O setor de serviços, um dos mais afetados pela pandemia de coronavírus, cresceu 0,7% em abril na comparação com maio. Na comparação com abril de 2020, o volume de serviços avançou 19,8%, segundo dados da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Esse resultado positivo significa que já dá para comemorar? Não é bem assim. O setor ainda está 1,5% abaixo de fevereiro de 2020, período pré-pandemia. Mas algumas subcategorias estão muito longe desse patamar e dificilmente vão conseguir se recuperar enquanto permanecerem as medidas de isolamento social.

Esse é o caso de serviços prestados às famílias, como alojamentos, bares e restaurantes, que estão 41% abaixo do patamar pré-pandemia. O buraco do setor de serviços aéreos é mais fundo ainda: 46% menor que antes da pandemia.

O que explica a alta de abril então? O principal deles é a base de comparação. Março foi um mês muito ruim, porque a segunda onda de pandemia obrigou Estados e municípios a apertarem as regras de isolamento. Como serviços é um setor muito dependente da aglomeração de pessoas, essas medidas derrubam sua atividade.

“A gente pode olhar para o resultado de abril sob duas óticas. A primeira é de que o resultado foi positivo, já que algumas medidas restritivas permaneceram em abril e mesmo assim o setor não sofreu tanto. Por outro lado, tem que contextualizar que março foi um mês que o setor caiu 3,1%. A alta de abril compensa parte do que foi perdido em março”, afirma Rodolpjo Tobler, coordenador da sondagem do comércio da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Prova disso é que uma das principais altas de abril foram os serviços prestados à família, que cresceram 9,3%. Mas em março o segmento havia tombado 28%.

Resta alguma luz no fim do túnel? Uma bem fraquinha. “Não dá para cravar que o setor está em linha de recuperação, porque isso depende muito do ritmo de vacinação e do controle da pandemia. Enquanto isso não acontecer, as atividades vão continuar com restrição de funcionamento. Enquanto um restaurante operar com 50% da capacidade, ele não consegue voltar ao patamar pré-pandemia”, afirma Tobler.

Por outro lado, Tobler diz que os indicadores prévios de maio trazem algum alento. “Os indicadores de mobilidade e de confiança dão sinais de que o segundo trimestre pode ser melhor que o primeiro. Mas existem riscos e o principal deles é a pandemia. O setor de serviços é muito sensível e será baqueado se tiver uma terceira onda. Se isso acontecer, o emprego será afetado, já que serviços é o setor que mais emprega.”

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