O ambiente é favorável para os mercados financeiros de países emergentes como o Brasil. Mas esse movimento, por enquanto, vem sendo ditado pelas condições internacionais, e não por avanços do país.

Para garantir que fluxos de recursos estrangeiros se mantenham em 2021, é necessário avançar na agenda de reformas e na defesa do teto de gastos, mecanismo que determina que os gastos não podem superar a inflação do ano anterior.

A avaliação é do economista Carlos Kawall, diretor da ASA Investments e ex-secretário do Tesouro Nacional. Veja abaixo a entrevista concedida por ele ao 6 Minutos.

Como está o investimento de forte entrada de recursos de estrangeiros em ações e fundos de investimentos no Brasil? De fato, estamos verificando, a partir do segundo semestre deste ano, melhora nos fluxos de portfólio para o Brasil. Tínhamos tido um movimento, inclusive desde o ano passado, de sistemática saída de recursos dos investidores estrangeiros.

Nos últimos três, quatro meses passamos a observar uma melhora e a entrada de recursos tanto em renda fixa quanto na bolsa. É verdade que são fluxos bem mais modestos do que víamos em outros momentos, quando o Brasil crescia, quando era grau de investimento.

Mas não deixa de ser um registro bastante positivo termos tido recorde de investimentos estrangeiros na bolsa. Os dados do BC, relativos a outubro e parcial de novembro, mostraram que foram dois meses bastante positivos, e que explicaram porque no mês de novembro até agora nosso fluxo cambial está positivo em US$ 1 bilhão.

Quais as razões desse aumento de investimentos estrangeiros no mercado financeiro? Acredito que tem muito a ver com o ambiente internacional de ampla liquidez, com o cenário de aumento de apetite a risco depois das eleições americanas, com a vitória do candidato democrata, Joe Biden.

A perspectiva é de mais estímulos fiscais ajudando na recuperação da economia mundial como um todo e favorecendo investimentos de risco em moedas emergentes.

A tendência é que esse movimento se mantenha? Essa performance poderá ser ainda melhor se, neste final de ano, nós mantivermos a âncora fiscal, o teto de gastos, e tirarmos a principal incerteza que existe em relação ao cenário econômico brasileiro em 2021, garantindo a recuperação econômica com inflação sob controle e juros baixos.

Se até agora esse movimento é em grande medida ditado pelo o que está acontecendo lá fora, e que favorece emergentes de forma mais ampla, falta ainda fazermos essa lição de casa na questão fiscal e avançarmos nas reformas. Nesse cenário, teremos um fluxo de investimentos expressivos ao longo de 2021.

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