A queda no preço do minério de ferro derrubou o preço das ações da Vale. No ano, os papéis acumulam queda de 7,8%, sendo 4,13% só em novembro. O 6 Minutos ouviu especialistas para saber se é uma boa hora para aproveitar esse momento de baixa para comprar ou se é melhor repensar a composição da carteira de ações.

De acordo com os especialistas, a queda não é motivo para pânico, pois a empresa é sólida e continua sendo uma boa opção aos investidores, apesar do cenário macroeconômico estar jogando contra a companhia.

“O preço do minério de ferro passou de US$ 200, e, em menos de um semestre, caiu para a casa dos US$ 100. Isso aconteceu por causa da desaceleração da economia da China, pela crise com a Evergrande e pelas restrições relacionadas às Olimpíadas de Inverno”, afirma João Beck, economista e sócio da BRA.

Por que a China reduziu o uso do minério? Para reduzir as emissões de CO2 antes das Olimpíadas, que acontecem no ano que vem, o governo chinês determinou cortes na produção de aço para garantir “céu azul” quando os jogos começarem. Por isso, segundo a XP, as siderúrgicas vão ter que diminuir a quantidade de gases poluentes em pelo menos 40% na comparação anual nos dias que antecedem ao início dos jogos no ano que vem.

Tem outro motivo para a queda? O resultado da companhia no terceiro trimestre também decepcionou e influenciou na queda das ações da Vale. De acordo com relatório da XP, as vendas frustraram.

“Foi um bom balanço que mostrou crescimento no ano a ano, mas a expectativa do mercado era muito alta. Olhando com uma visão mais macroeconômica, vemos vários motivos, mas o principal foi a queda no preço do minério de ferro”, afirma Beck.

Vale a pena investir em ações da Vale?

Para a Genial Investimentos, é hora de comprar ações da companhia. “Acreditamos que os níveis de demanda devem continuar satisfatórios e mesmo com toda a turbulência no mercado chinês projetamos uma ascensão na produção tendo em vista o próprio plano de retomada da companhia”, afirma relatório da empresa.

Mas os especialistas alertam que tudo depende do perfil do investidor e da composição da carteira – se uma pessoa já têm muitos papéis do setor, por exemplo, a recomendação pode ser diferente daqueles que não têm nenhum dinheiro alocado em mineração.

“Se o investidor tem baixa exposição a commodities, vale a pena apostar sim. No entanto, é preciso avaliar o mercado brasileiro como um todo, além do portfólio do cliente e ver qual o risco que aceita tomar”, afirma Vitor Souza, analista da Valor Investimentos.

Beck explica que é difícil prever movimentações relacionadas ao governo chinês, como as restrições de produção de minério de ferro ou a solução para o problema imobiliário do país, mas o investidor deve focar na tendência de que as economias mundiais acelerem. Quando isso acontecer, a demanda por minério de ferro vai aumentar.

“A Vale é uma empresa segura e que está sendo considerada barata pelo mercado. Está em um setor que produz um tipo de matéria-prima que é insubstituível. Acho que o investidor pode contar mais com o crescimento dos países e investir na empresa”, afirma Beck.

Nesse momento, o preço da ação também importa. “Acreditamos que a Vale é um bom investimento, principalmente em um horizonte de longo prazo. Nesse preço atual, ainda tem uma base de crescimento interessante”, afirma Luiz Fernando Araújo, CEO da Finacap Investimentos.

Não é só a valorização dos papéis que importam. Para os especialistas, o que torna as ações da Vale bastante interessantes é o pagamento de dividendos. Um levantamento da Economatica, divulgado pelo Estadão Conteúdo, mostra que a Vale pagou R$ 73 bilhões em dividendos até setembro, o maior valor entre as empresas listadas na B3.

“No longo prazo, vale a pena ter a Vale na carteira, porque, além da valorização da ação em si, oferece um bom pagamento de dividendos”, afirma Alexandre Achui, head da mesa private de ações e sócio da BRA.

Corte de preço-alvo da ação

Por conta do cenário macroeconômico, algumas casas cortaram o preço alvo da ação da Vale. A Ativa Investimentos reduziu de R$ 120,40 para R$ 84,50.

“As casas de análise são muito reativas ao contexto de curto prazo e entendo que o corte nos preços alvos das ações tenha a ver com o preço do minério de ferro”, afirma Araújo.

Nesta sexta-feira (26), o pânico tomou conta dos mercados globais com o surgimento de uma nova variante da covid na África do Sul e, assim como a maior parte dos papéis listados no Ibovespa, as ações da Vale fecharam em queda.

Para Achui, caso haja um retorno das restrições relacionadas a pandemia, isso pode aumentar a volatilidade dos preços das commodities, com destaque para o minério de ferro e o petróleo. No entanto, ainda é cedo para prever a dimensão do impacto para as ações da Vale.

“O preço do minério de ferro encontrou suporte na faixa de US$ 90/100, somente um surto incontrolável na China faria o preço cair mais. Durante a pandemia, desde fevereiro de 2020 até março de 2021, o preço chegou a bater os US$ 200. Ainda é cedo para afirmar, porque a OMS está avaliando a nova cepa em relação à efetividade das vacinas existentes. Setores relacionados à turismo, como empresas aéreas, construção e consumo são mais afetados”.

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