O país tem mais de 61 milhões de pessoas com contas em atraso. A jornalista Leila Almeida já fez parte desse contingente de inadimplentes. Em 2019, após ficar dois anos com o nome sujo, ela conseguiu renegociar uma dívida que chegou a R$ 14 mil e quitá-la à vista por R$ 3.000.

Leila se enrolou com o pagamento do cartão de crédito depois que perdeu o emprego, em 2014. Como ela ganhou o dinheiro de uma ação contra o ex-empregador, ficou dois anos sem trabalhar. “Passei 2014 e 2015 sem trabalhar, fazia um ou outro trabalho, mas só esporadicamente. Embora estivesse sem renda, não mudei meu padrão de vida. Continuei gastando como se ainda tivesse salário. E pagava tudo no cartão de crédito.”

O problema é que uma hora ela não conseguiu mais pagar toda a fatura do cartão. “No começo, achei que tudo bem, que se atrasasse ou não pagasse tudo em um mês, no próximo resolveria. O problema é que na fatura seguinte não vem só o juro do pagamento em atraso. Vem juros, multa, tarifas. Vira uma bola de neve. Quando você vê, não dá mais pagar.”

A dívida de Leila era de R$ 2.500, mas com juros, multas e taxas chegou a R$ 14.000. Como ela não tinha esse dinheiro, decidiu parar de pagar. “Eles cancelaram meu cartão e passaram a me cobrar.”

Sem cartão e com o nome na lista de inadimplentes, Leila passou a pagar tudo à vista. “A sorte é que eu já tinha comprado apartamento e carro. Então, passei a pagar todas as despesas à vista, com dinheiro, cartão de débito, boleto. Hoje, também uso o Pix.”

E como ela faz com pagamentos que pedem cartão de crédito, como assinaturas de streaming? “Aí eu pago o valor da assinatura à vista para minha irmã e ela põe a conta no cartão de crédito dela”, conta a jornalista.

Sente falta do cartão de crédito? Leila diz que não. “Saber que não tem nenhuma dívida pesada para pagar é outra vida. Dá um alívio não ter nenhum pagamento atrasado. Tem contas que sei que vão chegar, como convênio ou condomínio. Mas agora consigo ter o controle das minhas contas.”

E as compras pesadas, como carro? O segredo de Leila é saber esperar para pagar à vista. “Se quero uma coisa e não tenho dinheiro, vou guardando até poder pagar à vista. Foi assim que fiz agora para trocar de celular.”

Alguma dica para quem vive uma situação parecida? Leila disse que a pessoa precisa se reorganizar financeiramente para pagar o que deve. “Fiquei dois anos sem pagar, mas fui juntando dinheiro. É como se fosse uma empresa em recuperação que para de pagar seus fornecedores até ganhar fôlego para por as contas em dia.”

E algum alerta para quem vai pagar a dívida? Leila diz que é sempre bom perguntar qual o valor do débito sem juros, multas e taxas. Porque é em cima desse valor, sem outras cobranças, que a negociação tem que ser feita. “Eu optei por renegociar a dívida e pagar de uma vez o que devia, sem parcelar nada. Tem que tomar cuidado para não parcelar e atrasar, porque é ainda pior.”

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