Queridinha por muito tempo dos investidores, as ações do Magazine Luiza têm sido penalizadas pela pandemia e piora no cenário macroeconômico brasileiro. No ano, o tombo já supera os 64%, sendo 17,2% só em novembro.

Com uma desvalorização tão grande, tem muito investidor se perguntando se é uma boa hora para aproveitar esse momento de baixa para comprar os papéis da varejista. Para os especialistas ouvidos pelo 6 Minutos, o momento é de cautela.

Para Hugo Baião Baeta, analista de investimentos da AF Invest, ainda não é um bom momento para comprar. “A companhia caiu drasticamente, mas ainda negocia a patamares altos e achamos que ela vai sofrer um pouco mais pela conjuntura atual. O Magalu é um dos benchmarks do setor, com uma das melhores gestões e é referência de marca, mas achamos que, atualmente, a relação de risco e retorno não é tão atrativa, principalmente em comparação com outras companhias da bolsa.”

Mas esse sentimento negativo não é generalizado. Everton Medeiros, especialista da Valor Investimentos, diz que a varejista entrega resultados sólidos e que, apesar da queda dos últimos meses, vale a pena incluir as ações no portfólio pensando no médio e longo prazo.

“Apesar de estar em queda agora, o Magazine Luiza é uma empresa bem gerida. Para quem tem ativos, faz sentido manter. Para quem ainda não tem, estamos em um bom ponto de entrada, de forma gradual. No curto prazo (em até seis meses), o investidor deve ter um pouco mais de cautela, já no médio e longo prazo, o cenário tende a ficar mais positivo”, afirma Medeiros.

Vale lembrar que o Magalu não está sozinho nesse cenário de desvalorização de ativos. Os papéis da Via, dona da Casas Bahia e Ponto, já perderam 65% de valor neste ano. Os da Americanas caíram 55%.

E quem tem ações? Mantém ou vende? “Pensando em um movimento de prazo mais longo, para carregar por um ano, um ano e meio, acho que uma venda para alocar em outras oportunidades, com um valuation mais atrativo, vale a pena”, afirma Baeta.

Vitor Bueno, analista da Nord Research, diz que não dá para saber como as ações vão se comportar nos próximos meses, por isso os investidores precisam ficar atentos a todas as movimentações da empresa para avaliar se é o caso de vender ou manter.

“O mercado paga um preço alto pelo crescimento da companhia. O cenário melhorou em comparação ao início do ano, está mais atrativo comprar as ações do Magalu, mas ainda entendemos que não compensa pelas incertezas e riscos do negócio. Não adianta só comprar ações da empresa que tem potencial de crescimento, mas comprar por um preço razoável”, afirma.

Por que as ações do Magalu estão caindo?

Assim como todas as varejistas, a empresa está sendo penalizada pela inflação mais alta, que faz com que o BC (Banco Central) precise adotar uma política monetária mais dura – o que é um remédio amargo para a economia, já que as taxas de juros mais altas inibem a atividade econômica.

A empresa também provisionou uma quantidade de estoque menor para o quarto trimestre, período que costuma ser aquecido pela Black Friday e pelas festas de final de ano.

“De um lado, a redução é vista como positiva, porque significa que a empresa não está deixando tanto dinheiro em estoque, mas gera um pouco de incerteza, porque dá a entender que não está acreditando no aumento das vendas”, afirma Medeiros.

Hoje, grande parte das vendas do Magalu são de bens duráveis, eletrônicos e eletrodomésticos e o cenário brasileiro prejudicou esses produtos. “O público consumidor do Magalu é de uma classe social mais baixa e, aqui no Brasil, grande parte da renda dessa população está sendo comprometida com a compra itens essenciais, sobrando pouco espaço para os produtos da empresa”, afirma Baeta.

Outro ponto relevante é a concorrência com outras empresas do setor, como Amazon, Mercado Livre e Americanas.

De acordo com Baeta, o aumento da inflação também diminuiu as margens de lucro da companhia, já que pagam mais caro pelo produto, mas não conseguem repassar 100% do aumento ao consumidor final.

“Do ponto de vista mais técnico, de valuation das ações, com o aumento da taxa de juros que vem junto com a inflação, a taxa de desconto que você aplica sobre a geração de caixa futuro aumenta. Em companhias como o Magazine Luiza, que crescem muito ano a ano, a geração de caixa está no futuro. Quando a Selic aumenta, companhias são mais sensíveis a taxa de juros”, afirma Baeta.

Com o aumento da concorrência, as empresas de e-commerce no geral precisam gastar mais com marketing e oferecer melhores ofertas de logística, por exemplo, o que faz as margens reduzirem ainda mais.

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