Os dias têm cada vez menos horas para o economista Pablo Spyer, conhecido pelo bordão ‘Vai Tourinho’. Desde que se associou à XP Inc. para fundar uma empresa de educação financeira, os projetos para desenvolvimento de novos serviços não param de crescer.

Workaholic assumido, a rotina de trabalho de Pablo começa às 5h e só termina depois das 19h. Ele chega cedo ao escritório da XP, de onde grava o programa Minuto Touro de Ouro, distribuído pelo WhatsApp e Telegram – ele tem 1,1 milhão de seguidores em todas suas redes sociais. À tarde, vai para a Jovem Pan, onde grava um programa analisando o fechamento do mercado.

Não bastasse tudo isso, ele agora é CEO da Vai Tourinho, empresa na qual detém 50% do capital, que se prepara para lançar uma infinidade de produtos. A ideia é vender desde cursos até produtos da marca Tourinho. Ele planeja ter também um site de notícias financeiras e um CDB Vai Tourinho, que será vendido pela XP.

E como fica a vida pessoal? “Não tem vida pessoal”, resume Pablo.

Vai ficar ainda mais difícil encontrar tempo para isso, já que Pablo planeja ocupar seus fins de semana visitando as cidades em que a XP tem escritórios. O plano é fazer encontros com clientes dessas representações.

Quando sobra tempo, ele grava comerciais – acabou de fazer um para a Mercedes-Benz.

Mas o que faz brilhar seus olhos, segundo ele, é a possibilidade de levar educação financeira para 50 milhões de pessoas. “Foi por isso que aceitei ir para a XP, não foi por dinheiro”, disse. “Não posso ser diretor de corretora e ficar enclausurado em uma sala tendo esse dom [de ensinar finanças]. Não quero perder a chance de ensinar para 50 milhões de brasileiros.”

Leia abaixo entrevista de Pablo para o 6 Minutos:

Como você virou o Tourinho?

Na minha corretora anterior, a Mirae, a gente tinha um viés institucional, não chegava na pessoa física. Eu estava vendo a internet crescer, algumas pessoas se destacando queria fazer algo para atingir um público maior. Eu era o CEO e comecei a pressionar as pessoas para fazermos algo. Mas o cara de conteúdo não era bom de vídeo, e o cara de vídeo não era bom de conteúdo. Ficava nesse dilema e não saíamos do lugar. Ficamos meses assim. Até que um belo dia resolvi eu mesmo fazer. Já tinha passado 1 ano e não tinha saído um vídeo decente. Gravei [o Minuto Touro de Ouro] e o primeiro vídeo já foi um sucesso, já explodiu. No outro dia, me pediram mais vídeos. Gravei, mas saiu atrasado, às 8h30. No dia seguinte cheguei às 6h, mas senti que era preciso chegar ainda mais cedo para o programa sair às 7h30. Passei a chegar às 5h e foi assim que o programa nasceu.

Quem te ajuda nessa empreitada?

Quando decidi fazer o programa, fui conversar com meu pai, um grande jornalista televisivo [Marcos Wilson]. Ele foi diretor de jornalismo do SBT por 15 anos e criou programas de sucesso como o “Aqui Agora”. Foi ele quem convenceu o Boris Casoy, que na época escrevia para a Folha, a vir para frente das câmeras. Falei para o meu pai: me inspiro em um cara lá de fora [o Jim Cramer, da CNBC], mas aqui, as coisas são mais quadradas, não posso entrar no ar com um liquidificador e bater um creme de ovo. Passei cinco finais de semana com meu pai para aprender alguns truques de TV. Fiquei estupefato, alguns truques são muito banais, como a câmera nervosa, que dá uma sensação de ‘ao vivo’. Meu pai é diretor do meu programa até hoje. Minha equipe é essa, o meu pai e a Barbara, que é meu braço direito.

Mas você vai contratar mais gente, certo?

Agora que a XP contratou metade da minha empresa e ela está capitalizada, vamos contratar mais pessoas para ajudar. De início, vamos precisar de mais cinco pessoas e depois vamos fazer um voo maior.

Quando a Vai Tourinho entra em operação?

Ela já começou. As linhas de receita ainda não estão todas formatadas, mas vamos ter diversas frentes. Vamos ter cursos, notícias em tempo real. Tenho um canal no Telegram com mais de 50 mil pessoas, que vamos usar para mandar um conteúdo exclusivo. Será um serviço cobrado.

O que mais a Tourinho vai fazer?

Vamos ter um curso de mercado financeiro. Já fiz um que foi um sucesso. Vamos ter cursos profissionalizantes arrojados e voltados para o mercado. Não será nada de day trade, será um curso profissionalizante para pessoas que querem ganhar conteúdo profundo e sofisticado, como se fosse um MBA.

