Em 2020, as vendas de celulares caíram cerca de 8% em comparação com o ano anterior, segundo dados da IDC Brasil. Por outro lado, empresas de seguro para celular viram o número de contratações aumentar, em um movimento dos clientes para garantir proteção aos seus smartphones, que se tornaram fiéis escudeiros durante a pandemia.

Mesmo assim, a proporção de brasileiros que têm seguro para celular ainda é bem pequena. Segundo levantamento da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais), cerca de 10 milhões de smartphones possuem algum tipo de proteção, em um universo de 230 milhões de aparelhos ativos. Essa fração representa apenas 4,3% e é puxada, principalmente, pelos jovens, com idade entre 20 e 35 anos.

É o caso de Luan Marconi, estudante de Administração, que resolveu contratar um seguro para seu celular depois de passar alguns apuros pelas ruas cariocas. Ele conta que sempre teve medo de ser roubado e, por isso, assinou o serviço para que tivesse essa tranquilidade.

“Achei o custo-benefício muito bom e o diferencial do que contratei está na cobertura de furtos simples [sem que o dono veja]. Eu sei que aqui a maioria dos furtos é assim”, detalha.

Ele escolheu a insurtech Pier, se juntando aos milhares de novos clientes que a empresa ganhou em 2020. Durante todo o ano, a carteira de beneficiários da seguradora digital cresceu mais de 60% e, no primeiro trimestre de 2021, acumulou alta de 20%. Desde o seu lançamento, em 2018, a marca garante já ter ressarcido mais de R$ 9 milhões.

“Temos casos de pessoas que estão no aeroporto para viajar e ficam com medo de sofrer algum roubo no lugar para onde estão indo. Então, elas baixam nosso app, fazem o cadastro e na hora já ficam protegidas”, diz “Igor Mascarenhas, CEO e cofundador.

Além de não estabelecer carência, a marca lançou recentemente o Pier Bolt, uma tecnologia baseada em inteligência artificial, que reduz o tempo de avaliação do sinistro e aprova o reembolso em questão de segundos. “A gente usa a tecnologia para entregar ao consumidor o que ele precisa, que é um serviço simples, descomplicado, acessível e que resolva o problema”, afirma Mascarenhas.

E quanto custa o serviço?

O preço de um seguro para celular varia conforme o modelo do aparelho e as coberturas selecionadas durante a contratação. Cada empresa possui critérios para definir as mensalidades e algumas delas prometem valores baixos, a partir de R$ 14 para algumas marcas. O 6 Minutos fez simulações em quatro seguradoras digitais usando um iPhone 7 de 128GB como base, que custa cerca de R$ 2.400 nas lojas do varejo.

A Pier trabalha com uma tabela interna que classificou o reembolso deste modelo em R$ 1.660. Ela mantém dois planos, ambos com cobertura para roubo e furto: o econômico custa R$ 25 e devolve 80% do valor de avaliação (R$ 1.328), enquanto o premium custa R$ 35 e reembolsa o total.

A BemMaisSeguro também mantém duas opções: contra roubo (R$ 33) e contra roubo, quebras e danos líquidos (R$ 43). Atualmente, só são aceitos celulares com até 18 meses de uso, comprovado por nota fiscal, e a indenização é com um equipamento novo.

Filiada ao Banco do Brasil, os planos da Ciclic funcionam nos moldes da startup anterior, variando de R$ 33 (básico) a R$ 37 (completo). Esta é a única que cobra franquia no acionamento do seguro, o que representa 25% sob o valor de mercado para a devolução de um smartphone novo.

Já na Komus, o próprio segurado escolhe o valor da indenização que deseja receber, entre R$ 1.040 (R$ 25 por mês) e R$ 1.730 (R$ 42). O diferencial desta opção está no cashback que oferece no segundo ano de contrato, se não houver acionamento. O plano cobre ocorrências de roubo e furto, e não há objeção quanto a falta de nota fiscal ou ao tempo de uso do aparelho.

Para Carlos Eduardo Silva, da comissão de seguro e afinidades da FenSeg, no Brasil, onde a maior parte da população tem o seu orçamento comprometido com contas fixas e alimentação básica, o seguro desponta como uma solução para evitar despesas surpresas. “Você não vai ter que desprender, novamente, de todo aquele valor que você pagou no aparelho, já que vai ser ressarcido. É até uma forma de planejamento familiar”, afirma.

Mas é preciso cuidados

A dica de qualquer especialista neste assunto é que o consumidor esteja atento aos termos e condições de cada apólice. Embora muitos estejam escritos em letras minúsculas, é nesse documento que vão estar todas as informações sobre coberturas e procedimentos para indenização – inclusive se há pagamento de franquia.

“No caso dos planos que cobrem danos, você tem vários tipos: quedas, derramamento de líquidos, oxidação, entre outros. É preciso saber qual cobertura contratada, então vale a pena perguntar e olhar as condições”, orienta Carlos.

Para quem já contratou um plano e se arrependeu – depois de ver as coberturas – algumas seguradoras permitem o cancelamento do serviço sem cobrança de taxas, excluída as que estabelecem períodos de fidelidade.

Além disso, o CDC (Código de Defesa do Consumidor) garante o direito ao arrependimento, que autoriza o cliente a cancelar um contrato, em até 7 dias, caso a negociação tenha sido feita fora de um estabelecimento comercial, como pela internet ou por telefone.

“Quando se olha o que é possível fazer com um smartphone, que se tornou quase um minicomputador, a gente vê a necessidade de protegê-lo. Para muitas pessoas, inclusive, é essencial para o ganha pão, a exemplo dos motoristas por aplicativo, que usam o celular para fazer corridas todos os dias”.

 

Seguro para celular versus garantia estendida

Muitas pessoas fazem uma certa confusão entre seguro para celular e a garantia estendida. Enquanto o primeiro serve para produtos já em uso, o segundo só serve para novos equipamentos e sua aquisição é feita preferencialmente na hora da compra do eletrônico, de forma opcional.

Este tipo de apólice, via de regra, cobre apenas defeitos de funcionamento, constatados depois do período de garantia legal ou contratual, que varia entre 3 e 12 meses. De forma geral, as empresas não indenizam por furtos ou roubos, nem por quedas ou danos líquidos.

O 6 Minutos também simulou o valor deste plano nas lojas do varejo, desta vez usando o Samsung Galaxy S20 como base. Com um ano de duração, o serviço custa R$ 10 no Extra, R$ 21 no Kabum e R$ 31 no Magalu.  Há, também, opções de dois ou três anos.

Carlos explica que essa assinatura estica as garantias de fábrica, conforme o tempo contratado pelo consumidor, de 12 a 36 meses. “Qualquer problema protegido pela garantia de fábrica, a seguradora vai dar a mesma cobertura. Nos casos em que não houver possibilidade de reparo, ela dará um aparelho novo”, esclarece.

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