Demorou mais de um ano, mas a Argentina voltou a crescer. No segundo trimestre, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado, graças ao desempenho do setor agrícola, o ponto mais forte da economia argentina. Mas os problemas não acabaram, e as perspectivas seguem preocupantes.

Quais os destaques do PIB argentino?

  • O setor de agricultura avançou 46% na relação com o segundo trimestre do ano passado.
  • A construção caiu 5,6%.
  • Indústria manufatureira caiu 6,7%.
  • Serviços domésticos avançaram 8,7%.

Qual a situação da Argentina? O país encolheu 2,5% no ano passado e 5,8% no primeiro trimestre de 2019. Para o inteiro de 2019, espera-se uma nova contração de 2,6%. A taxa de desemprego aumentou e subiu para 10,6% no trimestre de abril a junho, acima dos 9,6% no mesmo período do ano passado. A pobreza também se acentuou.

Por que a economia está ruim? A Argentina tem um déficit fiscal significativo (ou seja, o governo gasta muito mais do que arrecada); a inflação está fora de controle, o que exige juros de quase 80%, que impõem um arrocho à atividade produtiva e alimenta a espiral negativa.

A crise se aprofundou em agosto, quando o atual presidente e candidato à reeleição, Mauricio Macri, perdeu as prévias para Alberto Fernández, que tem na chapa a ex-presidente Cristina Kirchner como candidata a vice – Cristina defende medidas como congelamento de preços e maior intervenção do estado na economia.

Investidores não gostaram do resultado e começaram a vender ativos do país, o que fez o peso argentino derreter frente ao dólar. Como a Argentina tem uma economia dolarizada, em que boa parte dos preços está indexada à moeda norte-americana, a inflação subiu muito e o banco central elevou os juros para 78% ao ano.

O que acontece agora? O avanço de 0,6% possibilita um suspiro às vésperas das eleições presidenciais de 27 de outubro, mas as perspectivas para o segundo semestre continuam ruins. De um lado, está previsto um aumento na inflação e a desvalorização dos salários. De outro, as exportações seguirão como um atenuante.

Vale destacar que o resultado divulgado na quinta (19) retrata o que aconteceu com a economia entre abril e junho. O aprofundamento da crise só será captado pelos números do terceiro trimestre.

(Com a Reuters)

 

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