A Clickbus quer mudar a forma de comprar passagens rodoviárias no país. A ideia é convencer o cliente da viagem de ônibus a adquirir seus bilhetes pela internet, assim como faz o passageiro de avião.

Phillip Klien, CEO da Clickbus, disse que a empresa quer ajudar a quadruplicar as vendas digitais de passagens rodoviárias. Hoje, apenas 20% desses bilhetes são comercializados pelos canais online. A meta é elevar essa participação para 80% nos próximos anos.

Uma das formas de ganhar esse cliente é por meio de promoções. A ClickBus vai dar descontos de até 90% nos preços das passagens rodoviárias na Black Friday.

Justamente por ser mais barato que o avião, Klien acredita que vai ter muito passageiro de avião fazendo viagem de ônibus. “É muito mais barato viajar de ônibus. E isso tem se refletido na venda de passagens. As vendas dos três últimos feriados superaram a de 2019, ano pré-pandemia. Muitas viagens que seriam feitas de avião, agora voltaram a ser feitas de ônibus.”

Leia entrevista de Klien ao 6 Minutos:

Qual a meta de crescimento da ClickBus para os próximos anos?

Podemos olhar para a frente, mas é bom olhar para trás para entender esse mercado. Quando a empresa começou, em 2013, o cenário era totalmente diferente. Hoje, está mais próximo e 20%. Ou seja, aumentamos em 10 vezes a penetração da indústria. A pandemia ajudou a acelerar esse crescimento. Em 2019, as vendas digitais representavam 12% do setor.

Sabemos que existe uma questão de hábito: o cliente de viagem rodoviária está acostumado a comprar no guichê da viação. Nossa grande missão é mostrar vantagens para esse cliente migrar sua compra offline para o canal online.

Quando olhamos para 2022 e próximos anos, queremos que a venda pelos canais digitais alcance 80%, 90%. No modal aéreo, é raro o passageiro que vai até o aeroporto comprar passagem.

E como a empresa planeja desenvolver e ampliar a venda de passagens de ônibus pela internet?

Quando a gente olha para o curto prazo, estamos vivenciando uma revolução na forma de trabalhar. O trabalho híbrido, que muitas empresas estão adotando, permite que o funcionário morte em outra cidade. Existem várias tendências a serem observadas que devem ser aproveitadas, como essa. Essa pessoa que vem 2 vezes por semana para São Paulo pode usar o modal rodoviário em vez de dirigir o próprio carro.

Também queremos trazer a maravilha do digital para o setor, com todos os benefícios da otimização que podem ser explorados, como programas de fidelidade ou melhorar a oferta.

Também podemos ajudar as viações a melhorar seus indicadores de performance. Como markeplace de passagens, temos essa visão de oferta.

Vai ter programa de fidelidade?

Pode até existir, mas o rodoviário é um segmento diferente do aéreo, que tem praticamente 4 grandes empresas. No rodoviário, são mais de 200 autorizadas pela ANTT (agência do setor). É um setor com foco muito regional. Enxergamos que existe a possibilidade de atacar as dores dos usuários e oferecer diferenciais em âmbito nacional.

Queria entender melhor o plano para elevar para 80% a venda digital de passagem de ônibus.

Temos uma série de apostas, algumas de curto e outras de médio e longo prazo. O principal é ter a visão do cliente, entender suas dores, sua jornada. E aí, com esses dados, oferecer os benefícios que vão fazer diferença. E as viações vão ter vantagens, não precisarão de pontos físicos de venda de passagem. Queremos casar as dores do viajante com as das viações. Uma mudança possível é implementar a tecnologia de precificação do sistema aéreo, que permite preços menores a quem compra com antecedência. Hoje, o preço da passagem rodoviária é o mesmo para quem compra na hora do embarque e de quem compra meses antes. Podemos usar a tecnologia para estimular a compra, dar desconto para quem compra duas passagens ou oferecer parcelamento.

Dá para dizer que o turismo voltou, inclusive o rodoviário?

O aumento da vacinação permite que as pessoas voltem a fazer turismo, voltem a visitar suas famílias. Isso já fomenta uma recuperação forte do setor de turismo. De março para abril de 2020, a venda de passagens caiu 90%. A recuperação foi acontecendo vagorosamente. Vemos agora pessoas fazendo sua primeira viagem após 12, 18 meses sem sair de casa. Essa retomada de comportamentos pré-pandemia está sendo ditada pela pandemia.

O modal rodoviário está roubando passageiros do aéreo?

É preciso lembrar que ainda existem restrições internacionais, não dá para viajar para muitos países ainda. Por isso, o turista acaba focando para dentro do Brasil, onde as viagens estão subindo. Tem o fator preço: a redução da malha aérea e os combustíveis encareceram muito as passagens aéreas. É muito mais barato viajar de ônibus. E isso tem se refletido na venda de passagens. As vendas dos três últimos feriados superaram a de 2019, ano pré-pandemia. Muitas viagens que seriam feitas de avião, agora voltaram a ser feitas de ônibus.

Mas as passagens de ônibus também subiram, não?

Como trabalhamos com quase todas as viações, para mais de 4.000 destinos, é difícil avaliar o preço médio. Vimos mudanças de tendências: muita viagem para o interior e menos para a praia, por exemplo. E como viagens para o interior são mais curtas, são mais baratas também. No ápice da pandemia, tivemos uma redução de preço e agora está havendo uma aceleração.

Vai ter promoção de Black Friday?

Temos orgulho de dizer que ajudamos a fomentar a Black Friday nesse segmento. Como não tem feriado no final de novembro, começamos a incentivar o preço promocional. Fizemos um investimento grande para 2021, estamos ansiosos. Nossa expectativa é crescer 54% nessa Black Friday. Já estamos mostrando as promoções no aplicativo, vamos ter descontos de até 90%.

Como vocês vão fechar o ano?

Mesmo com a segunda onda de coronavírus, vamos ter o melhor ano de nossa história. Esperamos por um crescimento de 10% a 20% sobre 2019. Esse aumento reflete muito da migração das vendas offline para o online, a digitalização do setor.

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