O Santander Brasil demitiu ao menos 433 funcionários desde junho em todo o país. Esse número pode ser maior, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. É que desde a reforma trabalhista, as homologações não precisam mais ser realizadas nos sindicatos – a rescisão pode ser feita dentro da própria empresa.

“Esse é um número sub-notificado, já que a empresa não informa quantos foram demitidos aos sindicatos. Esse é o número que chega aos sindicatos através de denúncias dos funcionários demitidos”, diz Lucimara Malaquias, dirigente do sindicato.

Procurado, o Santander não comenta esse número.

Mas não é um direito da empresa demitir? Ivone Silva, presidente do sindicato, disse que o banco se comprometeu publicamente a não realizar demissões sem justa causa durante a pandemia.

Procurado, o Santander informou que o compromisso de não demitir foi cumprido nos meses de abril e maio. O banco disse ainda que abriu 1.500 vagas de emprego.

Mas o sindicato questiona esse número. “Estão dizendo que estão demitindo quem não atingiu suas metas, não tinha boa performance e por isso vão fazer substituições. Mas como é que demite em plena pandemia? É uma falta de compromisso com a sociedade, ainda mais de um setor que não sofreu perda na pandemia”, afirma Ivone.

Outros bancos estão demitindo? Entre os grandes, Ivone afirma que só o Santander está demitindo. Há bancos menores cortando funcionários, mas o sindicato não tem números exatos. “Tem banco que só financia carro, aí o financiamento para e o banco demite. O que estamos tentando é reverter os cortes, quando ficamos sabendo.”

O sindicato tentou negociar com o Santander a reversão desses cortes? Lucimara afirma que o sindicato tentou, mas o banco não quis conversar sobre o assunto. “Tivemos uma reunião no dia 1º de julho e o banco foi enfático em dizer que esse assunto não será negociado, que os desligamentos vão continuar”, diz Lucimara.

Qual o argumento do sindicato para tentar reverter os cortes? Ivone afirma que o setor bancário não devolve para a sociedade todo o estímulo que recebeu do governo para liberar crédito a quem precisa. “Banco não perdeu lucro, recebeu todo tipo de socorro. Há um dever moral de garantir emprego e fazer o crédito chegar a quem precisa.”

O que o sindicato vai fazer a respeito? Ivone diz que o sindicato vai expor em campanhas as empresas que demitem funcionários em plena crise. “O consumidor pode se sensibilizar e decidir não ser mais cliente, não manter seu investimento em uma empresa que demite”, afirma a presidente do sindicato.

Lucimara afirma que o sindicato lançou uma petição internacional (http://is.gd/J1DSDI) endereçada ao presidente do Santander, Sergio Rial, pedindo que o banco para de demitir sem justa causa.

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