R$ 13,7 bilhões em LFT (pós-fixado), colocando no mercado pela terceira semana seguida um nível de risco mais estável.

A descompressão nos preços da renda fixa – cujo chacoalhão nos últimos tempos acabou inflamando as altas do dólar – também ajudou a “destravar” certa realização de lucros na taxa de câmbio. Na véspera, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sinalizou que poderia não chancelar os elevados níveis de prêmio vistos na curva de DI, o que trouxe as taxas para baixo.

De toda forma, o reforço nas últimas semanas das expectativas de aumentos da Selic já oferecia uma boa “blindagem” ao real. A taxa embutida em contratos de taxa de câmbio a termo dólar/real de um ano estava em 11,4% ao ano, contra 8,3% em meados de outubro e 2,4% um ano atrás.

O que acaba compensando parte desse retorno é a alta volatilidade do real, que no mundo emergente só fica abaixo da atribuída à lira turca. E a piora das perspectivas para a economia é um obstáculo a mais, uma vez que torna o país menos atrativo a investimentos externos.

Destaques do dia incluem setores financeiro e de saúde (19h)

PETROBRAS PN e ON avançaram mais de 4% cada, depois que a empresa anunciou projeção de investimentos de 68 bilhões de dólares entre 2022 e 2026, aumento expressivo em relação ao plano de negócios plurianual anterior. A companhia também revisou política de dividendos. O novo plano é positivo, com a manutenção do foco da empresa na criação de valor, enquanto foco renovado nos dividendos foi o principal destaque, escreveram analistas do JPMorgan, incluindo Rodolfo Angele, em relatório.

BANCO PAN PN disparou 8,3%, BTG PACTUAL UNIT subiu 5,4%, BANCO INTER UNIT avançou 3,8% e B3 ON fechou em alta de 1,5%, em sessão positiva para o setor financeiro. No caso do Pan e da B3, houve ainda divulgação do aval, sem restrições, pela Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), às aquisições da MOSAICO ON — que não está no Ibovespa e escalou 8,7% — e da Neoway, respectivamente.

GOL PN disparou 9,7%, a maior alta do Ibovespa, e CVC ON saltou 6,9%, enquanto AZUL PN subiu 2,2%, corroborando bom desempenho de papéis ligados a viagens e turismo na sessão. Notícias sobre vacinas e Covid-19 em todo o mundo seguem no radar dos investidores.

VALE ON caiu 0,7%, liderando perdas em pontos do índice. Minério de ferro não teve direção única em bolsas da Ásia. A Vale vinha sendo beneficiada nas últimos dias por novo avanço dos preços da matéria-prima para o aço.

INTERMÉDICA ON caiu 2,2% e HAPVIDA ON recuou 2,1%, ambas estendendo a queda da véspera. O Tribunal do Cade decidiu impedir a Hapvida de concluir a aquisição do plano de saúde Plamed, que tem carteira concentrada em Aracajú. A decisão ocorre em momento que Intermédica e Hapvida estão em processo de fusão, que também tramita no Cade. No radar do setor ainda está aprovação no Senado de projeto que coloca piso salarial para enfermeiros, segundo a Agência Senado.

MARFRIG ON caiu 2,9% e JBS ON recuou 2,5%, fechando como as duas piores baixas do Ibovespa. “No geral, como estamos vendo um alívio no mercado macro, faz sentido vermos empresas consideradas defensivas com um desempenho um pouco pior”, afirmou Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos.

AMERICANAS ON subiu 1,6%, VIA ON avançou 1,4%, enquanto MAGAZINE LUIZA ON fechou em baixa de 1,4%, com novo dado de inflação acima do esperado e ciclo de alta de juros no radar, contrabalançando com a proximidade da Black Friday.

Bolsas da Europa fecham em alta, em dia de liquidez reduzida e ata do BCE (15h15)

Após fechamento misto ontem, a maioria das bolsas europeias encerrou em alta nesta quinta-feira, 25. A exceção foi a de Milão. Em dia de liquidez reduzida, com os mercados dos Estados Unidos fechados devido ao feriado do Dia de Ação de Graças, o foco dos investidores esteve na divulgação da ata da mais recente reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). O documento destacou que as pressões nos preços são mais persistentes do que o projetado, mas a recuperação segue forte, ainda que tenha perdido um pouco de fôlego recentemente.

Nesse cenário, o índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,42%, a 481,72 pontos. O FTSE 100, da Bolsa de Londres, avançou 0,33%, a 7.310,37 pontos, o CAC 30 teve ganho de 0,48% em Paris, a 7.075,87 pontos, e o Ibex 35 registrou alta de 0,56% em Madri, a 8.840,90 pontos.