Hoje, faço tudo de graça. O que é de graça continuará gratuito. Vamos criar produtos mais desenvolvidos e sofisticados, que serão cobrados. O que falo hoje é interessante, mas é raso. Vamos trazer gente de fora para os cursos. Vamos ser uma casa de agência de notícias. Vou começar pequeno, não vou concorrer com o Estadão. Vou ter três jornalistas sêniores, uma pessoa sênior do mercado financeiro e gente de casas de análises.

A Tourinho vai ter uma linha de produtos?

Quero vender tourinhos. A XP deve lançar um CDB Vai Tourinho. Não posso falar muito dele, só que vai pagar mais que toda a concorrência. Sobre produto, ainda estou pensando no que fazer. Se vai ser tourinho, moeda, pelúcia, tênis, coletinho… Quero monetizar a marca.

Com tantos influencers, como se diferenciar deles?

Não sei. Tudo que eu faço não é pensado. As pessoas que fazem minhas aulas gostam do meu jeito de explicar. Estudei muita economia, tenho muito acesso a informações. Pode ser que outros influencers tenham mais conhecimento de internet, marketing, crescimento de seguidores. Eu entendo de economia e esse é meu diferencial. Cada um sabe onde é bom. Eu nunca impulsionei uma mensagem. Sei explicar economia de uma maneira simples e que as pessoas entendem. Não sei por que as pessoas gostam de me ouvir.

Não sei se você sabe, mas abrir conta para menor na Bolsa é um parto. O papa tem que mandar uma mensagem e o presidente tem que assinar. Quando comecei o programa, a Bolsa tinha 1.000 crianças. Hoje, são 10 mil crianças investindo em ações. A Bolsa me ligou e disse que sabia que isso era por minha causa e que iria patrocinar meu programa.

Tudo o que fiz foi pela Bolsa, amo a Bolsa, não sei fazer outra coisa. Hoje, quando entro em um Uber, não tem um motorista que não me reconhece. A grande beleza é fazer a pessoa que não entende de mercado passar a entender. O leque do programa é amplo, da faxineira ao CEO, da criança ao velhinho.

Falando em Bolsa… Como ela fecha o ano?

Hoje é muito difícil fazer previsão para a Bolsa até no curto prazo, são tantas variáveis. Sou otimista com o Brasil, a reforma foi muito positiva. Me considero um otimista cauteloso. Tivemos coisas boas, o PIB foi melhor que o esperado. Mas tem coisas que podem derrubar a Bolsa, como a crise fiscal, as eleições de 2022 e a CPI da Covid. A própria variante delta joga para o negativo. Por isso sou cauteloso.

Verdade que você não dá palpite sobre dólar?

Nã0 dou palpite, já errei. Se os juros continuarem subindo, e pela curva de juros elas continuarão subindo, a tendência é de queda do dólar. Mas aí pode aparecer uma notícia que estressa o mercado e fura essa tendência.

E você continua um workaholic?

Sim, trabalho das 5h às 19h30. Venho para cá [XP] e depois vou para a Joven Pan. Saio de lá 19h, 19h30.

E a vida pessoal?

Sem vida pessoal, por enquanto. Trabalho aos sábados e domingos também. Tenho feito muita campanha publicitária. Acabei de fazer a propaganda da Mercedes. Agora, por exemplo, vou viajar pelo Brasil. A XP tem mais de 600 escritórios, são 10 mil pessoas vendendo produtos da XP. Vou viajar metade dos fins de semana para vender um pacote que está sendo preparado. Serão três eventos por sábado, um brunch, um café da tarde e um jantar com os clientes daquele escritório. Na segunda, gravo o Minuto Touro de Ouro do escritório. Vai ser um serviço cobrado dentro da XP para os parceiros. Faço o marketing, a festa, conheço os clientes, converso com eles, dou ideias.

O Brasil é carente de educação?

Muito carente. A razão de eu vir para a XP não foi financeira. Lá fora eu tinha proposta para ganhar mais do que aqui. A razão é porque a XP tem no seu DNA a educação financeira, ela quer ensinar educação financeira para 50 milhões de brasileiros. Foi isso que me atraiu. Cresci numa família simples, pai jornalista com 5 filhos, uma mulher e uma ex-mulher. Tenho o DNA de ensinar para as pessoas como investir melhor. Não posso dizer que fui autodidata porque minha mãe pagou cursos na Bovespa quando eu tinha 14, 15 anos. Enquanto meus amigos iam para o Playcenter, eu ia para a Bovespa estudar.

Quando senti que toquei no coração das crianças, tudo mudou. Foi aí que tomei a decisão de me dedicar a essa criançada. Desde jovem tive essa tendência de ampliar meu escopo de conhecimento. Tive a sorte de ser tocado por Deus e falar o que as pessoas entendem. Elas entendem e se divertem. Não posso ser diretor de corretora e ficar enclausurado em uma sala sendo que tenho esse dom que nem sabia que tinha. Porque para mim isso é um dom. Não quero perder a chance de ensinar para 50 milhões de brasileiros.

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