Atualizado às 18h20

Os investidores gostaram do que viram no balanço do terceiro trimestre do Bradesco, divulgado ontem depois do fechamento do mercado. Nesta sexta (5), as ações preferenciais da empresa subiram 4,93% e as ordinárias, 4,05%.

O resultado da empresa ficou acima do esperado, com aumento de 35% no lucro líquido em comparação ao ano anterior, puxado pelo resultado de seguros, que se recuperou mais rápido do que se imaginava.

“Embora o banco tenha consumido 28 ponto percentual de índice de cobertura, o atual nível de 297% ainda é superior aos pares privados (250% do Santander e 234% do Itaú), enquanto o índice de inadimplência também cresceu em um ritmo inferior ao dos pares. Com isso, enxergamos o Bradesco como o mais defendido em um cenário macroeconômico mais desafiador à frente, embora acreditemos que o pico da inadimplência ainda esteja por vir”, afirma relatório da XP.

A Genial Investimentos diz que o lucro de R$ 6,8 bilhões da empresa impressionou. “Temos uma avaliação positiva do resultado trimestral do Bradesco, principalmente pela boa recuperação de linhas que estavam pressionadas como a de seguros e serviços, pelo crescimento acentuado da carteira de crédito com melhora de mix, e pelo maior índice de provisionamento e capital entre os pares”, afirma relatório da casa.

Como efeito, as ações de outros bancos também subiram nesta sexta. Os papéis do Banco do Brasil tiveram valorização de 2,23% e os Santander, de 1,12%. Itaú, porém, caiu 1,21%.

Balanço do Bradesco

O Bradesco divulgou nesta quinta um lucro do terceiro trimestre pouco acima das expectativas dos analistas e elevou as projeções para crédito e receita de tarifas para 2021.

O lucro recorrente, que exclui itens extraordinários, cresceu 34,5% sobre um ano antes, para 6,767 bilhões de reais, acima da estimativa média de 6,469 bilhões de reais compilada pela Refinitiv.

O Bradesco previu que sua carteira de crédito crescerá entre 14,5% e 16,5% neste ano, ante projeção anterior de 9% a 13%. As receitas de tarifas devem crescer de 2% a 6%, disse o banco, ante projeção anterior de alta de 1% a 5%.

O presidente-executivo do banco, Octavio de Lazari, disse que a mudança refletem a volta das operações para os níveis anteriores à pandemia. “Apesar de algumas incertezas, quando olhamos no retrovisor, vemos que a pandemia ficou para trás”, afirmou no relatório.

A carteira de crédito do Bradesco cresceu 16,4% em relação ao ano anterior e 6,5% no trimestre, impulsionada pelos cartões de crédito, crédito imobiliário e segmento corporativo.

A receita líquida com juros, uma medida dos ganhos com empréstimos menos custos com captação, aumentou 2,7% em relação ao ano anterior, para 15,7 bilhões de reais, apesar dos menores ganhos da tesouraria.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador da rentabilidade dos bancos, cresceu um ponto percentual em relação ao trimestre anterior, para 18,6%.

O lucro do banco também foi ajudado por menores provisões para perdas com empréstimos, que caíram 39,9% em relação ao ano anterior, uma vez que o aumento esperado da inadimplência devido à crise provocada pela pandemia não se concretizaram.

O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou quase estável, em 2,6%.

(Com Reuters)

 

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