A Unilever fez o maior reajuste de preços em quase uma década, repassando os crescentes custos das matérias-primas aos consumidores e como forma de compensar a queda das remessas no Sudeste Asiático devido a surtos de Covid-19.

A fabricante do sabonete Dove e outros bens de consumo disse que subiu os preços em 4,1% no terceiro trimestre, o ritmo mais rápido desde o início de 2012. O CEO Alan Jope prevê pelo menos mais 12 meses de pressão inflacionária.

“O pico da inflação ocorrerá no primeiro semestre de 2022 e vai se desacelerar à medida que avançamos para o segundo semestre”, disse Jope em entrevista à Bloomberg Television.

Rivais como Procter & Gamble, Nestlé e Danone também alertaram sobre gargalos nas cadeias de suprimentos e custos crescentes das commodities. A Unilever enfrenta o risco de que os preços mais altos possam levar consumidores a buscarem produtos mais baratos. As remessas da empresa caíram no terceiro trimestre, ao contrário das expectativas.

Cerca de 20 bilhões de euros em custos anuais de matérias-primas e embalagens e 3 bilhões de euros em custos anuais de logística foram impactados pela inflação, disse o diretor financeiro da Unilever, Graeme Pitkethly, em conversa com repórteres. A empresa enfrenta pressão de preços mais altos de commodities como óleo de palma, óleo de soja e derivados petróleo como resina, bem como custos de transporte.

“Continuamos a subir os preços com responsabilidade e isso se relaciona com níveis muito altos de inflação que temos observado”, disse Pitkethly. Apesar de a inflação na indústria de bens de consumo estar acelerada, o impacto na Unilever é um pouco menor devido ao seu poder de negociação, disse.

A inflação pode subir ainda mais no ano que vem, e a empresa talvez tenha que administrar preços à vista quando os hedges expirarem, disse o diretor financeiro. A Unilever tenta compensar parte do impacto por meio de medidas de eficiência, e a empresa espera gerar um pouco mais do que a meta anual de 2 bilhões de euros (US$ 2,3 bilhões) em economias este ano.

A forte queda da demanda no importante mercado do Sudeste Asiático anulou o desempenho mais forte nos EUA, China e Índia. O Vietnã foi especialmente afetado pela Covid-19 e ficou em lockdown na maior parte do trimestre, com a entrega de alimentos a residentes feita pelo Exército. O sudeste da Ásia respondeu por dois terços da queda de 1,5% do volume do terceiro trimestre, disse Pitkethly em teleconferência com repórteres.

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