A seca prolongada e o calor abrasador que devastam as safras brasileiras estão secando as represas do país, ameaçando o fornecimento de eletricidade no momento em que a maior economia da América Latina se recupera da desaceleração causada pela pandemia.

Após um crescimento mais forte do que o esperado no terceiro trimestre, o país disse que pode haver falta de eletricidade, já que chuvas insuficientes neste ano esgotaram os reservatórios de água das usinas hidrelétricas.

Nesta semana, a agência reguladora de energia Aneel anunciou um encargo extra na conta de luz dos brasileiros a partir deste mês – uma medida que o presidente Jair Bolsonaro disse ser necessária para evitar apagões.

“Os reservatórios não estão preparados para um grande crescimento econômico,” Adriano Pires, analista de energia na empresa de consultoria CBIE no Rio de Janeiro, disse em entrevista. “O fornecimento de eletricidade pode entrar em colapso se a economia decolar no próximo ano em meio a perspectivas de uma vacina.”

Durante anos, a economia morna do Brasil foi o principal fator a impedir um apagão, já que os reservatórios de água são críticos desde 2013, disse Pires. Cerca de dois terços da eletricidade do país é fornecida por usinas hidrelétricas.

Com chuvas abaixo do normal desde maio, os reservatórios de água dos sistemas Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por cerca de 70% da energia elétrica demandada no Brasil, caíram para apenas 17% da capacidade, segundo o regulador ONS.

O clima selvagem também reduziu as perspectivas de produção para o próximo ano de cana-de-açúcar, laranja, café, safras de soja e milho, o que pode prejudicar os preços dos alimentos.

O verão no Brasil, que vai de dezembro a março, provavelmente não trará muita trégua para represas ou plantações. Embora a previsão seja de chuvas mais regulares até o final de março, os volumes ainda podem ficar abaixo ou dentro da média, segundo a Somar Meteorologia.

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