Em meio à pandemia do coronavírus, empresas fecham, contratos são suspensos, muita gente fica doente e poucos carros vão às ruas. Isso acerta em cheio o setor de seguros, que ensaiava uma recuperação após a crise econômica de 2015. Em 2019, a indústria movimentou mais de R$ 270 bilhões, alta superior a 12% ante 2018.

Até que o coronavírus impôs uma pausa e forçou adaptações, principalmente no segmento de saúde e nos serviços digitais das operadoras e corretores.

Segundo a CNSeg, a Confederação Nacional das Seguradoras, ainda não é possível mensurar o impacto da pandemia nessa indústria porque os dados de março e abril só serão consolidados em junho.

Mas conhecendo como a coisa funciona, o presidente Marcio Coriolano analisou algumas realidades e tendências para o 6 Minutos.

O que está acontecendo no setor de seguros de saúde? Primeiro, um aumento exponencial na quantidade de internações decorrentes da covid-19. Mas Coriolano pondera que, por outro lado, a queda na demanda por consultas e exames eletivos também é significativa. “As operadoras podem ter uma redução das despesas eletivas devido à redução da mobilidade das pessoas pelas determinações de distanciamento e isolamento social”.

Que categorias devem ser mais afetadas? Além da saúde, os contratos de seguros patrimoniais e responsabilidades devem sofrer um impacto diante da queda de produção e faturamento de setores importantes da economia. Essa categoria dá  cobertura para despesas fixas, como salários e encargos sociais e trabalhistas.

O segmento de seguro residencial deve ganhar importância. “Segurar a casa é relevante porque ela se tornou também o escritório”, explica Coriolano.

Os contratos de seguros prestamista, que garante o pagamento de prestações em caso de morte ou invalidez do seguro, também podes ser afetados. A indústria espera um aumento na inadimplência das mensalidades, pelo menos no pico da crise.

Quais as tendências para a indústria seguradora? Na visão de Coriolano, uma delas será a comercialização do seguro temporário e intermitente. Nesse modelo, os segurados contratam uma cobertura por período específico, seja ele anual, mensal ou por poucos dias (leia mais neste link). É o seguro pay-per-use.

A pandemia expôs à sociedade que o mundo tem muitos riscos, e isso gera oportunidades de novos produtos.

A transição para o digital deve se consolidar: a transformação digital da indústria seguradora estava encaminhada. Já era possível registrar sinistros por fotos, solicitar assistência 24 horas, inspeção remota e tele-entrevista para seguros empresariais, por exemplo. Mas esses eram serviços subutilizados pelo consumidor, que agora devem aderir à proposta. “O cenário atual tem imposto uma mudança no comportamento do consumidor”, analisa Coriolano.

Para os corretores, se antes eles temiam o avanço da tecnologia, agora mais que nunca entenderam que de fato ela veio para ajudar.

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