Os mercados de energia devem enfrentar mais turbulência nos próximos anos, dado que a transição para fontes mais sustentáveis traz mais volatilidade.

As oscilações bruscas de preços vieram para ficar, com a chega de fontes mais intermitentes de geração de energia renovável no sistema, afirmou Anna Borg, CEO da Vattenfall, distribuidora de eletricidade da Suécia. Isso ocorre porque os instrumentos para controlar altos e baixos — como baterias em grande escala e flexibilização da demanda — não estão totalmente desenvolvidos, segundo ela.

O mundo enfrenta uma crise de energia, à medida que as economias reabrem após a pandemia e a demanda se recupera. Paralelamente, a diminuição dos investimentos em combustíveis fósseis significa oferta insuficiente. As metas de descarbonização estão sendo definidas sem qualquer planejamento, afirma Ivan Glasenberg, acionista e ex-CEO da Glencore, a maior corretora de commodities do mundo.

“Estamos construindo um sistema de energia mais volátil com fontes renováveis do que fizemos com os combustíveis fósseis”, disse Borg. “Mas olhando para projetos planejados para os próximos 10 anos, até 2030, muita coisa vai acontecer até lá.”

Os preços da energia dispararam em todo o mundo. A escassez de gás natural incentivou a volta da procura por carvão. Na Europa, os preços do gás bateram um recorde atrás do outro este ano, enquanto contratos futuros nos EUA subiram para o maior nível desde 2014. Na Ásia, os preços do carvão também bateram recordes.

A transição para uma parcela maior de energia renovável não apenas aumentará a volatilidade nos mercados, como também pode significar preços permanentemente mais elevados, afirmou Igor Sechin, CEO da Rosneft PJSC, durante uma conferência em Verona na quinta-feira. Ele defende uma mudança gradual em direção a fontes sustentáveis de eletricidade.

“Desde o início do ano, observamos um forte avanço dos preços do gás na Europa, ligado principalmente ao excesso de confiança na confiabilidade da geração alternativa”, disse Sechin. “A era de preços de energia relativamente baratos, que durou quase um século e se tornou o principal motor do desenvolvimento econômico global, pode chegar ao fim.”

A Agência Internacional de Energia vem repetindo que as fontes renováveis não são culpadas pela atual crise energética e que o mundo precisa continuar a migração para fontes de energia limpa para evitar os piores impactos da mudança climática.

Serão necessários investimentos de pelo menos US$ 92 trilhões até 2050 para reduzir as emissões a tempo de evitar os efeitos mais graves da mudança climática, de acordo com a BloombergNEF. Partindo dos compromissos atuais, a capacidade eólica e solar precisa aumentar em cerca de dois terços até 2050, prevê a Agência Internacional de Energia.

“A longo prazo, precisamos ter certeza de que há mais geração renovável e livre de combustíveis fósseis no mercado”, disse Borg, da Vattenfall.

Mas há um descompasso entre a pressão da sociedade para acelerar a transição para uma energia mais verde e a real disponibilidade de fontes mais limpas, argumentou Glasenberg.

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