O Grupo Uni.co (dono das marcas de franquias Imaginarium, Puket, Casa MinD, Love Brands e GUTEN) estava pronto para fazer um IPO quando recebeu uma proposta da Americanas. As conversas foram adiante e a Americanas acabou levando 70% do grupo em abril.

O acordo, que ainda precisa do aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), prevê a aquisição dos 30% restantes em três anos.

O CEO da Uni.co, Wellington Santos, disse que a venda para a Americanas não tira a independência do grupo, que continua com autonomia para conduzir seus negócios. Só que agora a Uni.co se transformou no braço de franquias da Americanas.

Para os próximos anos, a meta do grupo é expandir a rede de lojas das atuais marcas – passar de 450 para 800 operações em até cinco anos – e comprar outras. Na mira da Uni.co estão empresas do universo geek, de produtos infantis, de acessórios pet, de moda e vestuário, de live commerce, entre outras.

Além disso, o grupo pretende fortalecer suas principais marcas: Puket e Imaginarium. No próximo ano, a Puket terá formato de lojas maiores que venderão novas categorias de produtos, como roupa de sair. Já a Imaginarium entrará na categoria de produtos tech e eletrodomésticos diferenciados.

O fato de fazer parte da Americanas permitirá em algum momento que a Uni.co explore melhor as opções de omnicanalidade entre as marcas. Está em fase de teste a possibilidade de comprar produtos na Americanas e retirar em uma das unidades da Uni.co. No futuro, a ideia é que as compras feitas na Uni.co também possam ser retiradas nos pontos de venda da Americanas.

Leia abaixo entrevista com Wellington Santos ao 6 Minutos:

O que mudou para você com a venda para a Americanas?

Somos uma plataforma de marcas e franquias. A compra nasceu com esse propósito de trazer novas marcas e tornar as atuais marcas maiores, melhores e mais longevas. Detemos um know how de 30 anos de varejo, com foco em franquias. A combinação com a Americanas complementou os pontos de evolução.

Como essa aproximação começou?

Quando conhecemos a Americanas, a gente estava no meio de um processo de IPO. A ideia era abrir capital para captar recursos e fazer novas aquisições. No final do processo de IPO, apareceu a Americanas com interesse de fazer sociedade e criar uma nova vertical de negócios. Acreditamos que a combinação traz um diferencial para a estratégia da Americanas de franquias. E está alinhada com propósito de ser uma plataforma de marcas de franquias.

A gente viu que fazia sentido a combinação de negócios e concluiu esse processo com a missão de desenvolver a vertical de franquias e unir competências.

O que será feito com o dinheiro que entrou?

Diria que o crescimento vai se dar em duas grandes vertentes. A primeira é o crescimento de nossas marcas. Temos um plano agressivo de passar de 450 para 800 operações no prazo de três a cinco anos. Outra vertical de crescimento é a aquisição de novas marcas e usar o know how para fazer marcas cada vez maiores e melhores.

Que marcas interessam ao grupo?

São dois grandes blocos. Um é de marcas dos segmentos em que já atuamos. Temos uma atuação forte no infantil. Estamos olhando para o segmento de fun design, casa e decoração. Olhamos para empresas complementares ao nosso escopo de atuação. E também buscamos empresas do mundo geek, universo pop, moda íntima, acessórios pet. O mundo geek é uma fortaleza que deve acelerar bastante.

Qual o orçamento para essas aquisições?

Esse é um número que não podemos falar. Mas temos a intenção de fazer de dois a três M&As (fusões e aquisições) por ano nos próximos cinco anos. Depende das oportunidades. Temos um direcionamento de target, mas não precisamos ficar restritos a ele.

E como vocês vão crescer as marcas atuais?

Do plano de chegar a 800 operações, 60% disso é com Puket e 40% com Imaginarium. Temos um plano de expansão de mudar o formato de loja da Puket, com espaço maior, mix maior de produtos. Hoje, a Puket é muito focada em homeweare, com pijama, meia. Vamos ter categorias de outwear, ou seja, roupa para usar em casa e para sair na rua. Vamos ter calçados e acessórios para complementar o mix.

E a Imaginarium já tem a beleza de ser uma loja multicategoria. Estamos estudando um posicionamento maior para a marca. Vimos na pandemia a compra de itens para casa. Queremos acelerar isso testando com eletrodomésticos diferenciados. E outra categoria que deve crescer na representatividade é a de itens de tecnologia, como acessórios para celular, computador, áudio.

E como vai a integração de canais com a Americanas?

Acabamos de lançar nossa loja oficial dentro da Americanas. E temos algo diferente dentro do marketplace. Estamos testando compra no site e retira em qualquer loja do país. A pessoa entra no site, informa o CEP e a gente da a opção de retirar na loja mais próxima ou receber em até 3 horas. Nosso modelo de marketplace é totalmente diferente do que tem hoje no mercado. Hoje, cada loja abre sua loja virtual e opera de forma independente. O cliente procura um produto e vê 10 iguais, um de cada loja.

Nós criamos esse modelo de estoque único, subimos no site o estoque de todas as lojas. Mas quando o cliente procurar um item, ele vai ser direcionado para a loja mais próxima. Nós simplificamos o trabalho da loja, que nem sempre tem know how para operar esse sistema. Nos outros lugares, cada loja tem que operar a sua própria plataforma e o cliente vê 50 opções do mesmo produto sem saber qual está mais perto dele.

Vai dar para comprar na Uni.co e retirar na Americanas?

A gente já começou com o inverso: compra na Americanas e retira numa loja nossa. Se funcionar bem, a próxima perna será permitir comprar na Uni.co e retirar na Americanas.

A Americanas interfere na gestão e planejamento de negócios?

O combinado e que foi definido é que temos independência para nossa operação. Não temos uma integração, mas uma sinergia pra desenvolver a nova vertical do negócio de franquias da Americanas.

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