Na contramão, o índice FTSE MIB, da Bolsa de Milão, caiu 0,04%, a 27.098,83 pontos, pressionado pelas ações da Telecom Italia, que recuaram 2,65%.

“Numa sessão bastante moderada, os mercados europeus subiram modestamente, com a ausência dos mercados dos EUA devido ao Dia de Ação de Graças mantendo a volatilidade”, destaca o analista-chefe de mercados da CMC, Michael Hewson. Ele, contudo, ressalta que a expectativa sobre como o novo governo da Alemanha vai lidar com a piora da pandemia na região continua no radar do mercado. Hoje, contudo, a preocupação com o crescente número de casos de covid-19 no continente foi deixada de lado pelos investidores.

Em relação à ata do BCE, o banco Morgan Stanley avalia que o Conselho da instituição segue com a visão de que a recente escalada da inflação na zona do euro é temporária. Para o banco americano, o documento mostrou que é “implausível” esperar uma alta da taxa básica de juros em 2022. “Isso, por sua vez, aumenta a probabilidade de um acordo sobre uma desaceleração suave, em vez de abrupta, nas compras de ativos no próximo ano”, ressalta o banco.

Mais cedo, foi divulgada também nova leitura do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha no terceiro trimestre e também o índice de confiança do consumidor no país, que recuou mais do que o previsto. Os temores com o avanço da covid no Velho Continente e novas restrições sendo adotadas pelos países continuam pressionando os dados de atividade. Hoje a Alemanha superou a marca de 100 mil mortos pela doença, na contagem oficial.

Mesmo nesse cenário, o DAX, da Bolsa de Frankfurt, após queda de ontem, fechou em alta de 0,25%, a 15.917,98 pontos. Na Bolsa de Lisboa, o PSI 20 subiu 0,69%, a 5.560,44 pontos.

Petrobras prevê US$1 bi em retomada da construção de 2ª unidade de refino na Rnest (11h02)

A Petrobras retomou planos para a construção de uma segunda unidade de refino de petróleo na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, de 145 mil barris por dia de capacidade de processamento, com aporte de 1 bilhão de dólares entre 2022-2026.

A retomada da ampliação da planta, em seu novo plano estratégico 2022-2026, ocorre após a unidade ter tido seu processo de desinvestimento encerrado em agosto, sem ofertas dos interessados.

Mas a Petrobras não disse anteriormente que pretendia tirar a Rnest, envolvida em escândalo de corrupção investigado pela Lava Jato, do plano de vendas de ativos.

A decisão do investimento também acontece enquanto a Petrobras vem sendo pressionada para controlar preços de combustíveis no mercado doméstico, diante de reflexos de uma escalada de preços internacionais nos valores apresentados aos consumidores brasileiros, nos postos.

A petroleira não tem hoje capacidade para atender toda a demanda doméstica por combustíveis.

A Rnest entrou em operação em 2014 e é a mais recente refinaria da Petrobras. No último plano estratégico da Petrobras, a companhia apenas citava a unidade no portfólio de desinvestimentos.

Com os novos investimentos, a Rnest terá sua produção ampliada de 115 mil para 260 mil barris por dia (bpd) em 2027, segundo nota da Petrobras.

Ainda na área de refino, gás e energia, a Petrobras informou que investirá 7,1 bilhões de dólares nos próximos cinco anos, sendo 1,5 bilhão de dólares na integração entre a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e o GasLub Itaboraí, para a produção de derivados de alta qualidade e óleos básicos, a fim de aproveitar a crescente demanda do mercado de lubrificantes.

No plano anterior, a Petrobras havia estimado investimentos de 3,7 bilhões de dólares na área de refino.

Taxas futuras de juros recuam com desaceleração do IPCA-15 (9h42)

Os juros futuros operam em queda em toda a curva nesta quinta-feira, 25, após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de novembro ter mostrado desaceleração para alta de 1,17%, de 1,20% em outubro, embora um pouco acima da mediana das estimativas (1,14%), mas de qualquer modo pode tirar fichas de apostas de aperto mais agressivo da Selic. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse ontem que a política monetária se tornou mais potente sem a pressão que era exercida por subsídios de crédito que foram retirados, o que foi entendido como sinal de que não há necessidade de acelerar as doses de aperto nos juros.

Nos longos, as taxas estão quase estáveis, mas o viés é de baixa.

