Alexandre Maioral assumiu a presidência da Oracle Brasil em junho de 2021 com metas ambiciosas. O seu plano é que a companhia cresça três dígitos, ou seja, dobre de tamanho, em dois anos.

Para alcançar esse objetivo, uma das frentes da Oracle é a formação de mão de obra especializada em tecnologia. Afinal, em um país de desempregados, a empresa enfrenta dificuldade para encontrar profissionais para assumir postos nessa área.

“Para cada contrato que assinamos, assumimos o compromisso de educar cinco alunos dentro do programa One (Oracle Next Education)”, disse ele.

Leia abaixo entrevista de Maioral ao 6 Minutos:

Como foi sua trajetória dentro da Oracle?

Tenho 10 anos de Oracle. Passei por várias áreas nesse período. Por último, fui responsável por aplicativos. O presidente anterior foi para América Latia e eu assumi o Brasil para dar continuidade aos sonhos que nos colocaram.

E que sonhos são esses?

São muitos. Crescer três dígitos faz parte desses sonhos. Mas é um crescimento mais abrangente, que olha para todos os ângulos. Um deles é o da educação, porque parece um contrassenso a gente olhar para a questão do desemprego e haver uma falta de recursos preparados para estar trabalhando. Queremos educar 3 dígitos a mais do que educamos hoje. Por isso, para cada contrato que assinamos, assumimos o compromisso de educar 5 alunos dentro do programa One (Oracle Next Education).

Quais são as outras frentes desse plano de 3 dígitos?

Queremos crescer 3 dígitos em diversidade, inclusão e equidade. Somos um setor muito masculino, mas isso vem mudando. Nossa CEO é mulher, a Safra Catz. Temos feito coisas importantes para construir uma base sólida para conscientizar o público interno sobre diversidade e inclusão. Queremos crescer em outros parâmetros também, como satisfação dos clientes internos, nos tornarmos uma das melhores empresas para se trabalhar.

Como vocês vão melhorar em inclusão e diversidade?

Para promover a inclusão e diversidade, temos uma pessoa no Rio de Janeiro dedicada a isso, que só olhando para diversidade para termos um banco de talentos. E temos a preocupação de cuidar e acelerar os talentos de diversidade que já estão na Oracle.

E a busca de equidade de gênero em cargos de liderança?

Minha formação é engenharia. Na minha sala havia 43 alunos, 42 eram homens. Por muito tempo, a área de exatas sempre foi mais masculina, mas isso vem mudando. Acho que para alcançar essa equidade é importante criar processos para acelerar a carreira de quem já está na companhia para que elas possam subir para cargos de liderança. Em paralelo, criamos essa posição de RH que olha para a diversidade e para o mercado.

O futuro do trabalho vai ser híbrido na Oracle?

Acredito no trabalho híbrido, mas ainda não temos uma diretriz global sobre o futuro do trabalho na Oracle. As pessoas dizem: ‘é fácil ficar remoto para vocês de tecnologia’. Mas não era fácil no começo. A Oracle sempre foi muito forte presencialmente nos escritórios e nos clientes. Muita gente sentiu falta disso.

Mas esse aprendizado de trabalho remoto trouxe reflexões sobre produtividade e eficiência. Antes, se tínhamos uma reunião em Fortaleza era preciso horas de deslocamento para uma reunião de uma hora. E se a gente não fosse até o cliente, ele se sentia desprestigiado. Não era bem visto fazer reunião virtual antes. Mas isso mudou, esse aprendizado mostrou que dá para fazer reuniões virtuais.

A volta ao escritório deve ocorrer esse ano?

Não travamos ainda uma data de volta porque precisamos preparar os ambientes físico para que esse retorno aconteça com toda segurança. É provável que esse retorno comece no primeiro semestre de 2022, porque aí já acabou o processo de vacinação e dá para voltar com segurança.

O que mudou nos processos de trabalho?

Uma das maiores dificuldades do trabalho remoto foi fazer liderança virtualmente, se conectar remotamente com as pessoas. É complexo liderar sem ter o olho no olho. Uma solução foi buscar uma escuta generosa, reunir as pessoas para saber como elas estão se sentindo. Nunca foi tão importante cuidar da saúde mental.

Cada indivíduo tem uma realidade diferente, pessoal, familiar. Cada um está lidando de formas diferentes com o momento atual. Por isso é preciso cuidar muito do equilíbrio entre as tarefas da casa e do trabalho. Criamos programas de saúde mental para os colaboradores.

Outro ponto é mudar não só o mindset da Oracle, mas do cliente. Porque eu posso ser produtivo e me encontrar com eles. Mas para algumas reuniões não preciso me deslocar três horas para chegar ao cliente. Algumas podem ser virtuais. Entregamos centenas de projetos nos últimos meses somente pelo modelo virtual, sem contato físico. Os clientes já entenderam que é possível.

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