A volta da confiança ao mercado de capitais do país nas últimas semanas do ano não se reflete apenas nos sucessivos recordes do Ibovespa e no fortalecimento do real em relação ao dólar.

Os títulos de dívida externa do Brasil estão sendo negociados no mercado a preços que remetem à época em que o país ostentava o chamado grau de investimento, selo que atestava a saúde da economia e das finanças públicas. É como se a crise politico-econômica que começou em 2013 fizesse parte de um passado distante e fosse apenas questão de tempo até que as agências de classificação de risco se deem conta disso.

Confiantes na continuidade da agenda de reformas e no impacto na economia da queda dos juros básicos para os menores níveis históricos, investidores levaram o risco-país para níveis não vistos desde 2010. Naquele ano, o Brasil cresceu 7,5% e ainda era considerado um porto seguro para quem quisesse adquirir títulos do país.

O que dizem os especialistas? “Os títulos soberanos já estão sendo negociados acima do rating”, disse Mauro Roca, diretor para mercados emergentes da TCW Group em Los Angeles, que supervisiona cerca de US$ 211 bilhões.

Qual a nota atual do Brasil? O Brasil tem nota BB- pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, três níveis abaixo do grau de investimento, e Ba2 pela Moody’s Investors Service, dois degraus abaixo dessa chancela. A S&P recentemente melhorou a perspectiva do rating de estável para positiva, mas avisou que o upgrade ainda depende da melhora do crescimento econômico e da continuidade da agenda de reformas.

O que pesa a favor e contra a melhora da nota do Brasil? O Brasil tem elevadas reservas internacionais e amplo acesso ao mercado de capitais doméstico e externo, mas, para as agências de classificação de risco, as métricas de dívida ainda precisam melhorar. A dívida pública total do Brasil deve atingir 61% do PIB ao fim de 2019, segundo a S&P, 2,5 vezes mais que a relação dívida/PIB esperada para o Uzbequistão e mais de 15 pontos percentuais superior à previsão para o México, que tem nota BBB+.

O governo do presidente Jair Bolsonaro vem tocando uma agenda ambiciosa para diminuir o tamanho do estado na economia e reequilibrar as finanças públicas, com medidas que vão da aprovação da reforma da Previdência à venda de subsidiárias da Petrobras e à abertura de capital de unidades de bancos estatais. O governo agora pretende implementar mudanças no regime tributário e nas carreiras do funcionalismo, entre outros.

Quando o Brasil deve voltar a melhorar de nota? Investidores e analistas esperam um upgrade no ano que vem. “Olhando as contas externas, o Brasil já deveria ter grau de investimento”, disse Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco. Ele espera que o rating do Brasil seja elevado em dois níveis até o fim do atual governo, em 2022, o que aproximaria o país da reconquista do grau de investimento.

(Com a Bloomberg)

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