A ITA (Itapemirim Transportes Aéreos), companhia aérea pertencente ao grupo que leva seu nome, começa a voar para sete capitais do país a partir de 30 de junho. Mas os planos de expansão são mais ousados: a ideia é chegar a a 150 municípios em até cinco anos.

Com forte presença no transporte rodoviário, a Itapemirim planeja fazer uma integração entre os dois modais, permitindo que o passageiro faça parte de sua viagem de avião e complemente o destino de ônibus. Para facilitar, a venda das passagens de ônibus e de avião também será integrada, ou seja, acontecerá no mesmo canal.

Sidnei Piva, presidente do grupo Itapemirim, disse que a Itapemirim vai devolver ao passageiro pequenos prazeres da viagem aérea que foram eliminados (ou passaram a ser cobrados) nos últimos anos, caso do serviço de bordo e embarque de bagagem.

“Queremos que a pessoa tenha sinta o prazer e dignidade de voar, de entrar no avião e tomar sua bebida ou fazer uma refeição digna. O passeio vai começar quando a pessoa entrar no avião, vamos transformar nossa marca em sinônimo de excelência e trabalho”, disse.

Leia abaixo entrevista que Piva deu ao 6 Minutos.

Não dá medo lançar uma companhia aérea em plena pandemia? O setor aéreo foi um dos mais afetados e você está entrando nesse segmento.

É desafiador e, ao mesmo tempo, emocionante. Mas não é um projeto que nasceu do dia para a noite. Ele nasceu no final de 2016, início de 2017. A ideia era ter uma companhia aérea bem menor, era para ser regional. Mas não tivemos oportunidade de levar adiante, pois estávamos conversando com a Bombardier e no meio do caminho ela foi comprada pela Airbus.

Começamos a trabalhar no projeto de novo e a ideia era lançar a companhia em 2019, 2020. Mas aí veio a pandemia e abalou o mundo todo.

Mas também vi nesse momento uma oportunidade. Dificilmente, as grandes companhias e empresas de leasing olham para os novos entrantes do mercado. Mas com a pandemia, 90% das empresas ficaram no chão. Então, essas empresas precisavam de novas companhias para voar com seus aviões. E nós tivemos a oportunidade de pesquisar a melhor aeronave.

Coincidiu que uma empresa havia parado suas atividades e outra fez muitas demissões. Então, achamos um número muito alto de profissionais qualificados com conhecimento de equipamentos, de manutenção para formar uma equipe experiente para trazer credibilidade para nosso projeto.

Não vai mais ser regional?

Vai ser uma empresa totalmente, que não deixa de ser regional, mas que vai voar para todo o território nacional. Nossa intenção é ter de 30% a 40% do mercado em cinco anos. Acreditamos, pelo assédio dos investidores e proposta de parcerias, que esse tempo pode ser até menor de cinco anos. Vamos voar para 35 cidades com 50 aeronaves, isso não é uma projeção, já é um número consolidado.

Como fica o mercado com a possível compra da operação brasileira da Latam pela Azul?

Não acredito nessa compra. A Latam está num processo de recuperação internacional e a maior fatia dela ainda é Brasil. Não torço contra a Azul, mas sou a favor de ter mais companhias e não menos companhias. Por isso, gostaria que a Latam continuasse. Não seria bom para o mercado ter menos companhias.

A ITA vai vender passagens mais baratas que a concorrência? Vocês estrearam a venda com preços a partir de R$ 119,90.

Não teremos um preço menor, não vamos fazer guerra tarifária. Como estamos fazendo vendas futuras, é lógico que dá para colocar uma parte dos assentos com preços promocionais. É uma fora de atrair o cliente para que ele conheça a companhia, seus serviços e atendimento.

Não gosto do título de empresa low cost. Nenhuma empresa brasileira é low cost. Acho que tem que praticar o preço justo e oferecer o serviço justo para quem está pagando.

Qual vai ser o diferencial que a empresa vai oferecer?

Nossa preocupação é com o cliente e por isso teremos diferenciais de serviços que serão permanentes, não são promoção de lançamento. Esse é o caso do embarque da mala: o passageiro não vai ter a preocupação de ficar levando mochila, andar com coisa pendurada só para não pagar R$ 160 para despachar a bagagem. Nossos aviões têm capacidade para 188 passageiros, mas configuramos para 160 lugares para dar mais conforto ao passageiro. Isso não vai comprometer o custo da passagem e a pessoa terá uma viagem mais agradável.

Pretendemos oferecer um serviço de bordo sem custo ao passageiro. A expectativa é que o serviço de bordo seja liberado a partir do fim do ano.

Queremos que a pessoa tenha sinta o prazer e dignidade de voar, de entrar no avião e tomar sua bebida ou fazer uma refeição digna. O passeio vai começar quando a pessoa entrar no avião, vamos transformar nossa marca em sinônimo de excelência e trabalho.

Teremos um programa ousado de milhagem, algo que ainda não existe no mercado. Não posso dar detalhes, mas será um programa que devolverá benefícios para o cliente. Vai ter muitas vantagens e facilidade para negociar os pontos.

Vai ter integração com as viagens rodoviárias?

Com o ônibus, estamos em 19 Estados e 2.700 cidades. E transportamos mais de 3 milhões de pessoas por ano [pelo meio rodoviário]. A ideia é dar conforto esse passageiro e a oportunidade de fazer uma parte da viagem de avião. Por isso, queremos encurtar o tempo da viagem de quem vai de ônibus. Vamos levar para ele uma tarifa mais barata. Acreditamos que haverá uma migração forte para esse modelo integrado, principalmente para quem faz viagens rodoviárias mais longas hoje. As vendas dessas viagens integradas deve começar em janeiro de 2022.

Passada a pandemia, as pessoas vão viajar como loucas?

Isso já está acontecendo. Abrimos a venda de passagens no dia 21 de maio e já temos picos de consulta e venda para outubro, novembro, janeiro e fevereiro. Acredito que teremos lotação máxima em todos os destinos turísticos. Com o avanço da vacinação e com mais pessoas imunizadas, vai aumentar a ansiedade para viajar. Vai ser difícil segurar as pessoas em casa após quase 2 dois anos de isolamento. Acreditamos que as viagens corporativas também vão voltar.

E como é sair da recuperação judicial?

Menos de 3% das empresas que entram em recuperação judicial conseguem sair dela. Para mim, estamos saindo com todas as honras e de uma forma diferente de como entramos. Não estamos saindo só com as obrigações em dia, mas montando um dos maiores cases de sucesso. Além do modal aéreo, também estamos no ferroviário e no rodoviário. Temos um trabalho grandioso para fazer.

Crédito: Ilton Barbosa/Divulgação

 

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).