Mais fusões e aquisições, entrada de franqueadoras (marcas das franquias) na bolsa de valores e lojas de rua ganhando mais destaque do que os shoppings. Esta é a previsão de André Friedheim, presidente da ABF (Associação Brasileira de Franchising), para o segmento de franquias para o segundo semestre de 2021 e o próximo ano.

“Vamos ter um movimento forte de consolidação de marcas, fusões e aquisições e abertura de capital de franqueadoras. Acho que vai ficar forte ainda no segundo semestre deste ano e no ano que vem. Os empresário estão criando formatos e modelos de negócios para entrar em pontos comerciais alternativos. O comércio de rua volta a ser valorizado no mundo das franquias, o que antigamente era muito focado em shoppings”, afirma Friedheim.

Quem está pensando em investir em uma unidade para chamar de sua, precisa pesquisar, entender o mercado e, principalmente, conversar com outras pessoas que possuem o negócio, para saber se estão satisfeitas.

“Minha dica é fazer uma pesquisa profunda das oportunidades, fazer muita pesquisa de mercado, para entender se o formato é aderente ao público que eu pretendo montar minha franquia. Aposte em um consultor ou um advogado para fazer a análise do business, tanto financeiro como jurídico, e, o mais importante, conversar com franqueados (quem compra uma unidade da marca) que já estão na rede para entender se eles estão satisfeitos”, afirma Friedheim.

Leia a entrevista de Friedheim ao 6 Minutos:

Como está o setor de franquia neste ano? Vocês estão sentindo alguma diferença em comparação ao ano passado?

Estamos em um momento de recuperação. No ano passado, poucos setores tinham resultados positivos, somente casa e construção e uma parte de saúde, estética e beleza. Esse ano já vemos as empresas da área de alimentação crescendo, que é um ramo muito importante para o franchising.

Também existe um movimento importante vindo de moda, vestuário, calçados e acessórios. Isso é reflexo da volta da normalidade das atividades comerciais, com os shoppings reabertos e uma demanda reprimida dos consumidores. O fato das franquias serem marcas fortes ajuda, o que acaba atraindo quem antes preferia marcas independentes.

Óbvio que ainda estamos no meio da crise, mas a vacinação está avançando e o comércio em geral e os serviços estão com boas perspectivas. Tivemos um começo do ano que preocupou, com a segunda onda da covid e novos fechamentos, mas agora acreditamos que estamos em um caminho importante de recuperação.

Quais as perspectivas para o ano que vem?

Vamos ter um movimento forte de consolidação de marcas, fusões e aquisições e abertura de capital de franqueadoras. Acho que vai ficar forte ainda no segundo semestre deste ano e no ano que vem. Os franqueadores estão criando formatos e modelos de negócios para entrar em pontos comerciais alternativos. O comércio de rua volta a ser valorizado no mundo das franquias, o que antigamente era muito focado em shoppings.

A integração de canais de venda, que é um aspecto importante, fica cada vez mais forte nas redes de franquias. Não é mais o franqueado isolado, cuidando da sua lojinha física, mas integrado com o franqueador, fazendo uma parte logística importante para baratear e diminuir os prazos das entregas. A omnicanalidade na prática tem sido feita por franqueadoras.

Algum segmento está se destacando de uma forma que não era esperava para o mercado de franquias? 

Turismo e hotelaria sofreram muito no ano passado, então está com uma base de comparação baixa, mas já mostra sinais de recuperação, com o turismo mais local. As pessoas começam a se programar para viajar. Tenho falado com empresários do setor e eles estão animados.

Houve aumento no número de marcas de franquias? E de pessoas se tornando fraqueados?

Estão surgindo novas marcas e também há uma grande procura por pessoas que querem abrir um negócio e virar um franqueado. Isso acontece por uma taxa de juros baixa e um nível de desemprego alto. Nesse cenário, mais pessoas tendem a montar negócios em busca de um capital que renda mais do que a taxa básica de juros.

