O salário de homens e mulheres aumentou entre 2012 e 2019. O delas (68,2%) mais que o deles (56,3%), revelou a Pnad – Contínua, a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios do IBGE referente ao segundo trimestre de 2019. Mas o aumento em proporção maior não reduziu a desigualdade salarial entre gêneros.

Isso é uma notícia boa, certo? Em termos. O aumento não está vinculado à redução da desigualdade de gêneros, mas sim à evolução na quantidade de horas trabalhadas. Uma investigação mais profundada nos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revela que o rendimento médio da população subiu de 2012 para cá, para R$ 2.290. Mas as horas trabalhadas diminuíram. No segundo trimestre de 2012, os brasileiros empregados trabalhavam 40,1 horas por semana. Em 2019, eles trabalham 38,8 horas.

E o que isso tem a ver com homens e mulheres?  Tradicionalmente, os homens têm mais ocupação que as mulheres. Pelos dados da Pnad, dos 54,6% de brasileiros que estão ocupados, 64,3% são homens e 45,9% mulheres.

Porém, com a crise e a desaceleração da economia, a demanda por mão de obra diminuiu, e isso foi sentido mais fortemente pelos homens. Em 2012, eles trabalhavam 44,3 horas por semana, mas hoje a carga horária caiu, para 42,7 horas – quase duas horas a menos. No mesmo período, o salário avançou de R$ 1.581 para R$ 2.439.

Enquanto isso, a carga horária das mulheres diminuiu bem menos, em 0,4 hora, saindo de 38,3 horas para 37,9 horas por semana, segundo a publicação “Diferença do rendimento do trabalho de mulheres e homens nos grupos ocupacionais“, publicada pelo IBGE no ano passado. O rendimento delas subiu de R$ 1.173 para R$ 1.923.

O que isso significa? Que a variação do salário das mulheres só foi maior que a dos homens porque a diferença entre as horas trabalhadas por cada sexo diminuiu. Foi uma consequência do aumento da população subocupada, explica Laísa Rachter, pesquisadora do FGV Ibre.

O que é a população subocupada? É a população que trabalha menos do que poderia porque não há demanda para uma carga de trabalho completa. No Brasil, ela está aumentando, ainda que o desemprego esteja caindo lentamente. Ao fim do segundo trimestre deste ano, os subocupados eram 7,4 milhões de brasileiros com mais de 14 anos. Os desempregados eram 12,766 milhões de pessoas.

Essa população subocupada trabalha em que setores? A maior parte no serviço doméstico (16,4%), seguido pelo agronegócio (12,6%), administração e serviços (13,6%) e comércio e reparação de veículos (12,9%).

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