Uma busca simples no Google é suficiente para encontrar milhares de opção de dispositivos economizadores de combustível. Com a promessa de economia, dispositivos eletrônicos e chips estão à venda, principalmente para os veículos movidos a gasolina. Nos marketplaces e lojas, esses equipamentos são oferecidos a preços que se ajustam a todos os bolsos.

Essa quantidade de dispositivos parece se justificar. Afinal, os combustíveis ficaram 40,79% mais caros nos últimos 12 meses.

Mas será que vale a pena mexer no funcionamento do carro para tentar economizar combustível? Os fabricantes dos equipamentos afirmam que eles geram economia com um gasto menor de combustível. Para saber se vale a pena lançar mão desses dispositivos, o 6 Minutos ouviu um especialista.

Os dispositivos geram economia significativa? O engenheiro, professor e chefe da divisão de motores e veículos do Instituto Mauá de Tecnologia, Renato Romio, classifica esses dispositivos em duas categorias: os que “podem funcionar” e os que “não funcionam de jeito nenhum”.

Mas ele salienta que classificou a primeira categoria como “pode” porque os sistemas têm base científica para funcionar, mas ele desconhece algum que realmente funcione.

“Um desses modelos produz hidrogênio na bateria do carro. A queima do hidrogênio economizaria combustível, mas a energia que consome da bateria é enorme. A justificativa é de que o hidrogênio é o acelerador da combustão. Se fosse bem calibrado com o motor, bem dosado, poderia funcionar, mas isso nunca acontece, nunca funciona. Desconheço algum que funcione”, afirmou o engenheiro.

Dos que “não funcionam de jeito nenhum”, o especialista usou como exemplo o dispositivo que coloca ímãs no tanque.

“Os ímãs seriam para alinhar as moléculas do combustível, mas não geram alteração nenhuma. Não tem base científica”, afirmou.

É recomendável instalar esses dispositivos para tentar economizar?

Também não. A AEA (Associação de Engenharia Automotiva) informou que não recomenda o uso de dispositivos de economia de combustível em veículos por não estarem em conformidade aos requisitos técnicos dos fabricantes.

“Se esses equipamentos, de fato, fossem comprovadamente eficientes, as próprias montadoras já teriam introduzido essa tecnologia”, diz o comunicado da associação.

Heber Carvalho, presidente do Sincopeças-SP (Sindicato Comércio Varejista Peças Acessórios Veículos no Estado São Paulo), que representa 37.500 lojas, diz que a entidade não recomenda e não apoia o uso desses economizadores.

“Nem recebemos esses equipamentos nas lojas. Eles mudam o comportamento do veículo e, como não são de fábrica, o veículo perde a garantia”, afirmou.

O professor do Instituto Mauá de Tecnologia explicou porque também não recomenda os dispositivos mencionados por ele.

“Os ímãs não apresentam riscos ao carro porque não acontece nada. O hidrogênio se não for bem dosado, em quantidade não adequada, pode sujar o motor e causar dano. Se tiver que mudar peças do carro, perde a garantia”.

Existe uma forma de poupar combustível?

Sim, mas a economia é muito pequena, em torno de 1%, como explica o engenheiro. “Produtos químicos, como aditivos no combustível, que alteram suas características, muitas vezes funcionam porque melhoram a octanagem. Alguns limpam o motor por dentro, mas os ganhos são imperceptíveis. A economia é menor que 1% e esses produtos não são baratos. A conta não fecha”, afirmou Romio.

O presidente do Sincopeças-SP afirma que, a manutenção preventiva faz com que o veículo funcione bem e assim, não gaste combustível em excesso.

“O ideal é fazer uma vez ao ano, a cada 5 mil e 10 mil quilômetros rodados. Varia de acordo com o quanto o motorista use o carro. Manter a troca de óleo em dia também evita o desgaste das peças e ajuda no melhor consumo”, disse Carvalho.

O engenheiro automotivo do Instituto Mauá de Tecnologia ainda lembrou que manter a pressão dos pneus e o bom estado das velas também ajuda a gastar menos combustível, assim como a maneira de guiar dos motoristas.

“Manter velocidade baixa nas estradas e na cidade evitar saídas e paradas é mais econômico. O motor gasta muito para sair da inércia, quanto mais constante velocidade na cidade, mais econômico será. Ao ver que o sinal vai fechar, vai diminuindo, esperando ele abrir”.

Existe lei que regulamenta a instalação de dispositivos de economia nos veículos?

O Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) faz a homologação de acordo com as características originais dos veículos e seus motores. As emissões de poluentes pelos motores são fiscalizadas pelo Proconve (Programa de Controle de Emissões Veiculares). Os motoristas que optarem por instalar economizadores de combustível, devem levar o veículo para uma inspeção veicular e assim identificar se as emissões estão dentro dos parâmetros da legislação.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).