O QuintoAndar, maior plataforma digital de moradia da América Latina, anunciou nesta sexta-feira (dia 28) que conseguiu levantar US$ 300 milhões em sua última rodada de captação, quadruplicando seu valor de mercado para US$ 4 bilhões. Com o caixa reforçado, a companhia vai iniciar ainda neste ano sua expansão internacional, começando pelo México.

Gabriel Braga, co-fundador e CEO do QuintoAndar, conversou com o 6 Minutos sobre os próximos passos da companhia. Leia entrevista:

Esse plano de expansão internacional já existia antes e vocês pausaram por conta da pandemia ou surgiu agora?

A gente sempre teve essa curiosidade e ambição de levar nosso modelo para outros países. Já tinha um tempo em que pensávamos nisso. No ano passado, tivemos que rever planos e focar no mais essencial, por isso demos uma alongada nos planos internacionais. Agora, estamos voltando à pauta e nos preparando para dar mais espaço a ele.

Como vai ser essa operação no México? O que vocês vão fazer por lá?

A ideia é levar o menu completo: aluguel, compra e venda de imóveis. Estamos percebendo como essa atuação mais completa reforça cada um dos produtos individualmente e estamos estudando o mercado lá. Acreditamos que seja 80% parecido com o que tem aqui, mas com peculiaridades locais. Estamos entendendo os detalhes e o modelo de atuação.

O QuintoAndar chegou resolvendo dores que os inquilinos brasileiros tinham, como o fiador. Lá no México eles também dores parecidas com essa?

Sim, o México tem fiador, tem a incerteza, a sensação de vulnerabilidade do proprietário se vai receber ou não o valor do aluguel. E o inquilino também tem dificuldade para alugar e quer pagar sem maiores complicações.

Em que outros mercados internacionais vocês estarão?

A América Latina como um todo parece fazer sentido, mas hoje estamos focados no México. Vai ser importante para adaptar nosso modelo para outros países.

Já tem data de quando começa a operação mexicana?

Ainda não tem uma data definida. Pensamos que dentro de alguns meses. Dependemos de algumas definições ainda de como vamos fazer.

Uma parte dos recursos vai ser destinada para atração de talentos? O que isso significa exatamente?

Nosso objetivo é construir produtos legais, experiências legais, que causem um impacto legal. No final do dia, o que importa para chegarmos lá, são as pessoas que trabalharam nos bastidores. Para investir em tecnologia, precisamos de inovação e gente de engenharia, produto e design. Precisamos dessas pessoas e é difícil encontrá-las. Temos profissionais bons no Brasil e graças ao home office, funcionários trabalhando pelo país afora.

Toda empresa de tecnologia vivenciou essa escassez de mão de obra. Então, estamos ampliando nosso pool e olhando para o mundo inteiro para atrair as melhores pessoas para resolver os problemas. Já fazemos isso.

Vocês vão contratar fora do Brasil? Hoje tem brasileiro de tecnologia trabalhando para outros países, não?

Sim, o Brasil está ficando aberto para empresas de parte do mundo e isso só reforça o desafio. Essas pessoas são escassas, disputadas entre várias empresas. O profissional vai ter a oportunidade de comparar melhores empresas do mundo para decidir onde quer trabalhar.

O que mais vem pela frente?

Estamos só no comecinho do impacto que podemos trazer para o Brasil. No sistema de aluguel, estamos em 40 cidades e vamos expandir. Na compra e venda, estamos em quatro cidades. Temos terreno para replicar isso nas outras. De forma geral, estamos investindo em tecnologia e inovação para trazer produtos financeiros, transações financeiras, onde há bastante espaço para melhorar a experiência do cliente.

O que é essa parte de melhoria em serviços financeiros?

Achamos que da intersecção com fintech vai sair uma coisa interessante. Hoje, o crédito imobiliário é muito trabalhoso, cheio de incerteza, de vai e vem no processo. Dá para reduzir o tempo de aprovação do crédito, de pegar as chaves. Tem muita incerteza na compra de imóvel usado, que não tem na compra de um novo. Há uma ansiedade e angústia até o banco confirmar o crédito. Achamos que dá para trazer mais segurança para remover essa ansiedade. Dá para fazer muitas melhorias de processo, na experiência e simplificação para o cliente e para o próprio banco. Podemos ser um facilitador desse processo de financiamento.

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