Muitos estão sendo atraídos para as franquias pelo modelo de negócio: de participar de uma rede, ter uma marca forte, crescer em escala e de contar com o know-how dos franqueadores. Acho que estamos com uma média de inauguração em torno de 20 a 25 novas franquias todos os dias no Brasil, o que é um número bem forte.

Também temos visto empresas querendo adotar a franquia como canal, como estratégia de ganho de capilaridade e de difusão. É um bom momento e as empresas que estão formatando as franquias já veem com bastante tecnologia embarcada, com processos mais pensados.

O que você diria que é fundamental para ser um franqueado?

Precisa pesquisar muito, porque dinheiro não aceita desaforo. Hoje, você tem no mercado de franquias mais de 2.500 marcas, para todos os bolsos e perfis. É uma visão particular minha, mas um franqueado de sucesso é um bom empresário, mais do que empreendedor.

Ele é um cara mais generalista, de visão mais ampla, que gosta de liderar pessoas, de trabalhar em rede e é dedicado. A gente sempre lembra o velho ditado que diz que é o olho do dono que engorda o gado, o que funciona bastante quando falamos de varejo. A presença física do franqueado importa. Ele montar um negócio somente como um investimento financeiro não é recomendado, precisa montar o negócio como meio de sobrevivência, de vida, de emprego.

Durante o processo de escolha, a pessoa precisa entender quais os segmentos candidatos a franquia que gosta mais e limitar a pesquisa para esses segmentos. Senão, daqui há dois anos, o cara não montou nada, porque tem 2.500 opções. Minha dica é fazer uma pesquisa profunda das oportunidades, fazer muita pesquisa de mercado, para entender se o formato é aderente ao público que eu pretendo montar minha franquia. Aposte em um consultor ou um advogado para fazer a análise do business, tanto financeiro como jurídico, e, o mais importante, conversar com franqueados que já estão na rede para entender se eles estão satisfeitos.

Temos visto o aumento de multifranqueados no Brasil, ou seja, que possuem mais de uma unidade da mesma marca. No mercado americano, se não me engano, 58% dos franqueados são multifranqueados. Esse crescimento é bom, porque ajuda a profissionalizar o sistema.

Recentemente o teto para microfranquias passou de R$ 90 mil para R$ 105 mil. Por que aconteceu a mudança? O mercado está crescendo?

Houve uma atualização de valores, que não fazíamos há mais de três anos. Existe um critério do Banco Mundial relacionado a renda per capita do país, onde você determina qual o valor de investimento para ser considerada uma microfranquia. Então fizemos uma atualização monetária.

As empresas cujo investimento totalizam R$ 105 mil, agora se encaixa na categoria de microfranquia. O segmento continua forte no mercado e é importante dizer que o fato de ser uma microfranquias não significa que os franqueadores são omissos com os franqueados, pelo contrário. São empresas que tem um modelo de negócio de baixo investimento. Para quem compra uma unidade, recebe o mesmo tipo de suporte, acompanhamento e treinamento que qualquer franqueadora dá.

A pessoa precisa ter uma veia comercial muito forte, porque a microfranquia faz com que o franqueado tenha múltiplas funções. Muitas vezes ele não monta uma equipe, trabalha sozinho. Então precisa ser disciplinado, se motivar, e tem que ser uma pessoa comercial, porque geralmente é ele que corre atrás do cliente e entregar o serviço.

Para quem está pensando em investir em uma franquia, quais os segmentos que devem ter mais destaque daqui para frente?

Serviços são um bom destaque. Estamos passando por uma fase de profissionalização dos serviços no Brasil e o segmento tem muito a ver com confiança, de você acreditar no prestador de serviço. Marcas fortes, de franquia, geram essa confiança com o consumidor.

A área de educação continua crescendo, também é bacana. Tem a parte educação tradicional que estamos acostumados, mas também de gamificação, de mundo maker. A área de estética, saúde e beleza continua com bons resultados.

André Friedheim - Presidente ABF

Crédito: Divulgação

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