Quem consome carne diariamente já sentiu a pressão do preço no bolso. Segundo dados do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), nos últimos 12 meses, houve aumento de 7,76%. Apenas em novembro, a alta foi de 3,08%.

A elevação dos preços é resultado do aumento das importações chinesas. Dados do Ministério da Economia mostram que as exportações de carne bovina para o país subiram 163% só em outubro. As vendas de carne suína tiveram uma alta de 160%, e as de frangos, 61%.

E quando o preço vai diminuir para o consumidor brasileiro? Não há expectativa de diminuição dos preços das carnes até o final do ano, segundo Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador de pecuária do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP. “A falta de oferta de boi nesse segundo semestre somada ao apetite externo e à tradicional demanda de final de ano ajudaram na valorização do preço das carnes”, afirma.

O professor de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Mauro Rochlin, também acredita que o preço para o consumidor brasileiro deve se manter alto. “A tendência é que os preços internos se estabilizem à medida que se equipare aos externos “.

Já a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos) avalia que os preços da carne bovina vão começar a cair no curto prazo. Em nota, a associação afirma que a elevação para os preços atuais não é sustentável e deve retroceder em breve. No entanto, não é esperada a redução aos patamares praticados antes do aumento da importação chinesa.

Com esse aumento da exportação há possibilidade de faltar carne no mercado? A chance do produto entrar em situação de escassez no Brasil é muito baixa.

A Abrafrigo afirma que não há risco de desabastecimento. O que pode ocorrer é que os pequenos frigoríficos, principalmente, não consigam comprar o produto nos termos atuais e aguardem a redução dos preços para restabelecer seus estoques.

Carvalho ressalta que 80% da produção de carne no Brasil é consumida pelo mercado interno. O pesquisador afirma que no momento não há falta de nenhum corte e não há motivos para preocupações.

Para Rochlin, a escassez do produto também está descartada. “Não vai faltar carne. O que pode acontecer é aumento dos preços e isso vai depender de como ficarão as exportações nos próximos meses”.

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