A fraqueza do setor público na economia brasileira já é conhecida. Em grave crise fiscal e gastando mais do que arrecada desde 2013, o governo federal reduziu os investimentos ao menor nível desde 2004.

Mas a dimensão da contribuição — ou da falta dela — do setor público para o PIB (Produto Interno Bruto) acaba de ser revelada por um relatório da SPE (Secretaria de Política Econômica) — subordinada ao Ministério da Economia — divulgado nesta segunda-feira (dia 20). E as conclusões são impressionantes: as esferas do governo estão “roubando” mais de 1 ponto percentual do PIB, a depender do cálculo.

Vamos aos números: O PIB do setor privado cresceu 2,72% no terceiro trimestre (dado mais recente divulgado) na base anual, ou seja, na comparação com o mesmo período de 2018, segundo cálculos do estudo da SPE. Na contramão, o PIB do setor público encolheu 2,25% entre julho e setembro. Como resultado dessa equação, dado que o setor privado tem maior peso na economia do que o público, o PIB nacional avançou 1,19% no terceiro trimestre.

Ou seja, o setor público derrubou o crescimento em 1,53 ponto percentual.

No acumulado de quatro trimestres, a economia do setor privado teve uma expansão de 1,81%, enquanto — mais uma vez — a do setor público enfrentou uma queda, desta vez de 1,11%. No total, o avanço foi de 1,02%.

O que diz a SPE? “A trajetória recente de redução dos juros tem criado um ambiente mais favorável para o investimento na economia, uma vez que diminui o custo do capital”, diz o governo no relatório.

Mas o governo não vai voltar a investir? A nota é assinada por uma secretaria subordinada ao ministro Paulo Guedes, que é um notório crítico de decisões de investimento de governos passados que resultaram em perdas de dezenas de bilhões de reais — para ficar em apenas dois exemplos, foi o caso da empresa de administração de sondas Sete Brasil, em recuperação judicial, e do Comperj, o complexo petroquímico do Rio, cujas obras começaram em 2008 e deveriam ter sido concluídas em 2012, mas até hoje estão inacabadas.

O relatório sinaliza que o atual governo vai continuar a incentivar o investimento privado mesmo que o setor público consiga reequilibrar as suas finanças e, por tabela, a sua capacidade de bancar novos projetos: “O investimento privado livre de direcionamento busca o maior retorno e prioriza projetos com maior produtividade esperada.”

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