Uma das apostas da Hope para crescer em meio à pandemia é a moda athleisure (roupas de ginástica para o dia-a-dia). Afinal, as pessoas estão ficando mais tempo em casa e precisam de roupas confortáveis para trabalhar e estudar.

“Algumas categorias surpreendentemente decolaram, caso dos pijamas, leggings, moletons. Tivemos um crescimento de 400% nas vendas de leggings. Essa categoria homewear, que representava 10% da receita, dobrou de tamanho na pandemia”, diz Sandra Chayo, sócia e diretora de estilo e marketing do Grupo Hope.

O bom desempenho dessa categoria, que tem maior valor agregado, ajudou a amenizar parte das perdas decorrentes do vai-e-vem de abertura de lojas. “Como o preço médio é maior, ela traz mais rentabilidade e por isso a perda não foi tão grande.”

Mas não deu para escapar da crise. “Como temos uma boa estratégia digital, até que nos saímos bem. Mas não teve jeito. Com mais de 200 lojas e 3.000 multimarcas fechadas, tivemos queda de faturamento de menos de 20%, diz Sandra, filha de Nissim Hara, fundador da Hope.

Para 2021, ela aposta em um crescimento de vendas de 25% em relação a 2019, ano anterior à pandemia.

Leia abaixo entrevista com Sandra.

Como vocês vão conseguir crescer? Quais são as bases dessa estimativa?

Acabamos de dobrar o tamanho de nossa fábrica de Maranguape, no Ceará, de 16 mil m² para 33 mil m². É um prédio muito moderno, com margem para crescer ainda mais.

Parte do nosso plano de expansão é baseado na ampliação da rede de franquias. Temos dois projetos novos para isso: uma loja light voltada para cidades menores. É um formato de loja de rua que tem tido um ótimo desempenho. O outro trata-se do modelo de loja duo: usa as marcas Hope e Hope Resort, de moda praia e fitness.

A procura por esse tipo de loja de rua cresceu bastante na pandemia. Por isso, criamos esse modelo que exige um investimento menor e traz mais rentabilidade que a loja de shopping. Nosso plano era ter mais 40 lojas em 2021 e já estamos batendo esse número no primeiro semestre.

Existem planos de expansão internacional?

Sim. Acabamos de inaugurar uma loja em Angola e estamos mirando outros mercados da América Latina e de língua portuguesa.

Para a estratégia internacional e cidades menores, criamos o modelo de loja duo: usa as marcas Hope e Hope Resort, de moda praia e fitness. Achamos em cidades com menos de 200 mil habitantes comportam lojas com fachada para as duas marcas.

Vocês já têm operação internacional?

Temos duas operações no Paraguai e uma em Angola. O franqueado do Paraguai está querendo abrir mais uma loja duo. E queremos abrir uma praça em Portugal, já temos vários candidatos quentes com o processo de negociação avançado.

Essa moda praia vai bem mesmo na pandemia?

Ela vai bem e ganhou mercado na pandemia. O consumidor ficou mais casual, comprou mais legging. A tendência athleisure (esporte e conforto para o dia-a-dia) ajudou a consolidar a marca. Acabamos de inaugurar uma Hope e Resort no Shopping Ibirapuera, em São Paulo, totalizando nove operações. Vamos chegar a 15 lojas.

Como a procura aumentou muito, e existe o risco de falta de matéria-prima, temos medo de abrir e não conseguir entregar produto. Por isso, estamos priorizando áreas mais quentes de interesse para a marca.

Vocês também vão ter essa loja duo no Brasil?

Vamos inaugurar a primeira em Arapongas, no mês que vem. Enxergamos a oportunidade de deslanchar com duas marcas ao mesmo tempo em cidades com menos de 200 mil habitantes.

Vocês vão levar o conceito para cidades de praia?

Pode parecer surpreendente, mas o consumidor do interior compra mais biquíni que o de praia. Por isso, devemos priorizar o interior.

Vocês também sofrem com falta matéria-prima?

O problema continua, mas é mais por atraso do que por falta de entrega. Quando fecha o comércio, toda a cadeia dá uma estagnada. Quando volta, todas as marcas retomam juntas e isso gera um gap para administrar. Até que nos saímos melhores porque temos estoque de matéria-prima e de produto abacados. Nos preocupamos em manter a rede de franqueados abastecidos e com rentabilidade.

A fábrica dobrou o tamanho de produção?

Aumentamos a produção em mais de 20%, mas ainda não operamos full. Estamos contratando gente. Costumo falar que confecção é quase um artesanato. Não é uma indústria que coloca uma máquina e cospe o produto pronto. Precisa de mão-de-obra muito qualificada para produzir as peças que são reconhecidas pelo conforto e qualidade.

Para este ano, a gente tinha planejado um crescimento agressivo. Até fevereiro, o plano estava sendo acompanhado direitinho. Tivemos o melhor fevereiro da história. Aí veio a segunda onda da pandemia, o comércio fechou de novo e isso deu uma atrapalhada nos nosso planos. Mas quando reabriu, tivemos o melhor maio da história. A gente tem uma ambição realista é que crescer 25% neste ano em relação a 2019, sustentado pela Bonjour Lingerie, Hope Resort e novos modelos de franquia.

A pandemia arrebatou muito o varejo têxtil. Como foi com vocês?

A gente sentiu, sim. Mais pelo fechamento do comércio do que pelo produto. Como temos uma boa estratégia digital, até que nos saímos bem. Mas não teve jeito. Com mais de 200 lojas e 3.000 multimarcas fechadas, tivemos queda de faturamento de menos de 20% em 2020. A nossa prioridade foi preservar a integridade dos lojistas, tanto o franqueado quanto o multimarcas. Demos prazo de pagamento, suporte financeiro e de marketing.

Algumas categorias surpreendentemente decolaram, caso dos pijamas, leggings, moletons. Tivemos um crescimento de 400% nas vendas. Essa categoria, que representava 10% da receita, dobrou de tamanho na pandemia.

O consumidor de moda íntima compra pela internet?

Nós fomos um dos primeiros a ter e-commerce no Brasil. Nosso primeiro site foi lançado em 2006. Na época, diziam que ninguém iria comprar pela internet, pois o cliente quer sentir o tecido, ver o caimento. Desde o começo, nosso site vende bem e teve um crescimento exponencial. O brasileiro tem a cultura de comprar moda íntima por catálogo, que também não permite tocar o tecido e ver caimento.

Na pandemia, nosso canal digital cresceu muito, dobrou de tamanho.

O que mais fez sucesso na pandemia?

Lançamos calcinhas absorventes que substituem os absorventes tradicionais e que conquistou o público, principalmente quem está disposto a provar novas soluções de sustentabilidade, que poluem menos, sem desprezar o conforto e a qualidade.

Usa e joga fora?

Não. Ela é feita para substituir o absorvente por dois anos, por isso economiza toneladas de lixo. Mas pode durar mais tempo que isso como calcinha comum.

Vocês pararam com as máscaras?

Nossas máscaras fizeram muito sucesso. No começo, quando não havia máscara, começamos a produzir para proteger nossos colaboradores. Depois, vimos que os clientes precisavam e aumentamos a produção. Foi um sucesso de vendas. Mas paramos porque ela era feita do mesmo algodão da calcinha, tecido usado no forro. Com escassez de matéria-prima, tivemos que optar entre a máscara e o forro da calcinha. Priorizamos as calcinhas, até porque o país já tem uma boa produção de máscaras. Mas ainda temos estoque de máscaras.

Modelo de loja light da Hope, menor que as de shopping e mais econômica/Divulgação

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