A Wiser Educação, dona da Wise Up, tem R$ 1 bilhão em caixa para gastar na aquisição de novas empresas. O foco da holding criada pelo empresário Flavio Augusto Silva são as edtechs. Segundo ele, a temporada de compras já começou: em junho, a companhia adquiriu a Conquer, escola de negócios. Já fazem parte da holding a rede de escolas NumberOne, a editora Buzz e as plataformas online MeuSucesso.com e Wise Up Online.

“Não estamos mais nos classificando como uma rede de escolas de idiomas. Agora, somos uma edtech com foco na empregabilidade. Além da Wise Up, temos outras empresas, como a MeuSucesso.com. E temos outras aquisições em nosso pipeline”, disse ele.

Em comum, as empresas da holding têm o apelo de desenvolver a empregabilidade do aluno. “Se olhar bem, o foco do curso de idiomas é a empregabilidade. As pessoas estudam inglês porque precisam dele no trabalho. Percebemos que poderíamos ampliar nosso escopo de atuação para outras áreas, aproveitado o nosso know how.”

O empresário não gosta de dizer que a pandemia foi boa para seus negócios. Mas a Wiser vai sair da crise maior do que entrou. O grupo saltou de 65 mil alunos para mais de 300 mil. Graças ao formato online, a presença da empresa avançou de 180 para 4.000 cidades, em 85 países.

“Com toda franqueza, [a pandemia] foi assustadora. Quando tudo começou a fechar, o impacto foi absurdo. Mas tivemos a sorte de ter um produto pronto [plataforma de aulas online] meses antes. Conseguimos fazer a virada e o resultado foi positivo. Óbvio que no começo teve impacto, chegamos a dispensar 50 pessoas. Mas depois contratamos 700. Hoje, tenho mais de 800 no escritório central.”

Leia entrevista com Flavio Augusto ao 6 Minutos:

Como a pandemia afetou o negócio de ensino de idiomas?

A pandemia acertou em cheio os setores de educação, não só o de idiomas. Algumas escolas estão começando a voltar agora. Mas muitas operações, por conta das restrições, que são necessárias, não têm condições de voltar ainda. Por isso, estão trabalhando com aulas pelo Zoom, com ferramentas de teleconferência para atender seus alunos.

Quando vimos o meteoro chegando, que a coisa era séria, nos preparamos para um cenário que era considerado apocalíptico, que era fechar por três meses. Esses três viraram seis meses e aqui estamos quase dois anos depois ainda em pandemia.

Mas em vez de esperar a pandemia acabar a voltar à normalidade, se é que algum dia haverá normalidade, começamos a desenvolver novos produtos e recorremos à tecnologia e videoconferências para dar aula.

Quando a gente tem a rede de franquias, a dinâmica de prospecção de aluno é diferente. O aluno visita a escola, o que não acontece mais. Tivemos de fazer uma transição ainda em voo para mudar a forma de buscar alunos. Trocamos a asa e oferecemos para rede de franquias produtos digitais que desenvolvemos para que pudessem vender.

Vocês ganharam ou perderam alunos? Como ficou a rede de franquias?

Começamos a pandemia com 65 mil alunos e agora temos mais de 300 mil, ou seja, aumentamos. Um terço das franquias teve uma adaptação muito boa, um terço está se esforçando para se adaptar e um terno não teve uma boa adaptação.

Mas no bottom line, dentro da tragédia que foi esse meteoro, o resultado foi muito positivo. Tivemos migração para o modelo online, porque o presencial não voltou ainda porque ainda não é o mais apropriado.

Quando as aulas presenciais voltam?

Imaginamos que em algum momento, mas não posso dizer se vai ser agora ou em janeiro de 2022.

Hoje, as franquias podem abrir as escolas se quiserem. Mas muitas cidades ainda têm restrições, as salas de aula têm 12 alunos em média e só quatro poderiam frequentar. Nem todas têm janelas. As salas não foram feitas para momentos de pandemia. Se abrir, a conta não fecha, por isso é melhor permanecer fechado.

O curso online é mais barato que o presencial?

Temos o online, com aula ao vivo e em turma. E temos o aplicativo. O formato com aula ao vivo é mais caro que o aplicativo e mais barato que um curso presencial.

O aplicativo funciona como uma espécie de Netflix. O aluno faz uma assinatura e monta sua jornada de estudo de acordo com seu tempo. Ele acessa as aulas e os materiais quantas vezes quiser. E ele estuda aquilo que importa naquele momento.

A assinatura anual custa R$ 1.140. Já as aulas ao vivo custam cerca de R$ 345 por mês. No formato presencial, o custo era de R$ 600 mensais.

E temos a jornada de business, com aulas de liderança, empreendedorismo, negociação, gestão do tempo. Já tínhamos esse produto pronto também e lançamos.

Por que aumentou o número de alunos?

Muitas pessoas ficaram em casa e aproveitar para se especializar e inglês é algo importante. Elas economizaram o tempo no trânsito e conseguiram estudar. O primeiro motivo é esse. Outro é que houve uma aceleração do digital na mente das pessoas. Elas passaram a fazer coisas que nunca fizeram antes da pandemia.

E também porque aumentamos os canais de vendas e conseguimos chegar a mais pessoas. Antes, estávamos em 180 cidades. Agora, estamos em mais de 4.000 e temos alunos em 85 países.

Antes, fazíamos a divulgação e o aluno vinha pela localização da escola. Hoje, não precisa ter escola física para termos alunos. Essa fronteira foi derrubada e nos trouxe ganho de escala. Hoje, podemos vender para o mundo todo, não só para o aluno do bairro da escola.

Com toda franqueza, foi assustador. Quando tudo começou a fechar, o impacto foi absurdo. Mas tivemos a sorte de ter um produto pronto [aulas online] meses antes. Conseguimos fazer a virada e o resultado foi positivo. Óbvio que no começo teve impacto, no começo chegamos a dispensar 50 pessoas. Mas depois contratamos mais de 700 funcionários. Hoje, tenho mais de 800 no escritório central

E como vocês estão se saindo neste ano?

Crescemos bastante em relação a 2020 e mesmo comparando com 2019, ano pré-pandemia. A gente não se classifica mais como rede de escolas de idiomas. Agora, somos uma edtech com foco na empregabilidade. Além da Wise Up, do MeuSucesso.com e da Power House, adquirimos a Conquer. E temos mais aquisição à vista no nosso pipeline.

Já temos o know how para plugar vários conteúdos e canais de venda para expandir a base de alunos. Queremos abraçar mais conteúdos visando a empregabilidade, como pós-graduação, preparação para o concurso e para o Enem. Estamos de olho nas oportunidades.

Por que a empregabilidade?

Se olhar bem, o foco do curso de idiomas é a empregabilidade. As pessoas estudam inglês porque precisam dele no trabalho. Percebemos que poderíamos ampliar nosso escopo de atuação para outras áreas, aproveitado o nosso know how.

Quando vocês vão às compras?

Nossa estimativa é adquirir R$ 1 bilhão em ativos nos próximos dois anos.

Você vai sair do modelo de franquias?

Quero voltar a abrir franquias, mas no momento não dá, pois nenhuma escola foi pensada para esse momento. Há restrições para tamanho de sala, para sala sem janela. Não gosto de comemorar, mas viramos o jogo para o online e sobrevivemos. Não gosto de dizer que foi bom, mas encontramos um nicho e ampliamos nosso escopo. Mas não queremos deixar o presencial. Pois uma hora a pandemia vai passar.

 

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).