O preço do ouro teve um solavanco após o anúncio histórico do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve) de uma nova abordagem em que tolera inflação mais alta. O UBS Group avalia que os próximos passos da instituição serão determinantes para o metal precioso, que bateu recorde em meio à pandemia.

“O que o Fed fizer a seguir será crucial para o ouro”, afirmaram analistas da divisão global de gestão de fortunas, incluindo Wayne Gordon, em relatório. Os analistas mantiveram a recomendação de avanço do metal. A mudança de postura “coloca a credibilidade do Fed em jogo”, acrescentaram.

A onça do ouro ultrapassou a marca de US$ 2.000 neste mês, à medida que a pandemia de coronavírus devasta economias e leva à injeção de enormes estímulos governamentais, inclusive pelo Fed.

Na semana passada, o presidente do Fed, Jerome Powell, apresentou uma postura mais flexível em relação à inflação após uma longa revisão sobre como o banco central mais influente do mundo cumpre seu mandato. Agora, as atenções se voltam para a próxima reunião de política monetária no mês que vem.

“Esperamos que se comprometa com uma taxa básica zero até que a inflação esteja claramente acima da meta e passe a comprar títulos do Tesouro de prazo mais longo”, afirmaram os analistas. “A forma como o Fed pretende incentivar a atividade econômica e reduzir o desemprego, assim desencadeando (expectativas de) inflação, é mais importante para o ouro do que a declaração de estratégia de Powell em si.”

Ouro à vista foi negociado a US$ 1.966,72 nesta segunda-feira, depois de atingir o maior patamar de todos os tempos, a US$ 2.075,47, em 7 de agosto. Os preços já subiram 30% no ano. O UBS espera que os preços testem novamente o nível dos US$ 2.000.

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