Por Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) – As taxas do frete rodoviário atingiram uma máxima de dois anos e meio em uma importante via de escoamento de soja de Mato Grosso, principal Estado produtor da oleaginosa no país, em meio a atrasos na colheita, indicou um relatório da Esalq/USP, enviado à Reuters nesta sexta-feira.

Na rodovia que liga Sorriso, “capital nacional da soja”, a Rondonópolis, de onde os grãos partem por ferrovias para o porto de Santos, o valor do frete alcançou 138,69 reais por tonelada no mês passado, maior nível desde julho de 2018 na região.

Mato Grosso colheu até o momento 67,20% de sua área de soja, 24,27 pontos percentuais atrás do registrado na mesma época de 2019/20 e 13,07 pontos abaixo da média histórica para esta época do ano, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

A soja em Mato Grosso costuma ser plantada antes do que em outras regiões, mas o atraso da colheita no Estado significa que agora ele compete com outras áreas produtoras de grãos pelos caminhões para escoamento da oleaginosa para o mercado.

Segundo a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o valor do frete deve continuar subindo à medida que a colheita avança.

“O principal motivo para a situação atual do mercado foi uma janela menor de colheita nos últimos meses”, disse a Esalq.

Os produtores brasileiros ainda dependem majoritariamente dos caminhões para o transporte dos grãos, com a infraestrutura limitada de hidrovias e ferrovias os colocando em desvantagem frente aos competidores norte-americanos, destacou o coordenador de pesquisa da Esalq, Thiago Péra, por telefone.

Embora a infraestrutura brasileira esteja melhorando, em 2019 o embarque de soja de Sorriso para Xangai ainda custava 22 dólares a mais do que o envio do grão de Iowa para o mesmo destino, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).

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