O Nubank abrirá capital na Bolsa de Valores de Nova York, a NYSE, no próximo dia 8. Após pleitear uma avaliação de aproximadamente US$ 50 bilhões, a empresa, que tem mais de 48 milhões de clientes, reduziu a pedida em quase US$ 10 bilhões nesta terça-feira (30) e estabeleceu um valor de até US$ 41,5 bilhões.

Embora exista consenso de que a empresa tem boa reputação, goza de alto índice de satisfação perante os consumidores e apresenta um negócio inovador, o mercado ainda discute se a compra das ações compensa a quantia estabelecida como meta no prospecto.

Para a Suno e a Nord Research, duas das principais casas de análise do país, a resposta é não. “O Nubank alterou a faixa indicativa em 20%. Mesmo com esse corte, a gente entende que não é o bastante para alterar o nosso racional. Não há a margem de segurança necessária para entrar no IPO. O preço está elevado em comparação com os pares do banco, o que implica em vários riscos, principalmente o de execução. A este preço, eles têm que entregar muito crescimento e rentabilidade para se pagar”, diz o analista da Suno Research João Daronco.

O período de reservas se encerra em 7 de dezembro e, no dia seguinte, os preços das ações serão fixados. Cada uma deverá valer entre US$ 8 e US$ 9. Os investidores brasileiros sem conta no exterior poderão participar do IPO por meio da compra de BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que equivalerão a um sexto do valor da participação unitária da companhia nos Estados Unidos.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira (29), quando o valor estipulado ainda era de aproximadamente U$ 50 bilhões, a Suno disse que prioriza ações de “risco baixo a moderado” com descontos por vezes superiores a 50%, perfil no qual o banco digital não se enquadraria.

Por ser um ativo de risco elevado, seria preciso uma “margem de segurança” de 35% em relação aos US$ 48 bilhões iniciais, ou seja, U$ 65 bilhões. Para atingir tal meta, o Nubank precisaria gerar um fluxo de caixa líquido de US$ 1 bilhão para o acionista em 2022 e aumentá-lo em 23% anualmente, a juros compostos, nos 15 anos seguintes.

Esta possibilidade é vista pela Suno como improvável, dado o histórico recente de prejuízos consecutivos da empresa. “Hoje, a companhia tem prejuízo líquido. Nos nove meses iniciais de 2021, este foi de R$ 528,4 milhões. Mesmo ajustando o prejuízo a outros fluxos de caixa operacionais, chega-se a uma geração de R$ 500 milhões entre 2018 e 2020 é de R$ 1,7 bilhão no acumulado dos nove primeiros meses de 2021.”

Com a alteração do valor do prospecto, a casa de análises manteve a orientação contrária à compra de ações no IPO. “ Mantemos nossa orientação ao investidor para que fique de fora do IPO”, diz a Suno.

Ao compará-lo com os bancos tradicionais do país, a casa de análises classifica o Nubank como “estratosfericamente caro”. Em relação às demais instituições financeiras nacionais focadas nas carteiras digitais, o valor também é considerado elevado.

Danielle Lopes, analista da Nord, completa: “O preço do IPO de Nubank vem bastante salgado pela falta de crescimento de lucro”.

Outros motivos que jogam contra

Muitos investidores individuais se empolgaram com a possibilidade de compra dos papéis após o megainvestidor Warren Buffet, um guru do mundo dos investimentos, aportar US$ 500 mil de sua fortuna na empresa em uma rodada de negociações. O relatório, no entanto, lembra que o preço inicialmente oferecido no IPO é 60% superior àquele pelo qual Buffet adquiriu suas participações.

A Suno elencou outros fatores que pesam contra o Nubank, como concorrência crescente de grandes participantes do mercado, a ausência de barreiras de entrada para o setor, a falta de experiência nos países latino-americanos para onde pretendem expandir os negócios, a sujeição ao risco de crédito e a dependência do negócio de cartões de crédito.

A Nord destacou que 68% das receitas do Nubank se concentram em consumo dos clientes, juros de cartão de crédito e concessão de empréstimos, atividades com menor peso na composição dos lucros dos grandes bancos do país. O Itaú, por exemplo, tem maiores rentabilidades na prestação de serviços, como o de conta corrente, e na venda de seguros, fontes de faturamento ainda pouco exploradas pela fintech.

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