Um grupo de moedas de mercados emergentes tem conseguido manter os ganhos em relação ao dólar este ano. Mas essa lista pode encolher nas próximas semanas, à medida que a variante delta, altamente contagiosa, cria outro obstáculo para países em desenvolvimento.

Países atrasados nas campanhas de vacinação – como África do Sul e Rússia – podem sentir a pressão com o aumento de restrições que afetarão a atividade econômica, segundo o Crédit Agricole CIB. Antes com os melhores desempenhos em 2021, o rand e o rublo contribuíram para a queda de um índice de moedas de mercados emergentes em junho pela primeira vez em três meses.

“As conquistas em termos de vacinação serão cada vez mais um fator de diferenciação entre os mercados emergentes no segundo semestre”, disse Sebastien Barbe, chefe de estratégia para mercados emergentes no Crédit Agricole. “O impacto de uma maior propagação das cepas do vírus irá variar significativamente dependendo das taxas de vacinação”, bem como de fatores econômicos e políticos, afirmou.

Tanto o rand sul-africano quanto o peso colombiano sentem o efeito do aumento dos casos de Covid-19, o que freia as expectativas de uma política monetária mais apertada. Na economia mais industrializada da África, os casos diários de coronavírus aumentaram para um recorde de 26.485 no sábado, mais de uma semana depois de o presidente Cyril Ramaphosa ter decretado o lockdown mais rigoroso desde maio de 2020.

As maiores restrições pressionam a economia sul-africana, que enfrenta a pior retração em um século. Na Colômbia, a decisão de suspender um plano de aumento de impostos lhe rendeu um corte da nota de crédito para grau especulativo na Fitch Ratings.

As moedas da África do Sul e da Colômbia são as mais vulneráveis, pois seus bancos centrais não estão aumentando os juros “para construir um colchão de taxa real” em relação aos EUA, de acordo com Ed Al-Hussainy, analista sênior de juros e câmbio da Columbia Threadneedle Investments, em Nova York. Para aumentar a pressão: a perspectiva de gastos fiscais mais elevados e o risco de saídas de capital depois que investidores globais, famintos por rendimentos, migraram para ativos desses países este ano, disse.

Em comparação, o real e o peso mexicano serão mais resilientes diante do aperto da política monetária de seus bancos centrais, explicou. O real supera todas as moedas de países em desenvolvimento neste ano, embora os casos de Covid-19 no Brasil continuem em níveis recordes.

A propagação da cepa delta também afeta o Sudeste Asiático. O MUFG Bank espera que a queda da receita do turismo pese sobre o baht da Tailândia. Já a rupia da Indonésia caiu para o nível mais baixo desde abril, diante das medidas mais rigorosas até agora nos centros econômicos de Java e Bali.

Divisão

Apenas algumas nações em desenvolvimento – Chile, China, Israel, Emirados Árabes Unidos e países da Europa Central e Oriental – imunizaram cerca de metade da população, nível visto como necessário para conter a propagação da variante delta, disse o Bank of America em relatório na sexta-feira. A maioria dos principais mercados emergentes deve atingir o objetivo até o fim do ano, incluindo Brasil, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia, disse David Hauner, chefe de estratégia de ativos cruzados no BofA.

A África do Sul é exceção, destacou, com apenas cerca de 5% da população vacinada. No ritmo atual, demoraria até 2023 para que o país atingisse a marca de 50%. Na Colômbia, apenas 11% da população está totalmente vacinada, uma proporção menor do que no Chile, México e Brasil.

Os dados econômicos confirmam a divisão: os índices de gerentes de compras na Rússia e África do Sul, juntamente com os indicadores em nações asiáticas com taxas de vacinação relativamente baixas, caíram em junho. Na Europa Oriental e América latina, onde os programas de imunização estão mais avançados, a maior parte dos indicadores subiu.

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