Os 2.153 bilionários do mundo detêm mais riqueza do que 4,6 bilhões de pessoas –60% da população mundial. Por trás disso está a baixa remuneração de serviços fundamentais e a desigualdade de gênero, mostrou o relatório da organização não governamental Oxfam, Tempo de Cuidar – O trabalho de cuidado mal remunerado e não pago e a crise global da desigualdade, lançado nesse domingo (19), às vésperas do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

O estudo aponta que a desigualdade global está em níveis recordes e o número de bilionários dobrou na última década. Segundo o levantamento, o 1% mais rico do mundo detém mais que o dobro da riqueza de 6,9 bilhões de pessoas.

De onde vem a desigualdade? Segundo o relatório, da não valorização do trabalho de mulheres e meninas, principalmente das que estão na base da pirâmide econômica. Elas trabalham em serviços domésticos e de cuidado de idosos e crianças, por exemplo, que tradicionalmente são mal remunerados – quando o são.

As mulheres fazem mais de 75% de todo trabalho de cuidado não remunerado do mundo. E para a diretora executiva da Oxfam Brasil, Katia Maia, esse quadro dificulta o acesso a serviços públicos que possam ajudá-las nessas tarefas tão importantes.

Quanto deveria valer esse tipo de trabalho? O valor monetário global do trabalho de cuidado não remunerado prestado por mulheres a partir dos 15 anos é de US$ 10,8 trilhões por ano.

O impacto da desigualdade de gênero: De acordo com a organização, no mundo, os homens detêm 50% a mais de riqueza do que as mulheres. “Se você juntar os 22 homens mais ricos do mundo, eles têm a mesma riqueza que todas as mulheres que vivem na África, que é em torno de 650 milhões”, diz Katia.

Existe alguma perspectiva de mudança? Sim, mas para pior. Segundo a Oxfam, o problema deve se agravar na próxima década à medida que a população mundial aumenta e envelhece. Estima-se que 2,3 bilhões de pessoas, entre idosos e crianças, vão precisar de cuidado em 2030, um aumento de 200 milhões desde 2015.

Como fica o Brasil nisso? Por aqui, em 2050,  77 milhões de pessoas que vão depender de cuidado. Isso equivale a pouco mais de um terço da população estimada entre idosos e crianças, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O mundo enfrenta uma crise de prestação de cuidados devido aos impactos do envelhecimento da população, a cortes em serviços públicos e sistemas de proteção social e aos efeitos das mudanças climáticas – ameaçando piorar a situação e aumentar o ônus que recai sobre trabalhadoras de cuidado”, diz o documento.

E as taxas cobradas sobre os riscos? O relatório aponta que governos vêm cobrando alíquotas fiscais baixas dos mais ricos e de grandes corporações, abandonando a opção de levantar os recursos necessários para reduzir a pobreza e as desigualdades. Se o 1% mais rico do mundo pagasse uma taxa extra de 0,5% sobre sua riqueza nos próximos 10 anos, seria possível criar 117 milhões de empregos em educação, saúde e de cuidado para idosos.

Como resolver esse problema? A solução passa por governos e empresas, que precisam investir em sistemas nacionais de prestação de cuidados para estimular que também homens sejam cuidadores, e que a remuneração desse serviço melhores. Também será necessário oferecer benefícios e serviços como creches e vales-creche e garantir salários dignos para prestadores de cuidado.

(Com Agência Brasil)

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