O UBS BB fez expressivas revisões em suas estimativas para juros e inflação no Brasil para 2022, prevendo agora que a Selic alcançará dois dígitos depois de uma aceleração a 150 pontos-base no passo de aumento da taxa em cada uma das últimas duas reuniões do Copom deste ano.

Na próxima quarta-feira o Bacen elevará a Selic em 150 pontos-base, magnitude que será repetida no encontro do colegiado de 7 e 8 de dezembro. Antes, o UBS previa acréscimo de 100 pontos-base para ambos.

“Como acreditamos que uma decisão oportuna é necessária, estamos alterando o ritmo (esperado de alta dos juros) para as próximas duas reuniões”, disseram Alexandre de Ázara (economista-chefe do UBS BB) e Fabio Ramos (economista) em relatório da quinta-feira.

Com isso, o juro fecha 2021 em 9,25%, ante os atuais 6,25% e projeção anterior de 8,25%.

O JPMorgan havia aumentado também na quinta-feira a 125 pontos-base sua projeção de acréscimo da taxa Selic em cada uma das próximas duas reuniões do Copom.

O UBS BB manteve prognóstico de que o BC subirá o juro em 100 pontos-base na primeira reunião do Copom de 2022, em fevereiro, quando encerraria o ciclo de aperto monetário.

Assim, a taxa básica de juros da economia concluiria o ano que vem em 10,25% nominal, maior patamar desde julho de 2017 e 825 pontos-base acima da mínima histórica de 2% que vigorou entre agosto de 2020 e março de 2021.

“O que for preciso é, de fato, o que for preciso”, disseram os economistas no relatório, fazendo referência a fala recente do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de que a autarquia fará o “que for preciso” para a ancoragem da inflação no médio e longo prazos.

A expressão é famosa na comunidade financeira por ter sido utilizada por Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE) de 2011 a 2019. Em 2012, Draghi disse que o BCE estava “pronto para fazer o que for preciso para preservar o euro”. À declaração é dada o crédito de salvamento do bloco monetário, cuja existência ficou ameaçada por uma aguda crise de dívida no período.

O UBS BB também elevou o prognóstico para a inflação medida pelo IPCA em 2022, passando de 3,5% para 4% –ficando acima, portanto, da meta para o ano que vem (3,50%).

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