No radar está o leilão de LTN, NTN-B e LFT (11 horas), que pode limitar o alívio na curva pela manhã.

Às 9h26, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 caía para 12,06%, de 12,14% no ajuste de ontem.

O DI para janeiro de 2025 recuava para 11,79%, de 11,83%, e o para janeiro de 2027 estava em 11,71%, de 11,73% no ajuste anterior.

INCC-M sobe 0,71% em novembro ante alta de 0,80% em outubro, mostra FGV (8h)

O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC-M) desacelerou, de uma alta de 0,80% em outubro para elevação de 0,71% em novembro, informou nesta quinta-feira a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, a inflação acumulada pelo índice em 12 meses passou de 15,35% para 14,69%.

A desaceleração do indicador foi puxada pelo arrefecimento do índice de Materiais, Equipamentos e Serviços, de 1,45% para 1,11%. Nas aberturas do grupo, o subíndice de Materiais e Equipamentos desacelerou de 1,68% para 1,23%, com destaque para o alívio de materiais para estrutura (2,12% para 0,73%).

O subíndice de serviços, por outro lado, acelerou de 0,36% para 0,49% em novembro, com avanço de aluguel de máquinas e equipamentos (1,03% para 1,48%).

Nesta leitura, o índice de Mão de Obra avançou de 0,10% para 0,28%. A aceleração foi disseminada entre todos os subgrupos: auxiliar (0,09% para 0,31%), técnico (0,13% para 0,29%) e especializado (0,03% para 0,15%).

O principal vetor de alívio do INCC-M de novembro foram os tubos e conexões de ferro e aço (-1,55% para -1,19%).

Em contrapartida, as maiores pressões foram exercidas por elevador (0,94% para 2,03%), condutores elétricos (-0,49% para 4,26%) e argamassa (1,02% para 2,15%), além de massa de concreto (2,12% e 1,79%) e ajudante especializado (0,13% para 0,30%).

Bolsas da Ásia fecham sem sinal único; Xangai e Seul caem; Tóquio sobe (8h)

Os mercados acionários da Ásia não tiveram direção única, nesta quinta-feira (25). As bolsas de Xangai e Seul caíram, enquanto Tóquio subiu. Como destaque no dia, o Banco Central da Coreia do Sul elevou juros, destacando pressões na inflação.

Na China, a Bolsa de Xangai fechou em queda de 0,24%, em 3.584,18 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, recuou 0,33%, a 2.512,22 pontos.

A corretora Jinxin Futures considerou que houve mais cautela entre operadores nesta quinta, após a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mostrar que alguns dirigentes veem mais urgência para elevar juros nos Estados Unidos, diante do quadro na inflação. Ações ligadas ao turismo e à logística puxaram as baixas no mercado chinês.

Já na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei fechou em alta de 0,67%, em 29.499,28 pontos, recuperando-se em parte da queda mais forte do dia anterior. O sentimento foi apoiado pela decisão do governo de emitir novos bônus no ano fiscal de 2022, a fim de financiar um orçamento extra para o atual ano fiscal. Ações ligadas ao setor financeiro se destacaram, com Sumitomo Mitsui Financial em alta de 1,2% e Mitsubishi UFJ Financial Group, de 0,1%. Daiwa Securities registrou ganho de 1,4%.

Na Bolsa de Seul, o índice Kospi terminou em baixa de 0,47%, em 2.980,27 pontos, em sua terceira queda consecutiva. Papéis de empresas de eletrônicos, do varejo e de companhias aéreas lideraram o movimento negativo. O BC sul-coreano elevou a taxa básica de juros de 0,75% a 1,00%, como esperado pela maioria dos analistas, e deu a entender que pode revisar para cima sua expectativa para a inflação no país. Esta foi a segunda elevação nos juros em três meses e a Capital Economics projeta mais três altas ao longo de 2022 pelo BC da Coreia do Sul.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou com ganho de 0,22%, em 24.740,16 pontos. Papéis ligados ao setor de tecnologia em geral se saíram bem. Em Taiwan, o índice Taiex subiu 0,07%, a 17.654,19 pontos, após oscilar entre perdas e ganhos ao longo do dia.

Oceania

Na Oceania, na Bolsa de Sydney o índice S&P/ASX 200 registrou alta de 0,11%, para 7.407,30 pontos. O avanço de papéis de mineradoras compensou a fraqueza de ações do setor financeiro, no mercado australiano. O setor de tecnologia esteve em território positivo.

(Com Reuters e Agência Estado)

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