Mais de um ano depois de aderir ao home office, os funcionários do Bmg começam a retornar ao escritório em agosto. A volta ao presencial não será total nem imediata. Ana Karina Bortoni, CEO da instituição, diz que o retorno será pelo modelo híbrido de trabalho (parte em casa e parte na empresa) e de acordo com o calendário de vacinação contra a covid-19.

Em um primeiro momento, a sede do Bmg vai receber apenas 15% dos colaboradores. Esse percentual deve ir aumentando gradativamente.  “Nunca mais voltaremos full ao escritório. A gente prevê ter 40% da turma na empresa [no pós-pandemia]. Vai ser uma volta gradual, alinhada com a vacinação”, disse Ana Karina.

Para chegar a esse modelo de trabalho, o Bmg fez mais de cinco pesquisas junto aos colaboradores. Uma delas perguntou quantos dias eles gostariam de trabalhar de casa, em uma escala de 1 a 4 dias. A maioria respondeu de 2 a 3 dias. “Vai ter app para reservar mesa, teste semanal. Não adianta falar que vai ser híbrido, precisa de uma infraestrutura híbrida.”

Em entrevista ao 6 Minutos, Ana Karina falou também sobre o que é ser a única mulher presidente de um banco de capital aberto e da necessidade de programas de aceleração de carreiras para as mulheres chegarem a cargos de chefia.

Leia íntegra da entrevista com a CEO do Bmg ao 6 Minutos abaixo.

É muita responsabilidade ser a única mulher na presidência de um banco de capital aberto no Brasil? É uma grande responsabilidade. Acho uma pena isso, pois temos uma infinidade de mulheres super competentes no setor financeiro. Acredito que esse quadro vai mudar, porque há uma tendência de se buscar a equidade de gênero [nas organizações]. Não faz sentido não ter equidade em cargos de liderança.

Como é a participação feminina no Bmg? No conselho do banco, somos 50%. O conselho tem oito pessoas e quatro são mulheres. Na diretoria, são três mulheres entre 12. A proporção de mulheres é maior ainda na base e, conforme vai subindo de cargo, essa participação diminui.

Vocês têm alguma política interna para equidade de gênero? Política, não. Mas temos um trabalho de diversidade e inclusão focado nos grupos minorizados. No mês de junho, por exemplo, fizemos várias ações para o público LGBTQIA+.

Uma coisa positiva que a gente criou foi a licença-paternidade de dois meses. Essa medida despertou um olhar de que todo mundo pode ficar fora por um tempo e tudo bem, independentemente de gênero. A licença-maternidade é de seis meses.

Você já sofreu discriminação por ser mulher? Vejo essa questão da discriminação como algo estruturante. Não tenho uma história forte para contar de discriminação. Mas existem situações que acontecem todos os dias. Já fui a única mulher de diversas reuniões, por exemplo. Já passei por situações de discriminação, principalmente quando era mais júnior.

O que fez a diferença para superar essa situação e crescer na carreira? Acho que foi fazer minha carreira em um lugar [McKinsey] que fomenta a equidade de gênero. Tive bons mentores quando era júnior. Havia poucas mulheres, fiz parte do primeiro pelotão que cresceu e virou sócia da empresa. A McKsinsey tinha um olhar e um cuidado importantes com esses temas. Na volta da licença-maternidade, por exemplo, um sponsor ajudava a fazer as conexões com os clientes.

Muita gente reclama da falta de limites entre a vida pessoal e profissional no home office. Como foi para você? Para mim foi muito especial poder trabalhar de casa. Quando que eu imaginaria que conseguiria almoçar todos os dias com minhas filhas? Eu sempre saí cedo para trabalhar, voltava à noite. Na McKinsey, eu viajava muito. Agora, estou no escritório e minha filha de 13 anos está aqui ao lado. Ela pode passar aqui, me dar um beijinho. O ambiente domiciliar tem sido muito bom.

Como tem sido o home office para os funcionários do Bmg? Identificamos uma aceitação muito grande do home office nas cinco pesquisas que fizemos com os colaboradores. Perguntamos quantos dias eles preferiam trabalhar de casa, entre 1 e 4 dias, e a maioria respondeu de 2 a 3 dias. Isso nos permitiu trabalhar com um escritório menor, por isso entregamos alguns pisos e começamos uma reforma. A ideia é ter um escritório com mais integração, porque o lado positivo do trabalho híbrido é a integração. Nunca mais voltaremos para o modelo full [presencialmente]. A gente prevê que teremos 40% da turma no escritório, vai ser uma volta gradual, alinhada com a vacina.

O novo escritório será inaugurado em agosto. Voltaremos com 15% de pessoal em agosto e vamos aumentando até chegar a 40%. Mas isso obedecerá a todos os protocolos sanitários, terá teste semanal, reserva de mesa. Não é só falar que vai ser híbrido, tem que oferecer infraestrutura para ser híbrido.

O modelo híbrido parece uma tendência, mas sofre algumas críticas… A pandemia promoveu muitas transformações nos modelos de gestão. Aprendemos que a comunicação tem que ser muito forte e o colaborador precisa de um feedback excelente. Estudos mostram que algumas situações fomentam a discussão e a inovação, que é o estar junto. Por isso, não adianta trazer o funcionário para o escritório para ficar trancado numa sala fazendo vídeo. A gente quer pegar o melhor do home office com o melhor do presencial.

Tudo é uma questão de testar, aprender e ajustar. Ninguém sabe qual vai ser o melhor modelo, mas a gente aposta no híbrido. Ele foi construído ouvindo funcionários. A gente vai começar a testar mais forte agora. Eu sinto falta do escritório. Quando vou, adoro.

E falando de Bmg: o consignado ainda continua importante para o banco? Nossa grande mudança foi sair de um nicho para um banco completo, com conta corrente, conta digital. A gente ainda acredita muito no consignado, não perdemos nossa origem. Nossa carteira ainda é majoritariamente consignada. Das 3,9 milhões de contas digitais, 50% são de clientes consignáveis.

A gente se posiciona hoje como figital, queremos oferecer a melhor interação entre os canais. Continuamos com o consignado, mas com uma proposta de banco digital que conhece o cliente, entende esse cliente do Brasilsão. E com essa proximidade, queremos trazer as melhores funcionalidades do banco digital aos clientes.

Como o Bmg se diferencia dos outros bancos digitais? A gente tem uma proposta de conhecer bem o público-alvo, temos a confiança do cliente e reforçamos isso com produto, com boa usabilidade e atendendo à necessidade do usuário. E temos diferenciais, como o Volta Pra Mim [cashback do cartão de débito], o Poupa Pra Mim, que arredonda transações e faz um cofrinho virtual para o cliente aprender a poupar. Temos um marketplace.

O que o cliente quer? O cliente quer cada vez mais usabilidade e formas e simples de acessar serviços e vantagens. Ele quer cashback, mas isso tem que ser fácil. Temos que tirar a complexidade dos serviços.

Como você vê a chegada do open banking? Somos uma fintech de 90 anos. No modelo de banco completo, somos um novo entrante. O open banking vai ser uma oportunidade para gente à medida que abre a possibilidade de o cliente ser o dono das suas informações. Abre uma oportunidade importante de oferecermos produtos melhores. Vamos aproveitar open banking para melhorar a oferta.

 

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